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23/03/2010
Disfunção erétil nos diabéticos

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Complicações do Diabetes
4/3/2010 - ionline

A disfunção eréctil é mais elevada nos diabéticos do que na população em geral, mas é uma alteração desvalorizada pelos médicos e pelos doentes, que ainda têm vergonha de contar os problemas sexuais, alertou hoje o endocrinologista Galvão-Teles.

Alberto Galvão-Teles coordenou o único estudo realizado em Portugal sobre a prevalência da disfunção eréctil em diabéticos, segundo o qual este problema é uma consequência frequente da diabetes.

O estudo, publicado na revista americana The Journal of Sexual Medicine, verificou que, em 3548 homens entre os 40 e os 69 anos, 12 por cento eram diabéticos e, destes, 66 por cento tinham algum tipo de disfunção eréctil, um número “muito elevado”, disse à Lusa o médico da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Segundo o especialista, 42 por cento dos homens apresentavam uma disfunção sexual ligeira, 16 por cento moderada e oito por cento grave.

A diabetes apresenta complicações consideradas graves, que vão desde a cegueira, às alterações da função renal, à doença coronária ou a alterações vasculares dos membros inferiores, responsáveis pelas amputações.

“A diabetes é uma doença devastadora e, a maior parte das vezes, os clínicos trabalham e diagnosticam mais as complicações desta doença, esquecendo outras alterações que também são extremamente importantes, como a disfunção sexual nos homens e mulheres”, adiantou o também diretor da nova Unidade de Diabetes do Hospital CUF Infante Santo.

As estatísticas indicam que a disfunção sexual masculina varia entre 20 e 70 por cento. “Se compararmos indivíduos da mesma idade, a prevalência da disfunção eréctil é sempre mais elevada nos diabéticos do que na população em geral”, sublinhou.

Para o médico, muitos destes aspetos da diabetes não são encarados por duas razões: “Por um lado, o doente não gosta de fazer perguntas e falar sobre os seus problemas sexuais e, por outro, os médicos portugueses têm uma medicina muito clássica e não perguntam sobre a parte sexual dos seus doentes”.

O último Relatório Anual do Observatório Nacional de Diabetes mostra que existem mais de 900 mil diabéticos, quase metade dos quais (400 mil) desconhecem sofrer desta doença.

Há ainda 23 por cento da população com risco elevado de ter diabetes, por já sofrer de pré-diabetes, refere o relatório, adiantando ainda que, em 2008, os gastos com medicamentos ascenderam a 109 milhões de euros.

“Esta doença que foi considerada como o flagelo do século XXI pela Organização Mundial da Saúde faz com que os nossos serviços de saúde privados e estatais tenham de se organizar no combate à diabetes”, defendeu o médico.


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