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13/01/06
Hipnose Inevitável

Certa vez um psicólogo amigo disse-me: se ao tomar banho você cantarolar uma música, você pode ser um hipnotizado. Essa sentença me fez levar o pensamento para refletir sobre a hipnose da qual a humanidade é vítima. O povo em seu vai-e-vem irrefletido se vivencia como iludido entre fatos sem de fato serem fatos. Um exemplo de hipnose são os dias tidos como especiais àquelas datas anuais dedicadas a alguém importante do passado, outras dedicadas a um fato histórico e outras em homenagem aos vivos por serem aqueles representantes de uma circunstância nobre e de estima: dia da criança, dia dos pais, dia das mães, estes são os mais marcantes.

Se citarmos para alguém o nome “quarta-feira”, provavelmente se produzirá na imaginação ou condicionamento da pessoa, uma quarta-feira com características de como ela “vê” a sua quarta-feira, destacada como diferente dos demais dias da semana.
Imperceptível, isso será hipnose?
A natureza pelo desfilar dos dias para nós, somente no como eles se manifestam eles são diferentes: dia claro, dia escuro, dia de calor, dia de frio, chuvoso. Fora disso, todos os dias são irreconhecíveis para se poder destacar um ou alguns deles como diferentes.
Muita gente insiste como sendo diferentes os domingos e feriados. Diferentes uma ova!
O tédio, a melancolia, a solidão e o descompromisso, são “coisas” dos humanos, entendidas como sendo dos domingos e feriados e eles levam a culpa como sendo provocadores ou portadores desses sentimentos invasores de gente vazia.

Muita gente consegue “enxergar” dentro da cabeça, o momento das duas horas da tarde. Eu também, isso é comprovado. Sem usar a posição do sol como referência para os dias longos e ensolarados, duas horas da tarde é diferente das duas e meia, três ou quatro horas.
Mas, voltando aos dias, só claridade e escuridão distinguem um mesmo dia e todos os outros como dia e noite, noite e dia, numa seqüência ininterrupta só com essa diferença.
Porém, colocaram acessórios nos dias e distraídos deles mais vivem pelos seus acessórios.
Isso explica a agitação dos bípedes quando congestionam o transito, superlotam conduções, tumultuam ruas, se empurram, se acotovelam, se xingam, brigam, se endividam, tudo como preparo e expectativa para o acessório colocado num dia quando tem gente para ver, sentir, se emocionar mesmo pelo acreditar no acessório de um dia e ele, indiferente das demandas humanas, não sofre modificação. As pessoas sim, se modificam nesse dia pela psicologia ou hipnose, numa postura própria de como diferente, enquadrar um dia. Se pudessem, até cortariam um pedacinho do seu acessório.
Dias diferentes são todos iguais, apenas “diferentes” conforme foram intencionados. Foram criados dias feriados, mas, muitos entenderam como intencionados para vagabundagem. Outros feriados, aqueles do dia disso, dia daquilo, dia dele, dia daquele, na verdade deveria ser: dia do comércio disso, dia do comércio daquilo, dia do comércio por causa dele, e etc.
Contudo, os dias se sucederiam sem ser disfarçados com máscaras colocadas neles e ninguém mais precisaria ser conivente com o fingimento social de disfarçar, e já não disfarçam, pois, se colocam esquecidos e contrários ao significado “documentado” de um dia, quando o consumo e muitas vezes a farra e não o dia é realidade.


Altino Olímpio