Na visão do filósofo e pensador espiritualista italiano Pietro Ubaldi (1886–1972), a relação entre os saprófitos e o câncer é explicada a partir de uma perspectiva profunda que une biologia, forças energéticas e as leis evolutivas do universo.
Para Ubaldi, os microrganismos saprófitos que habitam o corpo humano não são meros agentes externos infecciosos, mas sim princípios biológicos integrados ao organismo em um estado perene de contraste, adaptação e equilíbrio sutil. Quando esse equilíbrio é rompido por desvios na conduta ou na vibração espiritual do indivíduo, esses organismos mudam de
A tese ubaldiana sobre o tema baseia-se nos seguintes pontos fundamentais:
1. Os Quatro Saprófitos Endorgânicos
Ubaldi aponta a existência de quatro saprófitos principais que coabitam a estrutura humana profunda, divididos por ele em duas séries biológicas baseadas no ambiente que preferem: [1]
- Série Acidógena: O espiroqueta de Schaudinn (causador da sífilis) e o plasmódio de Laveran (malária).
- Série Alcalinógena: O bacilo de Koch (tuberculose) e o gonococo de Neisser (gonorreia). [1]
2. O Espiroqueta como o Agente do Câncer
De acordo com Ubaldi, o saprófito que geralmente atua na gênese do câncer é o espiroqueta. Ele descreve esse microrganismo como o "mais paciente, menos exigente e contemporizador" de todos.
Diferente de outras bactérias mais agressivas que atacam de forma rápida e geram reações inflamatórias imediatas do sistema imune, o espiroqueta consegue permanecer oculto por anos ou até mesmo por gerações inteiras. O organismo hospedeiro se acostuma com sua presença silenciosa e não reage.
3. O Mecanismo da "Fraude Biológica"
A transição para o câncer ocorre quando o espiroqueta, aproveitando-se de uma queda vibratória ou de um enfraquecimento das forças vitais que mantêm o controle da biologia celular, realiza o que Ubaldi chama de uma fraude tecidual.
Em vez de destruir o tecido por infecção direta, o saprófito desvia a inteligência diretriz das células. Ele estimula uma proliferação anárquica e desordenada — as células passam a se multiplicar sem obedecer ao plano central do organismo, resultando na formação do tumor maligno. [1, 2]
4. Visão Cósmica e Lei de Causa e Efeito
Fiel ao seu princípio de que "nenhum problema pode ser verdadeiramente resolvido se não partirmos de uma orientação cósmica que o enquadre no funcionamento orgânico do Todo", Ubaldi não vê o câncer puramente como um defeito material ou genético.
Para ele, a proliferação do saprófito e a consequente manifestação do câncer são reflexos físicos de um desequilíbrio na "equação da substância" (Matéria (
ightleftharpoons ) Energia (
ightleftharpoons ) Espírito). O tumor surge como uma resposta biológica a sobrecargas psíquicas, desvios éticos ou necessidades de reajuste evolutivo da alma, onde a matéria "rebelde" materializa a desarmonia espiritual interna.