18/01/2017
À deriva (?)

Quando sente que seu corpo se transformou em uma máquina chinfrim!

Quando acordar é continuar um compromisso de estar vivo por sobreviver!
Quando seus pensamentos são compulsivos ou recheados de preocupações insolúveis, já por um cérebro cansado e um emocional capenguento!
Quando o espelho de seu banheiro, aquele que apenas reflete seu rosto, serve para uma olhadela rápida e forasteira!
Quando seus sonhos foram engavetados em caixotes de madeira podre e estas virarão pó de recordação!
Quando suas vontades se limitam a terminar seu dia num falsete de dormir mesmo antes do sol dar seu primeiro brilho no céu azul!
Quando andar é pesaroso porque suas pernas sabotam sua pressa!
Então, meu amor: Pare tudo mas pare mesmo.
Você sabe que está tudo erradíssimo, não é?
Bom se não sabia, agora sabe, sua vida esta um perrengue.
Vive em ofício de mortos!
Onde esta aquela pessoa que sorria e gargalhava com uma boneca ou um carrinho de rolimã?
Onde está a alegría das festas de aniversário devorando brigadeiros com os amigos antes do “Parabéns”, escondidos embaixo da mesa do bolo?
Seguramente contestará, “ mas aquela pessoa era uma criança inocente (ou quase), não sabia nada da vida. Não tinha preocupações, contas a pagar, família para cuidar, chefe.
Bom aí vem a ladainha: “Sinto-me desestimulada com tantas coisas a pensar e sem solução, estou cansado (o) de arrumar uma parte de minha vida e logo um caminhão de pedras cortantes ser despejado em outra, minha saúde se esvai com a falta de tempo para mim”.
Isto é uma escabiose crónica!
E, então, chega a pergunta: quanto tempo se dedicou estes anos a regar seus sonhos, mesmo os que julgava impossíveis?
Quanto tempo dispendeu com uma leitura agradável para fomentar seu cérebro com novas idéias e acalmar seu coração rasurado?
Quantas vezes se parou diante do espelho e analisou cada traço divino de seu rosto como único e perfeito?
Você se amou? Se respeitou? Pediu ajuda a suas crenças para ter forças de seguir sua jornada sem esquecer-se que o ser mais importante deste mundo é você mesmo?
Aquele projeto de anos? O que fez com ele?
A viagem tão desejada?
A casa arrumada com seu toque de “lar”?
Pois bem, e o que isto tudo tem a ver com o escrito acima?
Tudo meu querido!
Em um fatídico momento literalmente caímos nas nossas próprias armadilhas. Deitamos no convés do barco pirata, ainda imberbes demasiados e deixamos a deriva nossa vida.
Ah, sim! Sei que faz seu melhor! Mas para quem? Não para você! Para seu ego? Consciência tranquila?
Afinal deixou de acreditar nas ilusões que são os ganchos de sustentação para suportar com uma risada as agruras do dia a dia.
Não plantar sementes de esperança, boas vibrações dentro de nosso cérebro, coração e alma tem um preço muito caro! Um preço que pagamos a prestações e suga gradativamente a vontade de viver em seu conceito âmago”.
E assim, a trajetória segue, porque sempre segue e a falta de atenção ao seu rosto verdadeiro, ao seu corpo verdadeiro, ao seu eu verdadeiro é uma viagem cinzenta que arranca a golpes de chicote tudo que nos pode fazer mais plenos e menos vazios.
É hora de ser Narciso, amar-se intensamente, beijar seu próprio corpo, acarinhar seus braços, seu rosto, olhar-se verdadeiramente, sem máscaras e com todas as cicatrizes que traz e, ainda assim dizer: “Esta pessoa sou eu, ninguém compreenderá meu melhor porque não devem entender, afinal eu me entendo, eu me aceito e assumo que sem mim por inteiro nesta relação, não posso seguir! “
Solta este trambolho e aprecia suas costas leves!
Por melhor que sejam suas intenções, por mais apreciável que seja sua benevolência ao próximo, valorável sua humanidade:  uma vida detonada, sem você, é um barco a deriva, contornando tempestades, ondas grandes, pequenas, icebergs e ainda que com momentos de suposta tranquilidade, estará à deriva, sem um capitão apaixonado e com vontade de viajar por um mundo particular.
Levante se deste convés gelado, mova-se em alguma direção escolhida por sua vontade, emancipe-se de suas amarras, saia deste estado de embarafustar-se.
Este estado de isquemia vital é uma mortificação sem fim e precedentes.
Deixe de sustentar sua essência a míngua porque a miserabilidade é um ato perverso de autopunição nada miraculoso.
Faça seu milagre, com um simplório ato: apaixone-se mas apaixone-se por você!  


Daniele de Cássia Rotundo     



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