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13/04/2020
Na crise use a criatividade

Antes de demitir procure solução alternativa

Cinco questões para serem pensadas antes de demitir

1 – Planejamento é fundamental

Em momentos de crise, o empreendedor é forçado a redobrar o cuidado com o planejamento. Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae-SP, diz que é hora de redimensionar despesas e fazer uma planilha para ver o fôlego da empresa. “Pode ser no papel ou no computador, o importante é ter tudo planejado”, afirma.

Walter Cavalcante, sócio-fundador da fintech Sinapse, que ajuda pequenas e médias empresas no planejamento financeiro, diz que o empreendedor precisa tentar antecipar quais novos custos vão aparecer, como a compra de álcool gel ou as despesas com logística para envio de produtos. “É um exercício de se planejar e de pensar em profundidade o negócio”, diz o sócio da startup. 

2 – Renegociar custos fixos

Para os especialistas, a grande meta durante a crise é conseguir preservar o caixa. “O caixa é o que mata a empresa. Na lista de motivos porque as empresas quebram, a gestão de caixa só perde para briga entre sócios”, diz Cavalcante. Por isso, é hora de renegociar contratos com fornecedores e proprietários de imóveis. 

Para Poit, para garantir a sobrevivência do negócio, o micro e pequeno empreendedor não pode ter receio de renegociar todos os custos. “A renegociação precisa acontecer sem vergonha alguma, o “não” já está garantido e todo fornecedor espera a ligação”, diz o diretor do Sebrae.

Na outra ponta, os empresários e locadores também estão mais propensos a aceitar propostas. “Eles entendem que é melhor ganhar algo e manter esse espaço alugado do que perder a renda, porque a crise tem prazo para acabar”, diz a professora Marina Gama. 

Outro custo que pode ser adiado é o das contas de água, luz e gás, a depender das medidas adotadas localmente pelas empresas fornecedoras. Segundo a professora, só com a renegociação do aluguel e a suspensão temporária das contas básicas, o pequeno empreendedor pode diminuir de 20% a 30% os seus custos fixos.

3 – Adaptar o negócio

O momento é de reavaliar a política em relação a vendas online. “Muita gente tem tido dificuldade de ter uma venda digital, até uma certa relutância. Esse é o momento de pensar estrategicamente”, diz Poit. Agora é a hora de adaptar o negócio, ligar para os clientes e tentar oferecer os produtos e serviços por delivery.

A pequena empresa precisa buscar medidas criativas para gerar receita mesmo durante o período de quarentena. “Restaurantes e cafés podem oferecer produto por delivery, músicos podem fazer lives e cobrar um couvert virtual”, diz Cavalcante. Em último caso, é possível vendar alguns ativos da empresa, desde cadeiras até computadores, para tentar levantar capital.

4 – Pegar um empréstimo

Segundo Gama, os empreendedores precisam ficar atentos às linhas de crédito disponibilizadas pelo governo. Neste momento, esse dinheiro pode dar uma sobrevida para os negócios. A professora diz que é melhor evitar as linhas de crédito tradicionais e optar por empréstimos disponibilizados agora pelo governo com o Sebrae e bancos públicos. “Esses caras vão ter as principais linhas de crédito para os pequenos, com juros mensais mais baixos”, afirma. 

Cavalcante, por sua vez, recomenda que as pequenas empresas não peguem crédito para pagar gastos do dia a dia. “A crise não deve durar muito mais que três ou quatro meses, então o empreendedor precisa verificar se a rentabilidade da empresa no pós-crise vai conseguir honrar a dívida”, diz.

5 – Reduzir salários ou suspender contratos

O empreendedor com funcionários em regime CLT pode usar a medida aprovada pelo governo que prevê a possibilidade de redução da jornada e suspensão do contrato de trabalho durante a crise do coronavírus. No caso de suspensão, permitida por até 60 dias, os funcionários que recebem até três salários mínimos receberão do governo um benefício correspondente a 100% do seguro-desemprego ao qual ele teria direito. 

Já a redução de jornada poderá ser feita desde que o salário por hora pago ao funcionário seja mantido e não fique menor do que um salário mínimo. O valor da redução, que pode ser de 25%, 50% e 70%, será pago do governo ao empregado na mesma proporção do seguro-desemprego ao qual ele teria direito. 

Para que esses acordos de redução de salário e jornada de funcionários sejam válidos, segundo decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), é necessária comunicação aos sindicatos. Além disso, o empregador tem que encaminhar os acordos ao ministério da Economia pelo site e aplicativo Empregador Web para que o pagamento seja feito pelo governo.

 


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