23/07/2018
Viver mil vidas numa só vida

A dança prazerosa da vida não é para o bailar de qualquer um. O salão de baile está repleto de pessoas em busca de distrações e emoções. Meu pensamento acompanha meu olhar ao vislumbrar quem são os que estão presentes no baile. Algumas pessoas conheço-as de outros bailes, mas, todas as restantes me são desconhecidas. E a orquestra que já havia apresentado outros ritmos para se dançar como bolero, samba, mambo... Agora começou com um tango. Que ótimo! Era tudo o que eu e ela queríamos. Bebericamos o resto de um “Martini” e até mostrei a ela a marca do batom de seus lábios no copo e ela sorriu. E sorrindo fomos dançar. Muito espaço no salão, poucos casais se aventuraram a dançar.

Eu e ela, com os nossos passos harmonizados ao ritmo do tango e com o nosso dançar sensual provocamos a admiração em quem nos está nos assistindo. Ela é muito bonita, trajando um vestido com decote e aberto da cintura para baixo. Nas nossas reviravoltas melódicas suas lindas pernas se exibem. Tudo está parecendo um sonho. O tango é apaixonante. Ela e eu parecemos estar muito apaixonados. Dançando várias vezes nos beijamos como se estivéssemos a sós nestes momentos em que o destino emocionalmente nos aproximou e que serão inesquecíveis. A música, ela, o tempo que... Alguém me chamou pelo nome... Outra vez me chamam...

Abri os olhos e me vi na grande sala de espera do Hospital Dante Pazzanese de São Paulo. Quem me chamou foi a cardiologista para a minha consulta com ela (risos). Eu estive sonhando acordado estando sentado entre várias pessoas que também estavam aguardando serem chamadas. (Que pena que o meu sonho foi interrompido, pois, eu ainda ia ser bem “recompensado” depois de ter dançado tango com ela). No hospital, como sempre é preciso esperar para ser atendido, eu resolvi esquecer donde estava para por em pratica a minha imaginação.

Com isso o tempo iria passar sem eu perceber e sendo assim não iria me aborrecer. Quem já ouviu dizer “viva mil vidas numa só vida”? Isso é para quem se utiliza da imaginação para mentalmente ser quem quiser ser, como se fosse um artista de cinema, que, num filme ele é o mocinho, noutro filme ele é um bandido, depois ele é um piloto de avião de guerra, doutra vez ele é um comandante de um submarino e etc. Imaginar é bom, mas, essa divagação mental pode ser considerada loucura por quem venha, a saber, dessa fuga momentânea da realidade (risos). Entretanto, eu que não aprendi dançar ao ritmo do tango, até que me vi dançando-o tão bem. E “ela” então, que criatura maravilhosa e eu a tive nos meus braços mesmo que de mentirinha (risos).

https://www.youtube.com/watch?v=RAsCAkeN2Wo

Altino Olympio

 



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