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19/06/2013
Fundos de Previdência: futuro em risco ?

Futuro em risco
Cerca de 12 milhões de brasileiros têm planos de previdência, mas quase ninguém nota que o retorno de muitos deles tem decepcionado. Um quarto dos planos perdeu da inflação em cinco anos. O que fazer para salvar a aposentadoria?

Maria Luíza Filgueiras, de inShare 
Marcelo Correa/EXAME.com

Fabi, da seleção de vôlei, Gamaliel e Bonel: três estratégias para se planejar para a aposentadoria.
São Paulo - Os brasileiros, em geral, não são grandes investidores, para dizer o mínimo. Diversas pesquisas mostram que a maioria se preocupa com o futuro, mas não a ponto de guardar dinheiro de forma organizada para ter alguma tranquilidade financeira em 20 ou 30 anos. O carioca Rodrigo Bonel é uma exceção. Dono de uma loja de roupas infantis, ele diz aplicar, todos os meses, 15% do que recebe num plano de previdência. Faz isso há cinco anos, desde os 29 — e o objetivo é parar de trabalhar aos 65.
O problema é que Bonel não sabe se está fazendo um bom investimento. Ele até junta um bom dinheiro, mas, hoje, não tem ideia se essa reserva será suficiente para permitir que ele passe a viver dos rendimentos de suas aplicações no futuro. Perguntado pela reportagem sobre qual é o retorno de seu plano de previdência, o empresário não soube responder. Também não sabe qual é o valor das taxas cobradas pelo plano. E ele tem rendido mais do que a inflação?  “Assim, de bate-pronto, não sei dizer.”

Como fizeram milhões de investidores nos últimos anos, Bonel aplicou num plano de previdência achando que essa era a melhor opção para guardar dinheiro por um prazo longo. Essas aplicações oferecem vantagens fiscais para quem mantém seus recursos ali por vários anos: é possível pagar apenas 10% de imposto de renda, a menor alíquota do mercado financeiro.
Além disso, o imposto só é cobrado no saque, e não ao longo do investimento, como ocorre nos fundos. Para quem planeja aplicar, ao todo,  por quase 40 anos, como Bonel, um plano de previdência pode ser até 25% mais rentável que um fundo tradicional. De olho nesse potencial, cada vez mais gente coloca dinheiro nesses planos. Hoje, há 12 milhões de investidores. O patrimônio, de 348 bilhões de reais, aumentou 140% desde 2008.
Só que essas vantagens apenas se tornam palpáveis para os investidores se os planos de previdência tiverem desempenho semelhante ao dos fundos de renda fixa — e o problema é que, em geral, não é isso o que acontece. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita, a pedido de EXAME, pela consultoria NetQuant, especializada em análise de investimentos. Na média, os planos cobram taxas mais elevadas para gerir o dinheiro dos investidores e rendem menos do que títulos públicos de renda fixa, por exemplo.
Nos últimos cinco anos, enquanto os papéis do governo atrelados à inflação renderam 125%, os planos de previdência de renda fixa tiveram rentabilidade de 54% e os planos de previdência multimercados, de 50%. Ainda de acordo com o levantamento, que analisou 536 planos, um quarto deles perdeu da inflação no período.
Alto custo
O grande problema dos planos, segundo especialistas, são as taxas. Em média, os planos de previdência que investem em renda fixa cobram 1,6% ao ano sobre o patrimônio aplicado, o triplo dos fundos de mesmo perfil; os  planos de previdência multimercados também cobram 1,6%, 78% mais do que os fundos da mesma categoria. No Reino Unido, 1% é o teto para a previdência. Fora isso, alguns planos brasileiros descontam de cada nova aplicação uma “taxa de carregamento”, que fica entre 1% e 4% do valor investido — fundos normais não cobram isso.
No passado, havia ainda uma taxa de saída, que ficava ao redor de 2% e era cobrada sempre que o cotista tirava dinheiro do plano (quase todos os gestores aboliram a cobrança nos últimos anos ou mantiveram a taxa apenas para quem saca em poucos meses). “É o investimento que mais cobra do investidor”, diz o advogado Roberto Mohamed, especializado em previdência.
Por quê? A principal explicação tem a ver com o momento em que os planos de previdência mais populares do mercado, os PGBLs e os VGBLs, surgiram. Em 1998, o governo aceitou a sugestão das instituições financeiras e permitiu que fossem criados investimentos de longo prazo com benefícios fiscais, como nos Estados Unidos. Assim surgiu o PGBL, cujas aplicações podem ser descontadas do valor que os investidores têm a pagar na declaração anual de imposto de renda. Quatro anos depois, foram criados os VGBLs, voltados para quem não faz essa dedução na declaração anual.
Nessa época, os juros estavam em quase 30% ao ano — e mesmo os planos que cobravam taxa de administração de 4% ao ano, fora as taxas de carregamento e de saída, rendiam bem mais do que a inflação. Para atrair mais investidores, diversos gestores lançaram planos com aplicação mínima baixíssima — a Brasilprev, empresa de previdência do Banco do Brasil, tem um cujo investimento inicial é de apenas 25 reais.
“Nesses casos, a taxa precisa ser alta para remunerar minimamente os profissionais e arcar com os custos  do plano”, diz Osvaldo do Nascimento, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e um dos idealizadores do modelo dos PGBLs e VGBLs. “Quem aplica 50 reais por mês com uma taxa de administração de 2% e uma de carregamento de mais 2% paga 24 reais para o gestor por ano. Isso mal cobre os custos do envio de documentos a ele, como extratos.”
Faz sentido para os bancos e gestores, mas não para os investidores — especialmente com os juros em 7,5% ao ano. Os especialistas recomendam que, em vez de colocar dinheiro em planos com aplicação mínima baixa e taxas elevadas, os investidores juntem recursos na caderneta de poupança ou em títulos públicos para conseguir um valor inicial maior e taxas menores.

Uma pesquisa da Brasilprev, uma das maiores do mercado, mostra que os poupadores destinam 277 reais por mês, em média, para planos de previdência. Em geral, planos com aplicação mínima inferior a 300 reais cobram taxas de administração de 3% ao ano, fora o carregamento. Quando o valor chega a 20 000 reais, a taxa cai para cerca de 2%, sem carregamento.
Outra opção para quem está num plano que vem rendendo menos que a inflação é trocá-lo. É possível fazer isso sem pagar imposto — e, há cinco anos, transferir dinheiro de um plano de previdência para outro ficou menos burocrático graças a uma nova exigência da Susep, entidade que regula esse mercado. O prazo máximo para a transferência (ou portabilidade, termo que os gestores de plano costumam usar) é de dez dias úteis.As exceções
A estratégia de investimento dos gestores dos planos, claro, também faz diferença na rentabilidade. O levantamento da NetQuant mostra que, ainda que o rendimento médio dos planos tenha sido ruim nos últimos cinco anos, os melhores gestores entregaram retornos de até 124% aos investidores — muito acima da inflação, que foi de 32% no período, e dos juros médios de mercado, de 64%. O plano mais rentável foi o Icatu Seg IPCA, da gestora carioca Icatu, que aplica em títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação. “Alguns papéis do fundo vencem apenas em 2050. É uma estratégia que faz sentido para quem pensa no longo prazo, porque a volatilidade desses títulos é maior, mas o retorno também”, diz Bernardo Schneider, gestor da Icatu.
Como melhorar o desempenho dos planos de previdência? Hoje, os fundos multimercado são maioria no mercado de previdência privada. Esses planos podem aplicar, no máximo, 49% do patrimônio em ações — e nada fora do país. O restante fica na renda fixa. As gestoras têm pedido mais flexibilidade à Susep para aplicar uma parcela maior em renda variável e também no exterior. Outra mudança que está sendo discutida é a criação de um plano que daria isenção fiscal a quem usasse o dinheiro da aposentadoria para cobrir gastos com saúde.
Uma pesquisa da consultoria Accenture mostra que uma das principais preocupações dos brasileiros é com a situação financeira na velhice. É o caso do engenheiro Gustavo Gamaliel, que tem 30 anos e pretende se aposentar aos 65. “Trato a aplicação na previdência como uma dívida no cartão de crédito: tenho de pagar, senão vai ficar mais caro”, diz ele.
Para calcular quanto vai receber na aposentadoria, o investidor precisa considerar rendimento, taxas e impostos — e refazer a conta, no mínimo, uma vez por ano, para ver se está na trilha  certa. “Por mais que você se planeje, as condições de mercado mudam — os juros podem cair mais rapidamente do que o esperado, por exemplo, como ocorreu nos últimos meses. Aí, pode ser preciso aumentar o total de recursos guardados ou adiar a aposentadoria”, diz  Lauro de Araújo, que sempre trabalhou no mercado de previdência — foi diretor da consultoria Mercer e do banco J.P.
Morgan e, hoje, é consultor da Luz Engenharia — e diz refazer os cálculos a cada três meses. O banco Itaú costuma dizer a seus clientes para seguir uma regra curiosa, chamada de “1369”. Basicamente, ela diz o seguinte: quem tem 35 anos precisa ter o equivalente a um ano de salário guardado para a aposentadoria. Aos 45 anos, três anos de salário; e seis e nove anos de salário para quando tiver 55 e 65 anos, respectivamente.
Dessa forma, se mantiver o ritmo de poupança, conseguirá parar de trabalhar com uma renda mensal correspondente a 70% do último salário, que, segundo os especialistas, costuma ser suficiente para fazer frente aos gastos na velhice.  “É uma simplificação, mas ela serve para mostrar, de forma geral, se um investidor está precisando poupar mais ou se está confortável”, diz Cláudio Sanches, diretor de previdência do Itaú. Essa conta, claro, parte da premissa de que o investidor tem recursos aplicados num produto financeiro que renda mais do que a inflação. Caso contrário, o risco de faltar dinheiro lá na frente é grande — justamente num momento em que haverá menos tempo para corrigir a rota.
Com o recente ciclo de queda dos juros e o menor rendimento de diversas aplicações financeiras, os planos de previdência privada também já não estão mais rendendo como antes e seus custos passaram a pesar mais na conta. E como muitas pessoas apostam todas as fichas da aposentadoria no plano de previdência, é preciso avaliar com muito cuidado se ele ainda é vantajoso ou não.

Em reportagem publicada recentemente, EXAME.com mostrou quando vale a pena sair do seu plano de previdência. Para quem está convencido de que é hora de abandoná-lo de fato, as opções são investir por conta própria ou fazer a portabilidade do plano.

A primeira alternativa pode ser interessante para quem consegue realmente se dedicar aos investimentos, já que o investidor se livra para sempre de alguns custos que teria dentro dos planos. Mas, continuar investindo um plano de previdência, migrando para um produto com menores taxas é a melhor opção em muitos casos porque o investidor evita a alta tributação que incide ao resgatar o valor investido.
Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), no primeiro trimestre de 2013, o volume financeiro de portabilidade movimentado em planos de previdência aberta complementar foi de 297,5 milhões de reais, um crescimento de 70% em relação ao mesmo período do ano passado.
O dado mostra que a migração tem sido um recurso muito usado pelos investidores que têm sido penalizados pelos altos custos de suas seguradoras. Mas, antes de mudar de plano é preciso entender como o procedimento funciona e como fazê-lo da melhor forma.
Regras da portabilidade
Qualquer investidor pode migrar seus recursos de um plano de previdência para outro, desde que a mudança seja feita entre produtos da mesma modalidade. Quem estiver em um o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) não pode passar para um plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e vice-versa.
Só pode ser feito um pedido de portabilidade dentro de um intervalo de 60 dias. E a efetivação da portabilidade deve ser feita em até cinco dias, contados a partir do dia em que o cliente solicitou a migração à seguradora, informando o plano de destino, o nome da instituição e o valor a ser transferido.
Renato Roizenblit, gestor de Wealth Management da SLW, afirma que se a seguradora não fizer a portabilidade no prazo de cinco dias são aplicadas multas diárias pelo atraso, mas como elas são muito baixas, as instituições costumam não cumprir este prazo. “Quanto maior o volume de investimento, mais difícil é o cumprimento do prazo porque o banco ganha mais mantendo o produto do que perde ao pagar a multa. Eu já vi casos em que a portabilidade demorou até três meses”, diz.

Vantagens da portabilidade
A possibilidade de trocar seu plano por um mais barato sem arcar com custos na hora do resgate é a maior vantagem da portabilidade. As despesas aplicadas na saída de um plano podem ser muito altas e variam de acordo com: a tabela de tributação do plano, regressiva ou progressiva; a modalidade do plano, PGBL ou VGBL; o tempo de investimento; e o montante aplicado.
Se a tabela de imposto do plano for progressiva – cuja tributação aumenta quanto maior o valor investido -, a mordida do leão pode chegar a ser de até 27,5% sobre o valor total investido (se o plano for PGBL), para resgates de valores maiores do que 51.259,08 reais. Se a tabela do plano for regressiva, quanto menor for o tempo em que o dinheiro foi investido, maior a tributação. Nesse caso, o imposto de renda pode chegar a ser de 35% sobre o valor total (para planos PGBL), caso o resgate seja feito em menos de dois anos.
Se o plano for um VGBL, a regra da tributação é praticamente a mesma, com a diferença de que o imposto de renda incide sobre o rendimento, não sobre o valor total investido.
Quando o investidor decide realizar a portabilidade é como se ele continuasse no mesmo plano, portanto, não há nenhuma tributação decorrente do resgate do dinheiro. “Fazer o resgate fiscalmente poder ser bastante prejudicial, por isso é preciso fazer contas para ver o que compensa mais. Mas, na maioria dos casos não é vantajoso fazer o resgate”, diz Renato Roizenblit, gestor de Wealth Management da SLW.
ernando Meibak, sócio da consultoria Moneyplan, acredita que a melhor maneira de investir para a aposentadoria atualmente é fora de um plano de previdência, com aplicações nos títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação, as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B). Mas, ele concorda que para os investidores que já investem em planos de previdência, a portabilidade pode ser a melhor saída.

“Se o investidor entrou em uma tabela de imposto regressivo e está no segundo ano do plano, ele não deve sair porque o impacto tributário pode ser muito grande. Nesse caso, o melhor caminho é migrar para outro plano e esperar mais oito anos para chegar na faixa de 10% de imposto de renda”, diz Meibak.
Em um plano com a tabela regressiva, os valores investidos há mais de 10 anos são tributados à alíquota de 10% no resgate, o menor desconto de imposto de renda possível.
A portabilidade também é muito interessante para aquele investidor que não está satisfeito com o seu plano, mas que não quer abrir mão da facilidade de ter um gestor cuidando de suas aplicações. É muito importante levar isso em consideração, já que fora de um plano, o investidor precisará se dedicar mais a estudar os investimentos e precisará de mais disciplina para manter os aportes regulares.
Como escolher o novo plano
O gestor da SLW orienta que o primeiro passo a seguir depois que o investidor decide trocar de plano é comparar produtos com o mesmo tipo de risco. “É preciso comparar banana com banana. Se o plano é um VGBL com 100% de renda fixa, é preciso comparar com outros VGBLs 100% de renda fixa para que ele corra os mesmos tipos riscos no novo produto”, afirma.
Os fundos de previdência possuem diferentes estratégias de investimento. Existem fundos que investem apenas em títulos públicos, aqueles que aplicam em renda fixa pública e privada e os que admitem renda variável (ações, câmbio, juros etc.). Entre estes, há os que aplicam até 15% do patrimônio em renda variável, de 15% a 30%, acima de 30%, os multimercados e os fundos de ações – que aplicam ao menos 67% do patrimônio em renda variável.
Ao selecionar planos com a mesma estratégia, o próximo critério a ser avaliado são os custos e a eficiência da gestão. Em planos de renda fixa, conforme Fernando Meibak defende, os ativos são muito parecidos, portanto os custos, e não a gestão, serão o principal fator de desempate. “Em planos de renda fixa a rentabilidade das carteiras é mais ou menos a mesma, então não há muita diferença na gestão”.
Os principais custos dos planos são a taxa de carregamento e a taxa de administração. Grosso modo, especialistas recomendam que o investidor não aplique em planos de renda fixa que possuam taxa de carregamento nem que tenham taxas de administração acima de 1,25% ao ano.
Já em relação aos planos que investem em renda variável, de maneira geral, especialistas também recomendam que não sejam admitidas taxas de carregamento, mas alguns falam que é possível aceitar uma taxa de administração de até 3% ao ano, se a gestão for mais eficiente.
Diferentemente dos planos que investem apenas em renda fixa, nestes planos os custos não são o principal fator de decisão sobre qual plano investir, mas sim a qualidade da gestão, segundo avalia Renato Roizenblit.

Mas, como avaliar se a gestão é eficiente?
Observar o histórico de rentabilidade do plano nos últimos dois anos pode ajudar. Mas, como rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro, o investidor deve estudar qual é o tipo de estratégia do fundo para entender quais são suas possibilidades de retorno no futuro.
Roizenblit explica que um fundo que tem apenas um gestor e que, na sua parcela de renda variável, investe apenas em ações que compõem índices como o Ibovespa, pode não ser muito eficiente. Enquanto que outro fundo, que tem uma equipe de gestão formada por cinco profissionais e que compra ações específicas analisando a relação de risco e retorno de cada uma, pode ser mais eficiente.
“Nesse caso, sair do primeiro fundo e ir para o segundo pode ser vantajoso porque o resultado tende a ser mais interessante. Mesmo que o segundo fundo tenha uma taxa de administração um pouco maior, como sua gestão é mais eficiente, seu retorno pode ser maior e compensar”, diz o gestor da SLW.
Ele afirma que o raciocínio de escolher um novo fundo pela sua gestão e não apenas pelos custos vale para fundos que investem em renda fixa privada, em fundos de ações, multimercados e em quaisquer fundos que tenham ativos de renda variável.
Avaliar se um fundo tem uma gestão mais eficiente que outro exige que o investidor tenha conhecimento sobre o mercado financeiro, sobre os tipos de ativos em que cada fundo investe e sobre quais aplicações podem ter maior potencial de valorização no futuro. Como a tarefa pode ser um pouco complexa para quem não está habituado a estudar o mercado financeiro, em alguns casos recorrer a consultores financeiros pode ser o melhor caminho para avaliar qual plano escolher.
Verifique outros planos dentro da mesma instituição
Renato Roizenblit afirma que muitos investidores têm a opção de migrar para planos melhores dentro da própria instituição. “Muitos clientes iniciam um plano com um valor pequeno e por isso acessam produtos com taxas altas. Ao longo do tempo, eles são promovidos no trabalho, acumulam uma reserva bem relevante, mas continuam no plano antigo porque o gerente nunca falou que com o mesmo valor eles poderiam estar em um plano com taxas mais competitivas”, conta.
Segundo ele, hoje é possível migrar de um plano com uma taxa de administração de 2% ao ano para outro plano da mesma empresa com taxa de 0,7% ao ano.
Migrando dentro de uma mesma instituição, o processo pode ser mais fácil, rápido e o investidor se livra da necessidade de estudar os produtos de outras instituições disponíveis no mercado.
Quando não fazer a portabilidade
O gestor da SLW orienta que os investidores pensem duas vezes antes de sair de alguns planos mais antigos, já que boa parte deles possui uma base atuarial diferente da dos planos mais novos e muito mais vantajosa.
Roizenblit explica que os planos mais vantajosos são aqueles que possuem as bases atuariais mais antigas, como os planos com tábua atuarial de 1949. “Os planos com base atuarial de 1949 trabalhavam com uma expectativa de vida menor e foram elaborados quando a Selic era muito alta, então quando são convertidos em renda, eles prometem uma remuneração do IGP-M mais 6% ao ano”. >
Já os planos atuais pagam ao aposentado uma renda que varia de acordo com o rendimento obtido no período do investimento, sem ajustes pela inflação. Segundo estimativas de especialistas, estes planos devem render cerca de 8,5% ao ano em 2013, sem descontar a inflação.
Fernando Meibak - A baixa rentabilidade dos fundos de previdencia
Os fundos de previdência investem em ativos de renda fixa e, dependendo do plano, também em renda variável.
No segmento de renda fixa, em geral, os planos investem em títulos de longo prazo, sobretudo nas Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-Bs), um dos títulos do Tesouro Direto que paga uma taxa de juros pré-definida, mais a variação do período medida pelo IPCA.
O mercado de juros de longo prazo tem subido bem nesses últimos meses, puxado pela perspectiva de alta da Selic. Essa alta afeta a performance dos planos por causa de um efeito contábil que chamamos de marcação a mercado.
Um exemplo: Se o plano adquire um título cujo valor é de 100 reais, que paga juros de 7% ao ano e tem prazo de um ano, o valor dele no vencimento será de 107 reais. Se o mercado subir o juro para 7,5% no mesmo dia, será feita a marcação a mercado dessa nova taxa para que mesmo com uma taxa diferente, o investidor receba o mesmo valor no vencimento do título.
Ou seja, será descontado o valor futuro do título à nova taxa (107/1.075), o que dá 99,53 reais. Essa diferença (100 - 99.53) será uma perda contábil, refletida na rentabilidade do plano no curto prazo. Mas, se o plano ficar com o título até o vencimento, ele será resgatado por 107 reais de qualquer forma.
Isto é, o plano comprou um título por 100 reais, a uma taxa de 7% por um ano e irá receber no futuro 107 reais. As oscilações das taxas ao longo do tempo não afetam a rentabilidade do investimento feito. Apenas no caso de o plano vender o título antes do vencimento esse evento provocaria perdas.
A Bolsa também vem apresentando performance negativa, afetando o desempenho dos planos que têm renda variável.Apesar da forte deterioração de expectativas que tivemos nas últimas semanas, acho que o mercado está um tanto exagerado.
Minha recomendação: Não saia agora de fundos, pois o momento é ruim.
*Fernando Meibak é sócio da consultoria Moneyplan, ex-diretor de gestão de investimentos do ABN-Amro Real e HSBC Brasil e autor do livro “O Futuro Irá Chegar! Você Está Preparado Financeiramente para Viver até os 90 ou 100 Anos?”.



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