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22/08/2008
O Padre gostoso

De tempos remotos muitos fatos não foram registrados em fotos. “Era uma vez”, lá no bairro dos fornos de cal, um homem tendo caminhões, tinha também um carro que cuidava com muito carinho sem igual. Vez ou outra, quando o padre do local se sentia muito sozinho, ele, o motorista, o levava por um caminho até uma distante vila para o padre se distrair um pouquinho. Lá, coisa que mais não se apavora, ninguém ficava de fora quando para brincar de roda com o padre chegava à hora. Ele, desinibido parecia estar testando sua libido, que, por falta de salitre forte reagia entre as moças de bom alvitre. O motorista, diante daquela pueril moçada sempre via alguma encoxada. Ele, perplexo, pensou que aquilo não podia ser brincadeira, mais parecia ser sexo. Vendo a sua reação o padre dele se aproximou e lhe deu um sermão: aqui como você sou um homem comum e nisto que faço não vejo mal nenhum. Só na igreja sou diferente porque é lá que exerço minha patente. É, o padre tinha um “Calcanhar de Aquiles”, isto é, tinha uma fraqueza, aquela do homem se entregar aos caprichos da natureza que fez da mulher a melhor fonte de prazer e que, por ela qualquer um pode até perder a nobreza. Sempre participante dos eventos festivos o padre era muito atrativo, não era novo o modo de como se misturava com o povo. Até de batina driblava e criança não ficava machucada quando ele jogava bola com a molecada. Era latino e não parecia ser ladino, tinha que ser astuto para às vezes ser substituto quando uma reclamante se via não mais sendo e querendo um desfruto. Talvez, seja só do imaginário esse segredo de confessionário de quando um padre atraente esteve no páreo entre outros homens para lhes ser solidário quando ausentes em algum horário. Tinha homem que no orgulho se extravasava porque o padre sua casa freqüentava mesmo quando ele não estava e era uma honra que se desejava. “Coisas da vida”, um dia o padre teve sua partida deixando essa guarida indo para outra desconhecida, mas, sua longa permanência nunca foi esquecida. Os bens que alcançaram outros instintos agora jazem extintos. Como nada mais é recente, um descendente não seria motivo para que alguém se ressente. Depois, sendo da Europa, um outro religioso assumiu a tarefa do anterior e recebido não com o mesmo clamor, esse, descoberto vivendo na proibição de um amor, ao convier como o destino quer, ele foi embora com uma mulher. Num bairro próximo que começou com uma criação de perus, um outro pároco e europeu também, já namorava uma mulher casada, que, depois de viúva como esposa foi por ele adotada e agora como bom irmão continua na missa dando sermão e, se toma cerveja, usou ou usa camisinha, não tem peleja com a igreja. Talvez sim, nessa vida que lhe agrada já tenha a preocupação de consumir viagra. Isso não é pecado, é até um milagre para aposentado e para velho com dentadura que precisa agradar a mulher, ai ela lhe perdura gostando da convivência com conveniência dura. A vida é como um trem, mesmo os que não podem ou não devem entrar, também sempre acabam viajando nele.


Altino Olympio