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18/04/2006
Pontos de Vista

“Quanto mais altamente desenvolvida a espécie ou grupo, mais baixa será a sua média de nascimentos. Também é verdadeira nos casos individuais. O desenvolvimento intelectual, por exemplo, parece ser hostil à fertilidade. Onde existe uma fertilidade excepcional, há uma lentidão de inteligência e onde existiu, durante a educação, um dispêndio excessivo de atividade mental, segue-se freqüentemente uma infertilidade completa ou parcial”.

Herbert Spencer (1820-1903)

Isso nada tem a ver com o “Crescei-vos e Multiplicai-vos e Fiquei-vos Desempregados” com que o povo ainda tem praticado, mais nas regiões onde o intelecto é um luxo, um supérfluo para onde existe o sofrimento da seca e da fome. É um folclore para tirar lágrima de repórter quando ele está ao meio de uma gravação para um programa de televisão. Milhões de camisinhas são distribuídas durante os carnavais num disfarçável compulsório do “Uni-vos e Trepai-vos Sem Perigo de Contaminação” com a terrível e temível doença chamada de “Intelecto” que, quando obstrui a fertilidade coloca em perigo a sobrevivência da humanidade.

Nascido em 1724 e falecido em 1804, Emanuel Kant pensava que o casamento o atrapalharia na busca honesta da verdade: “um homem casado” costumava dizer Talleyrand “fará qualquer coisa por dinheiro”. Kant, um filósofo, não durou o suficiente para ler de outro esta frase: “Muitos filósofos morreram quando seus filhos nasceram”. Claro! Trabalhar, comer de marmita, sustentar a família e se anular em prol de quem ama, isso é mesmo “nobre” e conseqüente morte para quem vive da ilusão de “poder consertar o mundo” tentando transpassar para todos uma filosofia coerente para suas vidas. Todas as filosofias redundaram em fracasso se comparadas com a “evolução” do povo que não as consegue entender e muito menos se importa com elas, porque: “Não, é perigoso, filosofia é doença intelectual, pode deixar qualquer um impotente, pode-se ficar louco por causa dela, muitos já ficaram, coitados, nem mais conseguem assistir novela e por isso falta-lhes cultura”.
Ainda bem que filósofos são poucos. Se todos fossem filósofos, toda mídia, religiões e todos os governos do mundo, estariam em “maus lençóis”. Filósofos... Que praga que eles são. Quem denunciar um deles terá praticado uma boa ação.


Altino Olímpio