Versão para impressão

27/05/2013
Hamamoto e sua vitória de Pirro

No episódio da alteração da Lei Orgânica, onde os vereadores pretendiam enxertar uma modificação, facilitando o afastamento do prefeito em caso de denúncia, os episódios foram dignos de folhetim.
Em um primeiro momento os dez edis assinaram a emenda, em sessão extraordinária convocada exclusivamente para isso. A proposição em nada diferia do texto do dec.lei 201 uma lei federal, entre tantas, que tratam do assunto, portanto inócua na prática A convulsão que causou na Cidade foi digna de uma cassação, ou seja, tempestade em copo de àgua.
Se o acontecimento fosse um folhetim provocaria muito riso, muitas pessoas acharam que o prefeito seria cassado por improbidade administrativa, outras por falta de decoro e ainda  a maioria nem sabia do que se tratava.
Histórias e mais histórias rolaram àgua abaixo, cada uma dando uma versão do porque da "cassação" e claro aumentando e apimentando os fatos. Entre a primeira votação da emenda e a segunda, hamamoto foi de santo a diabo, passando pelo purgatório.
Enfim chega a segunda e decisiva votação, nove vereadores voltaram atrás e praticamente deixaram o vereador Calé falando sózinho, o motivo de tamanha reviravolta só com o tempo aparecerá, deve ter sido contundente. O eleitor de modo geral tem interpretado o resultado da batalha como vitória do prefeito e humilhação dos vereadores, não perceberam que nessa briga política inútil, quem sai perdendo é a Cidade, quanto a vitória do prefeito, foi de Pirro.

 

 

UMA VITÓRIA DE PIRRO

Conta a História que em 279 a.C., quando os soldados de Épiro, antiga região da Grécia (atual Albânia), invadiram a Apúlia, região que forma o calcanhar e a espora da "bota" da Itália, defrontaram-se com os romanos na batalha de Ásculo (atual Ascoli Satriano, 30 Km ao sul de Foggia), onde o rei Pirro (318 a.C.-272 a.C.) obteve, a muito custo, uma vitória sofrida e preocupante. Os romanos perderam 6.000 homens, e seus adversários, em torno de 3.500. O golpe foi muito duro para o exército de Pirro, o qual não teria como suportar outro desfalque semelhante se tivesse que enfrentar, de novo, os romanos. Ao ser cumprimentado pela vitória conquistada à custa do sacrifício de tantos homens, ele teria respondido com estas palavras: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido”.


Edson Navarro