21/01/2020
Coisas da vida

Nessa época tão atribulada até as nossas saudades do passado ficam sem tempo para nos visitar e nos trazer melancolia. A vida é tão cheia de distrações, mas, quando alguma aflição possa estar acontecendo às distrações se afastam para que muitos se lembrem de Deus e apelam para que Ele os livre das aflições.

Aquele vazio existencial afeta mais quem vive só pra si sem ter permitido que alguém pudesse ter se aproximado para lhe fazer companhia. Já estive procurando no meu pensamento por pessoas que me foram queridas e hoje estão esquecidas e fiquei imaginando-as não me sendo mais nada apesar de me terem sido tudo quando por algum tempo ou por alguns momentos tive o carinho delas quando bem me relacionei com elas.

Agora que se passou tanto tempo às vezes me lembro de quando eu era menino no lugar donde nasci e como eu gostava das meninas de lá e mesmo sendo menino ainda gostei demais de algumas delas e elas nunca souberam que eu nas noites antes de adormecer pela imaginação eu as acariciava. Na data do aniversário do casamento a memória faz recordar quase tudo o que aconteceu naquele dia misturado com emoção e alegria naquela juventude aprisionada pelo amor com que duas criaturas se uniam para formar uma família até o fim dos seus dias.

E antes do casamento houve outros namoros que até terminaram em choro por não terem dado certo e isso faz parte do jogo amoroso da vida que a todos convida para participar, mas nem todos têm a mesma sorte. Ainda tenho recordação do meu tempo de criança, do jogo de bola na rua, do empinar papagaio no morro, do rodar pião, do cacho de mamonas que eram boas para atirá-las pelo estilingue enquanto para as meninas brincar de casinha e embalar as bonecas eram as suas brincadeiras prediletas e agora tudo é história e não há esperança de voltar a ser criança (risos).

Quando eu era jovem os bailes me encantavam por causa das moças bonitas que frequentavam e dançando com elas mais permanecia calado para sentir toda a emoção de dançar de rosto colado como se estivesse amando e sendo amado numa dança de apaixonados. Mas o tempo passa e faz com que a vida de adulto fique sem graça porque tudo do passado que lhe foi muito bom hoje o adulto diz que tudo foi ilusão e que aquele viver de diversão tendo suas paixões foram de ingenuidade provocada pela pouca idade.

Até parece que se têm duas vidas vivendo numa só vida, a de quando acordado se estando consciente e a de quando dormindo se estando inconsciente e nessa dualidade de se sentir, de dia o viver se depara com o mundo objetivo que existe igual para todos e de noite se depara com o mundo dos sonhos que sem controle surgem como querem e são pertencentes ao viver individual de cada um. Na juventude era quando se sonhava acordado para ter um grande amor e quase sempre o sonho se realizava sem desconfiar que o amor fosse uma armadilha que prendia um ser ao outro os levando a se casar e a copular que resultava no nascer de filhos quando a natureza sorria, pois era tudo o que ela queria para a reprodução e continuidade da espécie e os amantes perdiam a liberdade que tiveram antes assim disse o Arthur Schopenhauer.

O segredo é o nome que se dá para as condutas erradas como a do adultério que ninguém pode saber e nisso sempre duas pessoas proibidas de se amarem estão envolvidas e depois de muito tempo ter passado os dois podem se encontrar num lugar público e ao se olharem se lembram daquele “caso” e na troca de sorrisos escondidos ambos pensam até com alegria que seus segredos nunca foram revelados e eles não foram prejudicados.

Fingir é aquela arte que as pessoas possuem quando fingem que estão distraídas para ninguém notar que estão cobiçando alguém que não pode ser cobiçado por já pertencer a alguém que também está presente e que não pode impedir que uma pessoa se fingindo de distraída até consiga despir a pessoa cobiçada e em pensamento transar com ela (risos). Antigamente se falava que quando duas pessoas se encontravam e depois se casavam foi porque o destino quis e quando a união era incerta e havia separação isso o destino quis também? Falava-se também da sorte de se encontrar uma “alma gêmea” para se ter um casamento incestuoso (risos).

Quando muito se ama se pensa que “o muito que se ama” vai ser para sempre sem lembrar que o amor enfraquece enquanto a família cresce e aquela fúria do amor do começo esmorece diante da rotina da vida que aborrece não dando tempo para os abraços e para os beijos que antes eram apaixonados e o tempo danado existe para envelhecer o casal que foi jovem e que agora não se abraça e nem se beija em qualquer hora como acontecia outrora de quando a beleza era mais atrativa e mais convidativa para as carícias que com o envelhecer carícias tendem a enfraquecer.

Que falar dos velhos que não se sentem velhos porque como se ainda fossem jovens se fascinam com a beleza e a energia das jovens que lhes torturam porque só desejá-las e possuí-las pelo pensamento. No pequeno lugar donde nasci e cresci conheci todos os que lá viveram e todos os que morreram e hoje quando penso neles parece que eles não viveram e nem existiram isso porque eles se mudaram para o país do esquecimento local este estratégico para abrigar desaparecidos.

E naquele lugar particular que hoje se lembrando dele parece que ele foi uma lenda que no seu lugar mais alto tinha entre eucaliptos uma igrejinha bonitinha com um páteo cimentado defronte a entrada dela e era de donde se avistava abaixo a fábrica de papel que exercia o papel de prover o povo local com as suas benfeitorias de sobrevivência e a igrejinha era a conveniência para a convivência que eu via quando criança lá pra cima ás vezes eu ia assistir a missa que eu ainda não entendia e eu que olhava para todos que lá estavam e parecia que nenhum deles me via e quase todos já morreram e hoje são raros o que ainda permaneceram e será que os que morreram será que foram para o céu de lá da fabrica de papel? .

Às vezes quando “olho” para o passado eu sinto saudades daquele menino inexperiente que fui e que já tinha os seus momentos de fuga e era para ficar sozinho na beira do rio vendo o passar das águas enfeitadas pelas borbulhas que vindas da profundidade e em redemoinho se estouravam na superfície na correnteza do rio que me provocava pensamentos sobre a vida e sobre a minha relação com o mundo tão grande e ainda tão misterioso para o entender de um menino que se sentia feliz na beira do rio vendo o passar das águas que tantos pensamentos provocavam.

Todos vivem suas vidas sempre nas suas ocupações sejam diversões sejam distrações seja na busca do realizar de suas ambições seja o se envolver com as ilusões nunca se lembrando de suas mortes que podem ocorrer e diante de tantas ocupações responsabilidades e preocupações tudo “parece” contribuir para não se lembrar de que tudo tem um fim e isso ninguém quer e o que querem é o quanto mais tempo se viver é melhor e isso tem consequências que aborrecem os bem velhos que ficam como que perdidos na vida sentindo-se muito sós por já terem perdido os seus familiares os parentes e os amigos e tudo o mais perde a graça para se participar restando-lhes só o ficar quieto se alimentar e dormir porque até de conversar eles perdem o interesse e tal desinteresse também se percebe nos mais jovens que evitam de conversar com velhos como se eles fossem sem importância para qualquer diálogo e muitas vezes os bem velhos percebem que são desprezados e diante do enfraquecimento de suas capacidades corporais pergunta-se se vale a pena “o quanto mais tempo se viver é melhor” mesmo no desgaste com que vivem os bem mais velhos?.

Deste dia de hoje até quando os “hojes” continuarem existindo sem mim ainda desejo ter muitos momentos de intuição para suprir a curiosidade de minha consciência que não quer deixar de se expandir para poder me incluir nas novidades importantes que ela possa adquirir para que eu deixe de me sentir sozinho nesse caminho do meu viver solitário. Como é bom conviver com os próprios pensamentos para afastar os que não são nossos enquanto os nossos pensamentos sem pensar até paralisam os nossos olhos tornando-nos absortos e nos colocando assim numa situação meditativa do nada querer ser e do nada querer ter estado este da maior tranquilidade que nos pode existir nesta época em que os dias passam tão depressa como se eles quisessem chegar logo até a eternidade. Nunca estive num deserto porque nenhum existe por perto e aquele famoso do Saara que só vi no cinema eu gostaria de me ver nele para sentir de dia aquele silêncio sob o sol abrasador e naquele só areia ver e não tendo nada pra fazer qualquer pensamento fica a desaparecer naquele nada pra se ver que faz qualquer um se perder antes do escurecer da noite que por não ter poluição fica nítida a visão da imensidão convidativa que é para a reflexão sobre o infinito todo misterioso para os seres humanos que são finitos.

Ninguém ainda descobriu se existe ou não algum propósito para a vida e na dúvida qualquer pessoa pode criar o seu desconsiderando aqueles que dizem que tudo é ilusão excluindo o simples ato de viver que supera toda a teoria de como se deve viver. Alguém escreveu que “a solidão é a falta de si mesmo”. Isso é muito filosófico e trás à baila o erro de sempre se viver receptivo com o que provém dos outros em detrimento ao que possa provir de si mesmo. O não se ser como se é e ser como são os outros, isso é pior do que a solidão. Quem ler estes escritos poderá se lembrar do seu passado se ele foi bom ou se nada de bom tem pra ser lembrado.

Altino Olimpio



Leia outras matérias desta seção
 » Coisas da vida
 » A raça preferida
 » Detector de mentiras mundial
 » Espetáculo inesquecível
 » Os bons princípios dos velhos anos novos
 » O Marcolino
 » Que tal o Natal de agora?
 » Nenhuma praça havia
 » Somos o que pensamos?
 » Se não fosse os outros...
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube

Voltar