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01/03/2024
Câncer está ligado nas lesões do DNA

Desenvolvimento de câncer está ligado a lesões no DNA durante o processo de envelhecimento.

Carlos Menck explica que essas lesões provocam um estresse transcricional, processo de síntese de RNA a partir de DNA, e isso pode levar à morte de células importantes na recuperação do corpo

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 Publicado: 29/02/2024

O cigarro, a poluição atmosférica, o álcool em exagero e a inflamação crônica podem ser causadores de lesões no material genético das células T

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos indica que a idade média de início do câncer é de 66 anos e que mais da metade de novos casos no Reino Unido são diagnosticados em pessoas com mais de 70 anos. Segundo estudos, essa relação do câncer com a idade não é apenas uma coincidência e o risco da doença avança conforme o envelhecimento. O professor Carlos Frederico Menck, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), explica que a causa está relacionada a lesões no DNA das nossas células.

A ideia mais prevalente, segundo o especialista, do câncer estar correlacionado ao processo de envelhecimento, é o acúmulo de lesões no DNA conforme a pessoa vive. Diferentemente de mutações, como ocorre no câncer, as lesões são alterações na estrutura do material genético das células. “O oxigênio que a gente respira é considerado um dos grandes vilões de lesões no DNA. Você tem possibilidade de ter um estresse oxidativo, como se tivesse oxidando a molécula de DNA e a célula”, completa.

O docente explica que essas lesões provocam um estresse transcricional, processo de síntese de RNA a partir de DNA, e isso prejudica a célula, podendo levar à morte de células importantes na recuperação do corpo, como células tronco. Além das lesões endógenas, relacionadas ao processo da vida, Menck também alerta que o cigarro, a poluição atmosférica, o álcool em exagero — gerando aldeídos — e a inflamação crônica podem ser outros causadores de lesões no material genético das células.

Relação com o câncer

“O acúmulo dessas lesões não quer dizer que você vai ter necessariamente câncer. Isso tem um papel importante a nível de envelhecimento, mas as lesões em si podem gerar alterações na sequência das bases do DNA, mutações, consideradas as principais causas da formação de câncer, então a correlação é direta”, afirma o professor. Ele ainda complementa que as mutações podem desenvolver uma célula tumoral, causando o tumor através de sua replicação.

“A gente tem uma defesa, o sistema imunológico está nos defendendo o tempo todo de tumores, mas, com o passar do tempo, algumas células conseguem escapar desse controle imunológico e desenvolver o tumor, então, é uma questão temporal que aumenta violentamente com a idade”, relata. Menck ainda diz que um ponto que confirma essa relação entre o câncer e as lesões no DNA são doenças genéticas raras, estudadas pelo docente, que prejudicam o reparo do material genético dos afetados, provocando câncer mesmo com uma idade precoce.

Sobre o tratamento do câncer, o professor cita a quimioterapia, existente desde as décadas de 1960 e 1970, que lesa o DNA da célula tumoral, e comenta sobre alguns avanços mais recentes da ciência e medicina, como o surgimento da imunoterapia, em que o freio do sistema imunológico é reduzido, mantendo-o ativado para combater a célula tumoral em vários pontos, ou a terapia gênica CAR-T, que faz um linfócito T da própria pessoa reconhecer e atacar a célula tumoral. “Esse tipo de tratamento ainda está começando, mas ele nos dá algumas esperanças; no entanto, depende do tipo de tumor, do estado em que ele está e do que ele pode fazer. Mas a imunoterapia já é uma realidade, para alguns tumores ela tem funcionado bastante bem”, finaliza.


jornal da usp

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