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06/08/2008
Chupeta mística

Atitudes Místicas

Naquela época musical denominada “Jovem Guarda” que revolucionou os meios artísticos com o sucesso de seus programas com novos ritmos jovens, existiu um rapaz sendo um dos “galãs” de um programa de televisão dominical dentre outros a se apresentarem no horário da tarde. Cantor e compositor muito conhecido na época, o rapaz ingressou também, numa dessas “organizações misteriosas” em busca de desenvolvimentos psíquicos, espirituais. Quando comparecia nos locais onde os membros da organização se reuniam, simpático, conversador, sempre esteve rodeado por pessoas, principalmente por mulheres. Nos rituais semanais, alguns integrantes da organização, como oficiais, tinham cargos considerados importantes, como um considerado “sagrado” e sempre pertencente a uma mulher.

Numa ocasião, lá pelas vinte e três horas, deixando aquele local de suas reuniões, alguns “irmãos” mais íntimos aproveitaram uma carona de carro para desembarcarem nas proximidades de suas casas. A mulher que esteve dirigindo o automóvel, depois de ter se desembaraçado de alguns irmãos, permaneceu com o último e ele era o cantor de nossa história. E, numa rua movimentada da cidade, os dois ficaram conversando, até quando... ... A mulher... Surpreendentemente, lhe fez sexo oral dentro do automóvel. Utilizando-se do jargão popular, a mística lhe fez uma chupetinha. Na época ela era detentora daquele cargo “sagrado” da organização a que os dois pertenciam e ela tinha vários anos a mais de afiliação do que o feliz daquela oportunidade. Entretanto, isso não foi novidade porque, na maioria dessas sociedades, quando são mistas, isto é, freqüentadas por homens e mulheres, fala-se muito que “tudo termina em sexo”.

Esses procedimentos tidos como profanos pelos estudiosos sérios dessas sociedades, confundiam alguns porque consideravam ser contrário aos seus aprendizados. E não foi diferente com o rapaz cantor e compositor. Por um bom tempo sentiu-se desencantado com as atitudes profanas daquela mulher, pois, sua função mais exigia uma conduta de moral mais severa –pensava ele. O “incidente” não o impediu de prosseguir com sua afiliação naquela organização, porque, o aprendizado era muito atrativo. “Não é bom misturar as coisas” dizia ele “os deslizes de alguns nada tem a ver com a filosofia desta sociedade”. De fato, seu pensamento estava correto e por muitos anos, com dedicação, continuou com naqueles estudos até quando finalmente desistiu deles e se demitiu, naquela sensação de “pouco consegui aqui”. Nunca mais compôs músicas porque se desinteressou por elas e por tantas outras coisas que antes lhes tinham valor ou significado. Hoje, com idade acima dos sessenta e cinco anos e, embora, ainda considerado como amigo, não mais mantém contato e seu endereço é ignorado.


Altino Olímpio