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26/09/2008
Produtos para higiene bucal podem alterar taxas glicêmicas

Ana Miriam Gebara, cirurgiã dentista, cuida de pacientes diabéticos no Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo há cerca de seis anos. Ela começou a se interessar por esse tipo de paciente muito antes, há cerca de 12 anos quando, recém-formada, foi convidada a dar uma palestra sobre os problemas odontológicos do diabético no centro de diabetes de um hospital paulista.

Fascinada pelo tema, logo depois participou de um congresso sobre diabetes e, a partir daí, concentrou sua atuação no atendimento ao portador de diabetes. No Cape, Ana Miriam começou a atuar sozinha. Aos poucos, foi montando uma equipe que hoje conta com quatro dentistas especializados em diabéticos que, uma vez por semana, prestam atendimento a cerca oito pacientes.

Antes de iniciar os procedimentos específicos, a equipe aplica o teste de glicemia no paciente e, se ele estiver descompensado, faz o encaminhamento para o endocrinologista ou para uma equipe multiprofissional. De acordo com as condições glicêmicas, começa o planejamento e o atendimento clínico. A maioria apresenta problemas gengivais ou periodontais e, por isso, muitas vezes o tratamento consiste em raspagem da gengiva e limpeza dos dentes para remoção do tártaro.

“Esses procedimentos visam a remover possíveis focos infecciosos que podem vir a afetar o bom controle glicêmico do paciente”, explica Ana Miriam.

Outro procedimento muitas vezes adotado consiste no tratamento ortodôntico. A posição incorreta dos dentes facilita o depósito de resíduos de alimentos e, consequentemente, o surgimento de focos infecciosos a partir da formação de tártaro e da calcificação, o que altera o equilíbrio glicêmico.

Ana Miriam lembra que o bom atendimento sempre começa com uma anamnese detalhada, ou seja, um questionário em que o dentista se informa sobre todos os quesitos que podem interferir na saúde bucal do paciente. Ao mesmo tempo, ela recomenda aos pacientes que estejam alimentados, para evitar hipoglicemia durante o procedimento, e que não deixem de utilizar sua medicação diária quando estiverem em tratamento odontológico.

A dentista alerta a seus pacientes diabéticos sobre a necessidade de se tomar cuidado com a utilização de alguns enxaguatórios bucais, uma vez que muitos possuem álcool em sua composição e, por isso, podem mexer com as taxas glicêmicas se ingeridos. Para evitar complicações, Ana Miriam recomenda bochechos de água morna com um pouco de sal, de grande eficiência na assepsia em geral e combate a gengivites.

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