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03/11/05
Doença dada como extinta tem novo surto

Casos do mal, transmitidos por gatos, passam de 1 a 200 por ano

A esporotricose felina, uma doença rara e que se acreditava extinta, está preocupando especialistas no Rio. De acordo com o Instituto de Pesquisa Clinica Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, nos últimos cinco anos foram registrados 800 casos em humanos e até o fim de 2005 serão 200 novos pacientes. Em toda a década de 1990, foram apenas 13 casos. A doença é caracterizada por lesões cutâneas provocadas pelo fungo Sporothrix schenckii, cuja presença no solo pode ser considerada normal. Até recentemente, trabalhadores agrícolas e jardineiros em contato com o fungo desenvolviam uma espécie de micose, que se alastra por mãos, braços e pernas, e desaparecia três dias depois sem maiores seqüelas. De alguns anos pra cá, as lesões ficaram maiores, purulentas, provocando dores nas articulações, cicatrizes e necessidade de medicamentos. "Na literatura cientifica mundial não existe nada semelhante ao que está acontecendo no Rio", afirma a pesquisadora e infectologista Mônica Lima Barros, do Serviço de Zoonoses da Fiocruz. "É uma epidemia, possivelmente causada por algum desequilíbrio ambiental". O que mais intriga os pesquisadores é o fato de gatos terem se transformado em hospedeiros do fungo, disseminando a doença para outros animais e para o homem. Dos pacientes atendidos pelo Ipec, 85% contraíram a doença por mordidas, arranhões ou outro contato com gatos doentes. "Não sabemos como os gatos entraram na historia", admite Mônica. "Alguma coisa aconteceu e interferiu no equilíbrio, fazendo com que o numero de pessoas com a doença passasse de um para 200 por ano". Segundo a infectologista, o centro da epidemia está na Baixada Fluminense, nos municípios de Duque de Caxias e São João de Meriti. Mas já há registros da doença em outras cidades e bairros do Rio, como a Barra da Tijuca, e mesmo em São Paulo e no Rio grande do Sul. Não há registros de casos fatais em pessoas. As únicas seqüelas parecem ser dores fortes, cicatrizes e perda de produtividade. O custo do tratamento é alto e rede publica de saúde não oferece remédios contra a doença. Nos gatos, a doença é mais grave e pode provocar a morte do animal. Donas de casas e veterinários lideram a incidência de casos de esporotricose. Já os animais doentes são, em sua maioria, machos em idade reprodutiva. No entanto, entre os 1500 gatos contaminados identificados pela pesquisadora, não havia um único animal de apartamento, já que o importante no contagio é o contato com a terra.

O Estado de São Paulo

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