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30/07/2008
Osteoporose, diagnóstico simples

Descoberta nova técnica de Diagnóstico da osteoporose

Doença, que resulta da carência de cálcio nos ossos, deixa marcas em radiografias da arcada dentária; o método é mais simples e barato

Um novo método de diagnóstico da osteoporose, mais simples e barato, foi descoberto
por um dentista de Brasília. André Ferreira Leite, de 31 anos, conseguiu provar que a doença – que resulta da carência de cálcio nos ossos – deixa marcas claras nas radiografias da arcada dentária, exames de rotina em tratamentos odontológicos.

“A osteoporose é uma doença silenciosa e, normalmente, descoberta apenas após uma fratura. Mas, com o raio X, é possível detectar o afilamento da borda da mandíbula inferior e, se isso ocorrer, o paciente tem predisposição à osteoporose”, afirma o cirurgião dentista, radiologista do hospital da Universidade de Brasília (UnB).

Leite chegou à conclusão após analisar exames de 351 mulheres pós-menopausa, grupo de maior risco de desenvolver a doença. Isso porque, nessa fase da vida, o nível de estrógeno (hormônio feminino) diminui drasticamente e, com ele, cai o nível de estímulo para a renovação dos ossos. Os dados fazem parte da dissertação de mestrado de Leite na UnB, concluída recentemente. Embora ressalte que o raio X não substitui a densitometria óssea (exame utilizado atualmente para detectar a doença), Leite destaca que a radiografia ajuda no diagnóstico precoce da osteoporose.

“O raio X serve como um pré-exame. É um importante indicativo para saber se o paciente deve ou não fazer a densitometria”, afirma. Enquanto um raio X custa para o Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de R$ 9, a densitometria não sai por menos de R$ 55. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia apontam que até 70% dos casos de osteoporose não são diagnosticados antes de o paciente ter a primeira fratura. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge 10 milhões de brasileiros. A osteoporose não tem cura, o que reforça a necessidade da prevenção. A doença tem também um alto grau de mortalidade. Levantamento recente feito na China com 3.891 pacientes com fratura de bacia mostrou que, de cada 15 internados, 1 morreu. No ano subseqüente, foram 30 óbitos.

HOMENS

Embora atinja mais as mulheres na pós-menopausa, a osteoporose também não deixa
os homens imunes.

“A osteoporose é um grave problema de saúde pública tanto em homens quanto em mulheres, mas não recebe a devida importância”,diz Ana Patrícia de Paula, chefe do serviço de reumatologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e orientadora do projeto de André Leite.

Ana Patrícia também concluiu recentemente uma pesquisa que sustenta a preocupação. Em São Sebastião, cidade satélite do Distrito Federal, pesquisa com 913 pessoas acima de 60 anos mostrou que 2 em cada 3mulheres tinham a doença. No caso dos homens, a proporção foi um pouco menor: 1 em cada 3 homens tinha osteoporose. “Quanto mais gente da área de saúde estiver envolvida no diagnóstico melhor”, diz a chefe do serviço de reumatologia do HUB.

O Estado

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