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09/09/2009
Ações que não recuperaram o valor



22 ações do Ibovespa ainda não recuperaram a cotação do dia anterior à quebra do banco Lehman Brothers – 15 de setembro de 2008

Mariana Segala - AE

Às vésperas do aniversário da intensificação da crise financeira internacional – marcada pelo anúncio da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008 (uma segunda-feira) – 22 papéis que fazem parte do Ibovespa (principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo) não conseguiram até a última sexta-feira (4) recuperar os preços do dia 12 de setembro do ano passado. Outros 11, embora estivessem no positivo, registravam valorização inferior à do Ibovespa, de 8,1%, enquanto os 31 papéis restantes superavam o Ibovespa, de acordo com dados da consultoria Economática.

Na visão dos especialistas do mercado financeiro, é provável que ainda se passe um bom tempo até os papéis que ainda não se recuperaram se reergam – ou, no caso de alguns, talvez isso nem aconteça.

Os dois casos mais dramáticos são os das ações preferenciais série B da Aracruz e das preferenciais da Sadia – os papéis ainda registravam queda, respectivamente, de 57,7% e 48,1%. As duas empresas tiveram problemas financeiros, no ano passado, em decorrência da forte valorização do dólar, num período em que as empresas apostavam na queda da moeda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Em menos de três meses, a partir de setembro do ano passado, a moeda norte-americana saiu de uma cotação na casa do R$ 1,70 e chegou a cerca de R$ 2,50.

“Elas estavam vendidas (apostando na queda). Não quebraram, mas precisaram ter o controle passado para outras empresas, no caso a VCP e a Perdigão”, afirma o economista da WinTrade, home broker da corretora Alpes, José Góes. “Foi um problema vinculado à crise, mas também relativo à inabilidade na administração financeira das companhias.”

“Estas ações não caíram porque caíram”, diz o gestor chefe da gestora Bogari Capital, Flávio Sznajder. “O valor econômico das empresas mudou, elas não valem mais o que valiam. É diferente de um papel que recuou por ter sido muito vendida no mercado.”

Empresas cíclicas

Sznajder destaca ainda que outro grupo de papéis que ainda não conseguiram recuperar os preços do passado é formado pelas ações de empresas cíclicas vinculadas ao setor de matérias-primas (commodities). É o caso de ações como as preferenciais de Gerdau Metalúrgica (queda 18,4% desde 12 de setembro do ano passado), as preferenciais da holding Gerdau (-12,7%), ordinárias (-9,4%) e preferenciais série A (-7,2%) da Vale, além das ordinárias da Petrobras (-0,3%).

“O ciclo nestas empresas é aquele em que quando há oferta grande de produtos os preços caem. A produção, então, se retrai e os preços voltam a subir”, explica o gestor. Neste momento de crise, o consumo do que produzem se retraiu fortemente e sobrou capacidade de ofertar produtos.

A recuperação dos preços das ações destas empresas – fortes exportadoras – é dependente da recuperação econômica mundial, destaca Góes, da WinTrade. “O valor dos seus produtos é vinculado ao comportamento exógeno dos preços e suas receitas vêm das vendas para fora”, afirma. Na opinião do economista, como estão fortemente correlacionadas com a expansão da economia internacional, as ações destas empresas tendem a demorar para retomar os preços de antigamente. “Há sinais de melhora da economia, mas é cedo para dizer que o problema acabou.”
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Ao passo que empresas voltadas para o mercado externo ainda penam para recuperar os preços do passado, as companhias voltadas para o mercado de consumo interno são as que conseguiram trazer suas cotações para os patamares antigos. As construtoras e incorporadoras, por exemplo, registram valorizações entre 16% e 38% desde 12 de setembro passado. Os bancos brasileiros também estão em alta, assim como algumas empresas do ramo de varejo, como Pão de Açúcar (35,9%) e Natura (76,6%).

Os analistas lembram, no entanto, que nem toda ação cujo preço ainda está desvalorizado ante setembro de 2008 é bom negócio, para o investidor. “Os papéis da Aracruz e da Sadia, por exemplo, depois de tudo o que aconteceu, dificilmente voltarão aos preços pré-crise”, afirma Góes. “O preço tem a ver com a realidade de cada setor e de cada empresa. O fato de não subir tem motivos que o mercado identifica.”

Agencia Estado

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