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17/11/2008
"Diabetes deve atingir 400 milhões de pessoas até 2030 e o tratamento será impagável", afirma especialista

Em audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o médico Cid Pitombo classificou como alarmante o aumento de casos de diabetes tipo 2 em todo o mundo. Ao apresentar experiências de controle da doença por meio de cirurgias de redução do estômago, o especialista afirmou que o diabetes deverá atingir mais de 400 milhões de pessoas até 2030, demandando tratamentos cujos custos poderão levar ao colapso programas públicos e privados de saúde.

- O diabetes tipo 2 é hoje uma epidemia em todo mundo, com mais de duzentos milhões de portadores, dos quais 60% estão na Ásia. Em 2030, devemos chegar a quatrocentos milhões de diabéticos e nenhuma nação terá dinheiro para pagar os tratamentos e as complicações inerentes à doença - alertou Pitombo.

Conforme dados apresentados pelo médico, só nos Estados Unidos, são mais de 20 milhões de portadores de diabetes tipo 2, os quais absorveram US$ 175 bilhões em tratamentos, em 2007. No Brasil, disse, não existem estatísticas sobre os pacientes atendidos por planos privados de saúde, mas estima-se que existam dez milhões de diabéticos no país.

As cirurgias de redução do estômago, informou o médico, estão sendo apontadas como formas eficientes de controle da doença. Ele citou casos de melhorias em pacientes nos quais foi feito um desvio para que parte dos alimentos ingeridos siga diretamente ao intestino. Conforme explicou, a cirurgia estimula a produção de insulina pelo pâncreas.

Questionado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sobre formas de prevenção da doença, Pitombo disse ser essencial uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios. A gordura abdominal, disse, acumula substâncias nocivas que podem levar ao diabetes.

Na presidência do debate, o senador Augusto Botelho (PT-RR) destacou a importância de campanhas de prevenção e lembrou que na sexta-feira (14) será comemorado o Dia Mundial de Combate ao Diabetes. Também o senador Renato Casagrande (PSB-ES) defendeu a adoção de medidas para reduzir os casos da doença e, com isso, diminuir o volume de recursos necessários para custear medicamentos e internações hospitalares.


Resistência

O médico disse existir no Brasil preconceito em relação ao tratamento clínico do diabetes tipo 2, que é baseado no uso de insulina. Para ele, o tratamento clínico, quando bem feito, apresenta bons resultados, mas pode tornar-se ineficiente ao longo dos anos. Por esse motivo, ele defende investimentos em pesquisas sobre cirurgias que fazem modificação no tubo digestivo e estimulam a produção de insulina.

O diabetes tipo 2, explicou o médico, é a forma mais comum da doença, afetando 95% dos diabéticos, que apresentam os primeiros sinais já na vida adulta. Os 5% restantes são diabéticos tipo 1, que em geral desenvolvem a doença na infância. Os quadros de obesidade, frisou ele, aumentam os riscos de diabetes tipo 2, sendo que a gordura que se acumula ao redor da cintura oferece riscos ainda maiores aos portadores da doença. A obesidade, explicou o médico, leva a uma resistência à insulina.

Com a cirurgia de redução do estômago, a gordura visceral é diminuída, reduzindo-se também o risco de diabetes. No entanto, explicou Pitombo, esse procedimento só atinge 25 a 30% dos diabéticos, que são obesos. O especialista defende a ampliação de pesquisas sobre o papel do intestino no estímulo à produção de insulina pelo pâncreas, visando ao conjunto de pacientes do país.

Frente à informação do médico de que a doença é mais expressiva entre a população mais pobre, Cristovam Buarque disse temer a falta de interesse do governo em solucionar o problema.
- As doenças que atingem a população pobre são sempre relegadas a segundo plano - observou Cristovam.
Iara Guimarães Altafin / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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