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27/07/2026
As pessoas que não quero ser

As pessoas que não quero ser

A gente cresce com a ideia de quem queremos ser.

Quero ser assim, assado, frito ou empanado.

Quero ter a bunda da minha mãe, as tetas da minha tia e a inteligência da minha vovó.

E a vida vai esticando a paciência ante nossa completa ignorância existencial.

Outro dia conversando com uma colega, encontramos um denominador comum de quem não queríamos ser.

Comecei a policiar-me no firme propósito de expurgar-me de qualquer contágio daquilo, ou daqueles como quem não quero ter nenhum traço de semelhança.

Não foi difícil entender porque somos tão pateticamente tendenciosos ao que estamos expostos.

É complicadíssimo fugir dos padrões do que está emaranhado na cultura, vida social (ou sua ausência total), nas crenças enraizadas, nos tabus ainda vivíssimos em nosso dia a dia.

Principalmente quando entendemos que somos a soma de vários euzinhos.

O eu criança, o eu adolescente, o eu jovem, o eu adulto, os eus herdados por avós, pais, filhos, primos, sobrinhos, primos, profissionais. Um quase sem fim de eusss.

Onde estam estes “mini-mins”?

A maioria perdida pelos cantos do esquecimento, ou amordaçada entre as falanges de traumas, quiçá, na melhor das hipóteses, adormecida.

Não sei exatamente se é preguiça de lidar com a estranheza alheia, ou se minhas Danieles já causam pane demais na minha cabeça.

Mas ultimamente não tenho vontade de perder energia com mimimi filosófico sobre os porquês de fulano ser assim ou assado.

Deixo isto para a psiquiatria e psicologia.

Só anoto na minha listinha o nome das pessoas que não quero ser, de como não quero atuar, rir, me vestir…

Você pode até achar sem utilidade saber que pessoas você não quer ser. Mas se admirara ao olhar-se mais atentamente e perceber que a maioria destas pessoas que não quer ser, já está dentro de você faz tempo.

Até alguns anos atrás ( na época dos grandes sonhos) trabalhei arduamente em “quem queria ser”. Ainda que hoje tenha a impressão de que não sabia sequer quem eu era!

Com o avançar imparável da idade decidi estrategicamente mudar de plano. “como não quero ser”. É o que dá tempo agora.

Então, para iniciar a semana trabalhando em sermos melhores humanos, deixo as perguntas: Quem são as pessoas que você não quer ser? Quais delas você já é? Quanto está disposto a não ser-las?

Não seja igual aquela tia que fofoca, a irmã amargada, ao irmão mal humorado, o pai castrador, o tio “pegador”, o vizinho malandro, o porteiro olheiro !

Seja você, responsável por quem é , sem rodeios, objeções ou culpas alheias.

O seu pior “eu”, sempre será melhor do que qualquer cópia barata de alguém.

Assuma-se.

E não julgue!

Boa semana!

Daniele de Cassia Rotundo