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07/08/2026
ECLIPSE SOLAR TOTAL EM 12 DE AGOSTO

Fleury G. Ceraso

ECLIPSE DIA 12 agosto 2026

 

O próximo eclipse solar total acontecerá no dia 12 de agosto de 2026. Globalmente, o eclipse parcial começará às 12h34 e a fase da totalidade terá início às 13h58 (ambos no horário de Brasília). O ápice global do fenômeno ocorrerá às 14h46 (horário de Brasília). Visibilidade no Brasil: O fenômeno não será visível a olho nu em nenhuma cidade do Brasil, pois a faixa de sombra atingirá apenas o Hemisfério Norte

 

Os eclipses sempre ocuparam um lugar central no imaginário humano. Por marcar o desaparecimento temporário da luz de um dos dois grandes luminares (o Sol ou a Lua), o fenômeno transita entre a interpretação simbólico dinâmica e as narrativas místicas e míticas de diferentes culturas.

 

1. A Interpretação Simbólica e Psicológica

Do ponto de vista simbólico, psicológico e astrológico, o eclipse representa uma interrupção temporária do fluxo habitual da Consciência.

 

Eclipse Solar (Conjunção de Sol e Lua na fase Nova): A Lua (o inconsciente, as memórias, as emoções, o mundo interno) posiciona-se à frente do Sol (a Consciência, a identidade egoica, o livre-arbítrio). Simboliza um encobrimento momentâneo do ego consciente, forçando o indivíduo a olhar para impulsos e sombras antes ignorados. É considerado um catalisador de novos ciclos, viradas de página e redefinições.

 

Eclipse Lunar (Oposição entre Sol e Lua na fase Cheia): A Terra projeta sua sombra sobre a Lua. Nesse caso, a luz da consciência (Sol) é bloqueada de iluminar o inconsciente e o passado (Lua). Simboliza transbordamentos emocionais, revelações, desfechos de situações que vinham amadurecendo e o encerramento imperativo de padrões ultrapassados.

 

Em termos analíticos e de desenvolvimento humano, o período ao redor de um eclipse costuma suspender as certezas absolutas, abrindo um portal para reavaliações estruturais e reorientações de rumo.

 

2. A História Popular, Mítica e Fantástica

Antes de a astronomia explicar o alinhamento dos corpos celestes, o desaparecimento do Sol em pleno dia ou o obscurecimento sanguinolento da Lua era visto como uma fratura na ordem natural. Isso gerou algumas das narrativas mais ricas da mitologia mundial: O Mito dos Criaturas Devoradoras.

 

A explicação mais universal entre as civilizações antigas era a de que um monstro, dragão ou entidade mística estava engolindo o corpo celeste.

 

China Antiga: Acreditava-se que o dragão celestial Tiangou estava tentando devorar o Sol ou a Lua. A população saía às ruas batendo tambores, potes e panelas para fazer o máximo de barulho e assustar a besta até que ela “cuspisse” a luz de volta.

 

Índia e a Tradição Védica: A história de Rahu e Ketu. Rahu era um asura (demônio) que bebeu o elixir da imortalidade. O Sol e a Lua o denunciaram ao deus Vishnu, que cortou sua cabeça. Como já era imortal, a cabeça de Rahu continua perseguindo e engolindo o Sol e a Lua periodicamente; contudo, como ele não tem pescoço, os astros sempre saem pelo corte da cabeça, restaurando a luz.

 

Mitologia Nórdica: Os lobos Sköll e Hati perseguem perpetuamente a carruagem do Sol (Sól) e da Lua (Máni). Quando alcançam seu alvo, ocorre o eclipse — considerado um pré-anúncio do Ragnarök (o fim do mundo).

 

Disputas Divinas e Batalhas Celestes

 

Tradições Sul-Africanas: Algumas lendas contam que o Sol e a Lua estão travando uma intensa batalha. Era um chamado para que as pessoas na Terra se unissem, resolvessem suas diferenças em paz e incentivassem os luminares a fazerem o mesmo.

 

Povo Navajo e Tribos Norte-Americanas: O eclipse é compreendido como um momento sagrado em que o cosmos passa por uma morte e renascimento. Durante o evento, tradições mantêm o silêncio, a meditação e o jejum em respeito ao processo de restauração do equilíbrio universal.

 

Feitiçaria e Oportunismo Histórico: No terreno da história fantástica e dos relatos reais, eclipses frequentemente alteraram o rumo de guerras e regimes:

 

A Batalha de Halys (585 a.C.): Conhecida como a “Batalha do Eclipse”, travada entre medos e lídios. Quando o dia virou noite no meio do combate, ambos os exércitos interpretaram o sinal como um aviso dos deuses para cessar a guerra, selando a paz imediatamente.

 

Cristóvão Colombo na Jamaica (1504): Encalhado com sua tripulação e vendo os nativos recusarem suprimentos de comida, Colombo usou um almanaque astronômico que previa um eclipse lunar em 1º de março. Ele avisou os caciques de que o Deus dos cristãos cobriria a Lua de vermelho em sinal de ira. Quando o eclipse aconteceu, os nativos apavorados prometeram restaurar todo o mantimento.

Os eclipses sempre ocuparam um lugar central no imaginário humano. Por marcar o desaparecimento temporário da luz de um dos dois grandes luminares (o Sol ou a Lua), o fenômeno transita entre a interpretação simbólico dinâmica e as narrativas místicas e míticas de diferentes culturas.

 


Fleury G. Ceraso