20/10/2016
Religiosidade e religião de amor

Assistindo ao filme “Irmã Dulce” (Produção 2014), refleti muito sobre  tão lindos gestos humanitários e de plena consciência cristã. Neste ponto,  concordo com o Papa Francisco: atitudes atestam mais que qualquer ideologia religiosa. Segundo ele, de nada adianta  ficarmos de joelhos, em orações, se não cultivarmos os melhores sentimentos. Para o Pontífice, a religiosidade verdadeira  é aquela praticada pelo exercício diário do perdão, afeto,  humildade, e gratidão. Nisto sim, reside o grande compromisso religioso.

Não quero, porém,  falar sobre dogmas, ritos ou tradições.  Estas questões sempre  geram polêmicas e discussões inúteis. Quero falar desta postura amorosa de Irmã Dulce e  tantas pessoas que só transmitem harmonia por onde passam. Quero falar deste desprendimento que quase santifica algumas  pessoas, pela extrema dedicação aos mais fracos. Quero falar destas pessoas generosíssimas, solidárias, simples e caridosas, que fincam seus objetivos no propósito de, simplesmente,  “fazer o bem sem olhar a quem”.

Quero falar de pessoas com humildade latente, comportamento amistoso, sem farpas na língua  e sem rancores na alma. Quero falar destes seres maravilhosos, sempre de mãos estendidas, dispostos a acolher e  perdoar os deslizes humanos. Pessoas que se enlaçam em abraços e que bordam delicadezas na vida de todos. Pessoas cujos corações são templos emoldurados de luz e cujos olhos só transmitem paz e bondade. Quero falar de gente que não se enraivece nunca. Nem  com a ingratidão alheia, nem com as críticas de quem quer que seja . Quero falar de pessoas  que não crucificam pecadores diários, que compreendem os dramas existenciais e que, extraordinariamente, não colecionam ressentimentos .

Quero falar de pessoas que não apenas rezam o Pai Nosso, mas que o executam , perdoando ofensas  e  quem  as tenham ofendido. Pessoas que se  propõem  a amar sem nada pedir, sem nada cobrar. Pessoas que não idolatram  unicamente seus deuses  de barro, mas que adoram, acima de tudo,  os seres humanos a sua volta,  imperfeitos ou fracos . E os respeitam. E os acolhem. Independente a tudo.  Pessoas que transbordam gentilezas,  expressam uma  religiosidade acima dos credos  e pregam  a mais perfeita religião do universo. A religião do A M O R.
Falar de  Irmã Dulce é falar deste amor. É falar desta cristandade diária, de excelência, nobre, genuína e que dispensa simbologias ou tradições ritualistas.
É claro que  seria  mais fácil falar de uma religião qualquer. Ou até mesmo dos que clamam por seus deuses  em   crenças impostas. Mais fácil ainda é  tatear terços e rosários, ou curvar-se em preces repetitivas, mantendo  velas acesas, solfejando ladainhas litúrgicas e até   sangrando  joelhos  em  promessas e pedidos mundanos. 
Verdadeiramente divino  e emocionante,  é falar de pessoas  como Irmã Dulce. Ser como ela, agir como ela e,  finalmente, reconhecer   a diferença entre religião e religiosidade.
Sugiro então: Assistam ao filme! E entendam  o porquê deste meu texto.

Fatima Chiati



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