19/10/2020
Nada como poder falar e aparecer

 

Não faz muito tempo, qualquer pessoa ao sair de sua casa logo se encontrava com outras. E assim se iniciava uma conversa amigável entre as pessoas que se viam e se nutriam de suas amizades. Hoje quando tais se encontram (se é que ainda se encontram) cada uma está com o seu telefone celular ligado. Até parece que é a praga do século com que todos estão convivendo. Mas, voltando às pessoas super ostensivamente modernizadas, sempre elas tem fotos importantes, inclusive as de familiares, todas sendo super relevantes para serem compartilhadas nos momentos em que se encontram.

Sempre há um vídeo por demais engraçado para ser exibido entre elas. Os maiores filósofos do mundo (se é que ainda existem) pensaram que o aparelho celular fosse mesmo para comunicações rápidas e importantes. Se pensaram se enganaram. A mentalidade infantil, ingênua e inconsciente apoderou-se das mentes sérias, instruídas e evoluídas alimentando-as com as excelentes “culturas banais”. Tal progresso mental esteve a solucionar o problema de quem tanto quer conversar e conversar sem ter o que falar.

Há poucos dias estive na casa de uns amigos e lá todos portavam os seus celulares e não tiravam os olhos deles. Eu estava sem o meu e por isso até me senti inferiorizado. Vez ou outra um deles ou uma delas vinha me mostrar algo que muito os agradaram. E eu para manter aquela hipócrita “política da boa vizinhança” disse: Olha que bacana! Mas por dentro pensei “ah vão tomar... ...”. Que conversa agradável se possa ter onde todos estejam condicionados a essa tecnologia que ampara os desamparados de contatos amistosos verdadeiros e úteis?

Esse aparelhinho celular, segundo fontes confiáveis, parece mesmo ter sido inventado pela sogra do Satanás, que, veio a existir para acabar com a solidão daqueles impossibilitados de poderem viver apenas consigo mesmos. O tédio, a solidão e a melancolia costumam visitar quem vive de carências de amizades, de notoriedade, de companhia e de quem nunca tem o que fazer de útil nesta vida repleta agora de distrações (risos).

Altino Olimpio



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