25/09/2012
Situações indesejáveis .

São muitas as situações constrangedoras que temos de enfrentar nesta vida. Lembro - me de algumas, particularmente, engraçadas para quem assiste de camarote e muito desagradáveis para quem as passa.

                O casamento era simples. No almoço, servido aos convidados, macarronada com frango. Para tomar, vinho de garrafão e Tubaína. A festa, um baile numa barraca de lona, armada no terreiro, em frente à casa do noivo. Para animar, um pobre conjunto composto por sanfona, violão e pandeiro.

                  Chovia muito e já chegamos, ao sitio, molhados e enlameados vindos da cidade. A noite prometia e nada nos tirava o ânimo de dançar madrugada afora, afinal, este tipo de acontecimento era muito raro e esperado lá na roça.

                Os recém - casados extravasavam alegria. E assim que chegaram à barraca, foram convidados, pelo sanfoneiro, a dançarem a valsa - como era de costume. A música escolhida e tocada pela chorosa sanfona foi - Saudade de Matão, uma composição, do inesquecível Mario Zan.

                O noivo, já, meio “tchuco” pelo vinho, pouco acima “do nível”, e querendo caprichar nas rodopiadas, acabou perdendo o equilíbrio e estatelando-se no chão. Pior, arrastou a pobre noiva junto. Aos recém, agora, enlameados só restou uma opção - trocarem de roupa enquanto os convidados riam muito sem parar, no entanto, sem interromper o baile.

                Eu mesmo passei por algumas situações desagradáveis. A primeira diz respeito ao exame de fezes, daqueles de antigamente, onde o conteúdo era acondicionado num vidro de Toddy ou em lata de manteiga vazia.

                Eu rezava para a farmácia estar inabitada, quando da entrega do produto para análise laboratorial, mas, isso, quase nunca acontecia. Que vergonha quando o farmacêutico, cínico por sinal, me perguntou em alto e bom som, o que eu desejava, mesmo sabendo o motivo.

                 Faltava-me coragem para lhe dizer: vim trazer as fezes para examinar.  Lá na roça, a gente chamava de m... ou de  b... mesmo. Foi na cidade que inventaram este nome fezes que, para nós, soava afrescalhado. Tenha a santa paciência! Capiau dando uma de fino - destoa!

                - Caprichou no volume heim? Nem precisava tanto! Disse - me o atrevido farmacêutico. Graças a Deus que este maldito exame se modernizou, e a discrição se faz presente.  Às vezes chega no laboratório disfarçado num tupperware. Até a embalagem ganhou status - coletor de amostras! É o nome dado ao potinho com tampa vermelha!

                 Logo após minha vasectomia fui fazer um espermograma, para testar a esterilidade. Esse sim é de lascar amigo!  A atendente, uma moça bonita, me cumprimentou dizendo: - pois não? Em que posso lhe ajudar? - Bem que eu pensei: ah se você, realmente, pudesse me ajudar, tudo seria mais fácil!  - Eu vim fazer um espermograma, senhorita.  Em seguida me trouxe um coletor. Conduziu-me até uma baia com um potinho na mão, onde fiquei isolado e sem ação, tentando me recuperar da falta de ar e da vergonha sentida.

                Notando minha demora, ela sutilmente, me perguntou: - está tudo bem aí, Osvaldo? Apenas respondi: - humm! Vou falar o que, num momento, com meio caminho andado?  Olhei para os lados, procurei uma revista Playboy e nada. Pensei, mas que laboratório sem criatividade! Vou reclamar. Imaginei. Para desistir em seguida.  Fingindo estar cheio de moral e com a missão cumprida, dirigi-me ao balcão.

                 Sem encarar a moça, e com voz firme indaguei-lhe: - quando sai o resultado? - Senhor, se não precisar repeti-lo, em uma semana estará disponível. Pode ser pela internet, se o senhor preferir. O que? Repetir? Nem pensar, capriche na análise, porque aqui não volto mais. - Sabe senhor é que muitas vezes, logo após a vasectomia, acontece do paciente não produzir material suficiente para a análise. - Espero não ser este o meu caso, senhorita!   

                Até hoje não voltei para buscar o exame. A santa internet me salvou. Anos depois, fiz a reversão para ter o terceiro filho. Era prudente fazer novamente o vexatório exame.            Agora, para checar se eu havia recuperado a fertilidade. Como minha esposa engravidou em seguida, nunca quis fazê-lo, e também me neguei a fazer o DNA.  Por quê? Porque minha sogra sempre diz: - este menino é sua cara!        Melhor assim sogrinha! Como se diz: pai é quem cria e não quem faz! Quá, quá, quá, quá! Perco um amigo, mas não a piada!

                E VIVA AS SITUAÇÕES INDESAJÁVEIS!

                osvaldo.piccinin@agroamazonia.com.br


Osvaldo Piccinin

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