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03/06/1983
Ed. 114

Na sessão do dia 24, várias indicações e requerimentos foram apresentados e encaminhados aos setores competentes. Foi votado e aprovado o projeto de lei eu faculta aos proprietários de túmulos no Jardim da Saudade a transferência dos restos mortais de seus parentes para o Cemitério do Morro Grande. Antes essa transferência era obrigatória. O edil Névio disse que conseguiu por mais 90 dias, a prazo para os moradores da Vila Rosina regularizarem as suas escrituras sem o pagamento de multas ou taxas de minuta.

Prefeito manda projeto para câmara extinguindo 13 cargos, mas... 10 cargos passam de provimento efetivo para provimento em comissão

Na próxima reunião da Câmara será posto em votação o projeto do executivo que extingue 13 cargos, mas ao mesmo tempo cria 10 cargos em comissão. O que na realidade apenas transforma de efetivo para comissionado, não diminuindo o ônus para os cofres da municipalidade. Essa manobra ainda é parte da tentativa de dispensar do serviço os concursados pelo ex-prefeito Gino Dártora, só que mantendo 10 cargos em “comissão” que obviamente serão preenchidos, em nada beneficia o erário público, mais uma manobra política. O PDS fechou questão e vai votar contra, vamos ver os vereadores do PMDB como vão se comportar...

A vereadora Wanda Matiazzo face a inúmeras reclamações dos moradores da Vila Rosina, bairro que está em situação de calamidade pública, recomendou aos mesmos que tivessem paciência, que providências seriam tomadas tão logo seja possível.

Macedinho o vereador dos apartes interrompeu tanto seu colega Aparecido que este prometeu nunca mais conceder-lhe um “aparte”.

Sem apartes

O vereador SÉRGIO GIACOMINI não concedeu aparte a seus colegas que insistiam em aparteá-los quando, como sempre, defendia as posições do Prefeito Municipal, relativas a problemas da cidade e as suas quando criticava a falta de participação dos outros vereadores na resolução de problemas da cidade. Porém aparteou outros colegas que lhe concederam os apartes e responderam que participariam caso fossem convidados e que mesmo sem o convite, acompanharam o Prefeito em visita a CONESP e a SABESP reivindicando melhorias para a nossa cidade. Disseram ainda ao nobre vereador que sempre dariam apartes, pois são DEMOCRATAS e o aconselharam a consultar o programa do PMDB onde ele é recém chegado.

A vereadora Afdóquia (Dona Doca), denunciou na Câmara a contratação pelo prefeito Fiore de uma assessoria para reorganizar o quadro de funcionários da Prefeitura pelo valo de Cr$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil cruzeiros). Dona Doca diz que essa importância poderia ser melhor aproveitada e que o prefeito Fiore agindo assim está passando um atestado de incapacidade administrativa além de fazer mau uso do dinheiro público. Diz ainda que essa assessoria é constituída de advogados, que certamente não são os mais indicados profissionalmente para cuidar de uma reorganização de serviços e cargos, aliás, diz a vereadora, essa atividade é privativa do profissional de administração de empresas.

Segundo comentário do ex-presidente da Câmara Carlos Gomes, o atual presidente Assis Crema tem todo o direito de requisitar a polícia para conter manifestações no plenário, diz Carlos Gomes que manter a ordem pública no recinto da Câmara é dever de seu Presidente, lembrando ainda que os assistentes não podem se manifestar, apenas assistir à sessão.

Nota da redação:

Exageros à parte o que se tira do episódio passado na Câmara são duas conclusões: 1ª) A falta de experiência do presidente que não conteve as manifestações dos assistentes logo no início, suspendendo se necessário a sessão ou evacuando o recinto sem recorrer à polícia o que deixou os munícipes presentes chocados. 2ª) A falta de postura de alguns munícipes que não souberam respeitar o recinto público confundindo democracia com bagunça, desrespeitando a autoridade presente, mas essa é uma crise que quase todo o país sofre em menor ou maior escala e a responsabilidade não é exclusivamente dos cidadãos, já que a maioria dos homens públicos deste país não prima pelas qualidades que um detentor de cargo público deve ter, daí a crise de respeitabilidade e autoridade.

Mordomias na Câmara

O vereador Nelsinho (Nelson Urtado) em eloqüente pronunciamento denunciou as mordomias que vêm ocorrendo na Câmara, uma delas, os gastos com almoço no restaurante “Espetão” de funcionários da Casa, que montam até o momento em torno de Cr$ 30.000,00 (trinta mil cruzeiros), somente em um dia. É o dinheiro do povo aplicado, segundo NELSINHO, em benefícios de apadrinhados do presidente da edilidade.

Nelsinho denunciou mais uma vez os concursos feitos para favorecer apaziguados de determinado políticos, como o último realizado na Câmara, onde segundo Nelsinho, só o que foram beneficiados insistem em dizer que houve lisura no “concurso”.

E continua a novela... o direito de não falar, Daniel Donha, eleito com 460 votos, o terceiro mais votado do bairro de Laranjeiras, continua mudo nas sessões da Câmara.

O vereador Aparecido C. Campos em grave denúncia solicitou à Câmara instauração de uma comissão de inquérito para apurar possíveis irregularidades da Diretora da Câmara que teria depositado dinheiro da Câmara em sua conta bancária. O presidente Assis não aceitou o requerimento e mandou arquivar, ficou o mal estar...

Jornal A Semana