18/06/2018
Chegando ao começo do fim da vida

Mas é quando a vida dá sinais de que logo vai chegar a hora de nos abandonar é que as reflexões sobre ela são mais constantes. Parece que ninguém gosta de discorrer sobre esse assunto. Discorrer sobre ele desagrada muita gente. Mas, desagrade ou não, tal assunto é revelador, é comprovador das condições tão indesejáveis e até insuportáveis para alguns que não se conformam com suas deformações fisiológicas provocadas pela velhice. Na idade cada vez mais avançada, tudo cai. Caem os cabelos, caem os dentes, cai à visão, cai à audição, tudo fica sendo num decair. No homem sua masculinidade cai num desuso humilhante (risos). Na idade avançada parece que sempre tem uma coisinha para irritar, para perturbar a paz e o sossego da vida. Sossego... Será que isso ainda existe (risos).

Muitos não escapam dos desconfortos provocados por enfermidades: Diabetes, reumatismo, hipertensão, acidente vascular cerebral, infarto, Mal de Parkinson, Alzheimer e etc. Por sorte, existem aqueles e aquelas com muita idade que ainda não tiveram que se preocupar com enfermidades, mas, o tempo que é traiçoeiro e inimigo das vaidades, ele os desfigura tanto, deixando-os incapazes de causarem admiração. Surgem às rugas, a barriga cresce e a cintura desaparece. Para aqueles que nasceram, viveram e ainda vivem num lugar pequeno e conheceram quase todos do lugar, eles sempre se confrontam com os comentários maldosos sobre a beleza ou feiúra dos outros do mesmo lugar: “Nossa, você viu como está feia e acabada aquela pessoa? Como envelheceu, não? Era tão bonita e agora...”

Tem pessoas que envelheceram e não mais são vistas nos entretenimentos que a sociedade local promove. Não é porque chegaram à conclusão que tudo e ilusão. Não mais comparecem em eventos porque, já velhos, se “cansaram” de participarem das suas anteriores ilusões. Várias vezes já ouvi dizer que tudo perdeu a graça. Pensando bem... Parece que só os jovens acham graça em tudo o que já é sem graça para os mais velhos. Parece que com o tempo a passar a vida se torna enfadonha, principalmente para aqueles que se aposentam e se sentem vazios sem as rotinas de suas atividades profissionais anteriores às suas aposentadorias.

Como é triste alguém com os cabelos brancos, com o rosto e o corpo denotando o tanto tempo já passado pela vida, estando num evento qualquer apenas a ver outros conversarem indiferentes com a presença dele.

Parece que os mais jovens pensam que os velhos já são ultrapassados e por isso não lhes dão a atenção que mereciam. Às vezes eles têm razão de procederem assim porque muitos daqueles de cabelos brancos “pararam no tempo”. Quando se é criança se quer viver e quando se chega à velhice percebe-se que se viveu “mais no viver por viver” sem se preocupar em saber se havia alguma preponderância para se evoluir intelectual, cultural e espiritualmente. Ler, escrever, pensar, raciocinar, se concentrar, refletir, meditar, isso tudo sendo ausência na vida de muita gente fez com que elas se mantivessem bem simples, despreparadas diante da monotonia e a solidão da velhice que possam provocar a temida depressão.

Muitas pessoas idosas nas suas simples rotinas diárias, mensais e anuais, naquele nada mudam daquele mais nada se quer e nada se faz, naquele só estão deixando a vida a passar, parecem mesmo que elas só estão a aguardar a morte chegar (risos). Parecem que estão na mesma situação daquele escritor, o Franz Kafka (1883-1924) que disse: “Dormi, acordei, dormi, acordei, vida miserável” (risos). Mas, existem aqueles que se defendem bem da monotonia e da solidão. Eles, diariamente e por horas assistem televisão... Credo, que horror! Enfim, o ambiente e o hábito têm o poder de nos escravizar. Quanto à velhice tem quem a enaltece e tem quem com ela se aborrece.

Deixando de lado os predicados da velhice que possam existir, simplesmente ela está a indicar “o logo vai morrer”. Essa sina, fatalidade humana, desde criança se fica sabendo dela. Fica no consciente que a vida é apenas para um prazo de existência. Terminando numa ficção e assim, imaginando um alienígena viajando pelo espaço vindo de outra galáxia, ao chegar aqui e constatar que os terrestres tem um tempo breve de vida ele poderia se perguntar: Nascer para depois ter que morrer, mas, que palhaçada é essa? (risos).

 

Altino Oympio

 

 

 



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