24/06/2019
Tempo e a submissão a ele

Desde tempos imemoriais a imaginação tem sido a causa de muitos inventos. Impossível alguém ter vivido sem nunca ter imaginado algo para fazer, algo para querer e até ter imaginado estar namorando com alguém, embora, sejam imaginações comuns das pessoas comuns. A imaginação também é aliada da reflexão quando se quer resolver algum problema. Ela também é utilizada por qualquer escritor para criar um enredo de ficção ou não, para compor um livro. Incontáveis são os exemplos de como inventos se realizaram depois de terem sido imaginados.

Não é inimaginável como seria a situação da humanidade se ela não tivesse inventado a marcação ou medida do tempo. Sem os instrumentos (relógios) para o saber das horas, dos minutos e dos segundos a existência humana seria um caos total. Não haveria como estabelecer os momentos em que nos mesmos momentos pessoas deveriam se reunir para algum propósito combinado antes de se reunirem. Sem as medidas do tempo as pessoas não seriam tão metódicas como são nestes tempos de quando são dependentes de horários para as suas atividades diárias.

Acredita-se que sem ainda existir a marcação do tempo os homens tivessem sido mais instintivos, intuitivos e espontâneos. Se o relógio e o calendário não existissem ninguém iria saber quanto tempo já tem de vida e etc. O cálculo do tempo em segundos, minutos, horas, meses e anos fez com que a humanidade se organizasse em suas atividades em tempos ou circunstâncias definidas. Pode-se então calcular tempos decorridos no passado comparados com o presente e até prever para o futuro alguma data em que algum empreendimento seria terminado.

O mundo teve tempos em que não teve tempos (risos). Isto é, quando não havia a noção dele. Seus habitantes só comiam quando tinham fome ou a qualquer momento, pois, não existia a hora do almoço e nem a do jantar. Só dormiam quando tinham sono e não tinham um momento exato para acordar. Apenas os dias e as noites é que eram o parâmetro de como os momentos se sucediam. Imaginemos como teria sido a terra quando ainda não havia vida humana. Os passar do tempo sem ter ninguém para perceber ocorriam naturalmente tendo as suas estações, aquelas que chamamos de primavera, verão, outono e inverno.

Antigamente quando os homens não eram tão escravizados pelo tempo como eles são hoje, seus “poderes” ocultos ou interiores bem que poderiam ter sido mais desenvolvidos. Como exemplo, temos aqueles que criaram utensílios para a utilidade e comodidade da humanidade, bem como temos os filósofos do passado, cujos conceitos sobre a vida estão inscritos em livros que pelo mundo todo ainda são apreciados.

Em tempos idos, quando parecia que havia tempo para tudo, as escolas de mistérios ou escolas esotéricas, elas ensinavam seus afiliados a praticarem exercícios ou técnicas para desenvolverem os seus poderes mentais tidos como ocultos, como a intuição, o enviar pensamentos à distância (telepatia) e etc. Nesta época parece que o tempo ficou mais rápido por não dar mais tempo nem para exercer a imaginação criativa. A telepatia se é mesmo que existia, tornou-se desnecessária. Pra que tentar enviar mensagem telepática se agora o telefone celular, além de mensagens envia imagens para qualquer canto do mundo?  Entretanto, muito do poder interior ou mental acreditado ao homem só existe na imaginação. Mas, não os distingo aqui.

De tempos em tempos vemos que a tecnologia ao se renovar ela altera os costumes da sociedade. Cada vez mais dependente dela o homem fica-lhe submisso. Daí o fato dele perder muito das suas capacidades humanas, como, imaginar, raciocinar, calcular, evoluir e etc. porque as “máquinas ou os eletrônicos” fazem quase tudo por ele. Enquanto a tecnologia é evolução parece que o homem perde parte de sua função. Isso é fácil de imaginar, pois, quem não se adaptar as modernas tecnologias ficará ao “Deus dará” da vida para sobreviver apenas como um ser simplório.

Como disse o filósofo Heráclito: Nada é permanente, exceto a mudança. Isso mesmo, nada fica inalterável diante das mudanças que por todo o sempre ocorrem no mundo. Contudo, nesta era tecnológica de tanta informação e distração eletrônica, o homem tem estado a mercê dela no “ver” sucumbir parte de seu raciocínio por causa dela. Hoje é notório como muitas pessoas se defrontam com os seus esquecimentos sobre nomes que queiram falar e sobre outras coisas em que demoram em lembrar.

As tecnologias destinadas às massas não serviriam também para nivelar o povo num viver cada vez mais inconsciente das regras que possam prejudicá-lo? Lembrei-me agora do livro “Admirável mundo novo” escrito pelo Aldous Huxley e do livro “1984” escrito pelo George Orwell. Lembrei-me também do filme “Matrix”. Ambos insinuaram sobre a submissão em que vive a humanidade.

Altino Olimpio  



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