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15/02/2021
À Radio 96.5 fm - Cidade dos Pinheirais com carinho!

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Estúdio da 96.5 fm. Radio Cultural e Educativa da Cidade de Caieiras

Quem se lembra da rádio 96.5 fm?. A Radio Democrática. Pontualmente todos os dias as 6 hs. a cidade acordava com um toque de música clássica e entrava no ar o mais famoso locutor da região, Talico e suas músicas de dor de cotovelo.

Mantida pela Associação Cultural e Educativa Caieiras 2000 a rádio tocava de tudo era extremamente democrática, todos podiam falar sem nenhum tipo de preconceito ou censura.

Programas como Caieiras Antiga de Nossa Gente tocado pelo Altino Olímpio foi sucesso durante anos, muita música antiga e entrevistas espetaculares com caieirenses que construíram a Cidade. Começava as dez horas da noite e seguia madrugada afora. Apelidos, situações constrangedoras, declarações de amor escondido durante décadas, tinha de tudo nesse programa.

O telefone que colocava o ouvinte no ar não parava, personagens como “lobisomem” eram presença constante e infalível toda sexta feira.

As brigas de políticos eram constantes, enquanto um falava na rádio o adversário ficava no telefone se defendendo e vice-versa. Talvez a mais notória briga tenha sido a do então Prefeito Pedrão com o ex-Prefeito Névio. Vereadores também davam seu show para cutucar o colega ou o prefeito.

Episódios engraçados ocorriam sempre, numa manhã de domingo duas crianças estavam falando na rádio Fabio e Junior mas o público entendeu Fabio Jr. e o telefone para entrar no ar quase derreteu, as fans queriam saber o endereço da 96.5 fm. poucos sabiam a localização mas ainda assim algumas moças e senhoras começaram a chegar, o programa domingueiro teve que ser suspenso.

Outra “mancada” foi do locutor do programa sertanejo diário que ia das 17 as 19 hs. ele anunciou a morte de um amigo querido que teria acabado de falecer no hospital local, em minutos os parentes do “falecido” estavam lá para desmentir, o constrangido locutor teve que “desanunciar” a notícia.

E tem aquela do candidato que disse ser a sua concorrente uma galinha muito gorda para subir em poleiro alto, a resposta veio em seguida e ela começou assim “vou descer o cacete nesse f.d.p. galinha gorda é a mulher dele” e vociferou pelas ventas, tudo transmitido ao vivo e a cores.

Pela rádio passaram e eram ouvidos padres, pastores, médicos, policiais,políticos, empresários, artistas, professores, etc. mas principalmente gente do povo. O alcance das transmissões era limitado por conta da baixa potência do transmissor, mas mesmo assim a audiência era grande.

A rádio 96.6 fm Caieiras terminou quando recebeu uma fiscalização da Anatel fruto de denúncias de políticos nanicos que não se conformavam com a linha democrática que a rádio praticava. Entretanto foi um ato discriminatório e ilegal já que a mantenedora tinha tudo legalizado e apenas aguardava a licença definitiva da própria Anatel.

Quando finalmente liberaram os equipamentos confiscados estavam deteriorados no depósito da agência governamental, foram armazenados debaixo de sol e chuva não prestavam mais para nada. E assim terminou uma rádio que ficou na história de Caieiras, foi abatida por ser política e socialmente prematura, a elite dominante não estava preparada para enfrentar os novos tempos. 

ALTINO OLIMPIO CONTA SUA PARTICIPAÇÃO NA RADIO 96.5 FM EM CAPÍTULOS

Como teve início na Rádio Cultural e Educativa da Cidade de Caieiras o Programa “Antiga Caieiras de Nossa Gente”. No começo do mês de setembro de 1997, no velório de Caieiras encontrei-me com o Edson Navarro. Conversa daqui, conversa dali, ele me convidou para ir conhecer a rádio comunitária que estava sonorizando pelos ares da região de Caieiras. Eu nem sabia que existia tal rádio e nem que ele era o principal responsável por ela. Depois do velório que já havia terminado com a “despedida” para sempre de alguém que não lembro quem, fomos para a Estação do Rádio que se situava na Rua Sorocaba, na Vila São João do Bairro do Serpa.

Isso aconteceu numa sexta-feira. Lembro-me porque, estando lá na rádio, pelo microfone participei por poucos instantes do programa da parte da manhã do então casal Egle e Fleury. Depois desse meu batismo radiofônico, o Edson convidou-me para também dirigir um programa. Até sugeriu um nome: Caieiras Antiga de Nossa Gente para ser um programa de recordações. Naquele dia eu contava com 55 anos de idade e com certeza perfazia uns trinta anos ou mais que eu não ouvia rádio, como até hoje não ouço. Aceitei o convite do Edson e marcamos para a próxima sexta-feira, doze de setembro de 1997, com início às vinte e uma horas, o primeiro programa Antiga Caieiras de Nossa Gente, com o término às vinte e quatro horas.

O primeiro programa contou com uma gravação “levada ao ar” da entrevista com um quase centenário, o conhecido Senhor Elpidio Pereira da Silva. Três semanas depois, também levamos ao ar outra entrevista gravada com outro centenário, o Senhor Neufeld (se pronunciava Senhor Noife). Naqueles tempos como a tecnologia não estava tão adiantada como está hoje, as músicas, só as bem escolhidas eram reproduzidas através de um toca-discos, pelos discos chamados de “long-play”. O programa, então, que não foi copiado de outro programa de rádio porque rádio eu não ouvia, agradou a muita gente da região.

Com a audiência que teve logo o programa musical e de entrevistas teve o seu horário ampliado das vinte e duas horas das sextas-feiras até as seis horas da manhã dos sábados. Depois que os entrevistados, e foram muitos, se retiravam tinha início o programa romântico que se chamava “Madrugada Sem Solidão”. Nos próximos capítulos iremos contar algumas histórias engraçadas ou “picantes” que foram levadas ao ar da região da antiga cidadezinha Caieiras dos tempos da Rádio 96.5 FM. E pensar que tudo teve início num velório (risos).

Rádio 96.5 FM – III

Tenho dito que o irradiado programa Madrugada Sem Solidão “levado ao ar” pela região de Caieiras depois do programa Antiga Caieiras de Nossa Gente era um programa romântico. Mas, não era bem assim (risos). Às vezes surgiam besteiras que até poderiam ser censuradas. O condutor do programa (eu) quando ficava sabendo que algum ouvinte o tinha criticado por causa de algumas bobagens ou imoralidades, sempre no próximo programa ele “pegava mais pesado”. Isso queria dizer, propositalmente falava mais besteiras.

Numa ocasião até disse que tais pessoas que o criticavam, se elas fossem assistir a um programa em São Paulo cujos artistas seriam a famosa Dercy Gonçalves e o famoso piadista Ari Toledo, e que, ambos faziam rir a todos os expectadores ou telespectadores com suas imoralidades brincalhonas, tais pessoas que os fossem assistir se alegravam e até diriam “que noite engraçada, que noite maravilhosa” (risos). Os artistas aqui citados podiam falar o que quisessem, mas, para alguns ouvintes do rádio, o condutor da Rádio de Caieiras não podia. Assim pedia a hipocrisia.

Num dos programas o condutor do programa Madrugada Sem Solidão brincando disse algo sobre alguém que foi visto lá na zona de meretrício de Caieiras. Foi uma brincadeira que parecia que não haveria qualquer comentário. Mas, não! Dias depois um conhecido telefonou para a casa do locutor e lhe perguntou o porquê ele havia falado sobre a zona de meretrício. --Ora, ora, foi uma brincadeira respondeu-lhe o locutor. --Foi é, mas, uma pessoa veio me perguntar onde é que ficava tal zona de meretrício. Eu lhe disse que tal zona não existia em Caieiras. Mas tal pessoa me disse que existia sim, porque o cara lá da rádio havia dito que existia (risos) Esse fato foi engraçado como outros de maior relevância que iremos resgatar.



Edson Navarro - Economista