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07/05/2010
Vaidade poder virar pesadelo no pé diabético

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Cuidados com o Pé Diabético
30/4/2010 - Diabetes

Forçar a barra e botar uma chuteira apertada, não deixar de comprar o sapato de que gostou mesmo que tenha percebido que é desconfortável e tem costuras internas ou insistir em usar aqueles esmaltes de cores fortes, escuras, todas essas são opções que até asseguram a satisfação imediata de algum prazer mas que, para o diabético, pode resultar muitas vezes no seu pior pesadelo. O alerta é da podóloga Cleide Martinez, que em seus dez anos de atuação em equipes multidisciplinares para o atendimento ao diabético convenceu-se da necessidade de toda e qualquer pessoa despertar para uma relação de paixão, carinho e muito cuidado com seus pés. Sua dica é ainda mais valiosa para os portadores de diabetes e exige providências urgentes para aqueles que já desenvolveram uma neuropatia diabética.

Cleide é um dos profissionais que atuam no Ceadia – Centro de Controle, Educação e Assistência ao Diabetes de Jundiaí. É também a coordenadora do departamento de podologia da Anad – Associação Nacional de Assistência ao Diabético e aponta como uma de suas principais preocupações a falta de informação para a escolha dos sapatos adequados – que não devem ter costuras ou relevos internos – e de orientação básica para o exame e higiene diária dos pés.

Em suas consultas, Cleide insiste, mesmo com os pacientes que já a conhecem e vêm sendo atendidos por ela, em abordar os cuidados para se cortar as unhas, mantê-las limpas e outros tantos que poderão evitar ferimentos, que se adquiram micoses ou que sejam tratadas inadequadamente. Paralelamente, ela realiza um criterioso exame de todos os cantos dos pés, sua planta, cantos de unha e faz o teste de sensibilidade com o chamado monofilamento (uma pequena haste de nylon, com resistência e flexibilidade específicas que permitem avaliar o grau de percepção do paciente com neuropatia desenvolvida).

Ela avisa que uma lei - que vale também para os não diabéticos - é nunca ficar cutucando as unhas e sempre cortá-las retas, com canto em curva. O ideal, garante, é passar pelo menos uma vez por mês em consulta com um podólogo com conhecimento em diabetes.

Mesmo correndo o risco de ser antipática com as mulheres, ela desaconselha que se frequentem pedicures ou até mesmo podólogos que não tenham vivência no trato especializado com diabetes, uma vez que poderão deixar passar despercebidos ferimentos ou outros indicativos de futuras complicações, que podem se agravar rapidamente e exigir intervenções médicas radicais para o seu tratamento. Além disso, o uso frequente de esmaltes, especialmente os de cores fortes e escuras, fragiliza as unhas, restringindo sua respiração e a passagem de luz e facilitando o surgimento e proliferação de manchas e fungos.

“Outro problema bastante frequente com as mulheres é a maior exposição, resultante dos cuidados de ordem estética, às micoses. O mais desagradável é que, além de o organismo diabético ser mais vulnerável à sua manifestação, as micoses reincidentes costumam ser mais fortes e muitas vezes exigir a ingestão de medicamentos para o seu combate”, acrescenta Cleide, ressaltando que a prescrição de qualquer medicação para uso interno ou externo, assim como de qualquer outro procedimento curativo dever ser feito exclusivamente por médicos.

Destacando a existência de sapatos especialmente fabricados para diabéticos de ambos os sexos, Cleide lamenta outra má notícia para as mulheres: sua modelagem não é tão variada nem tem condições de seguir as tendências da moda. Por isso, a mulher vaidosa deve preocupar-se em aprender a examinar muito bem o sapato que irá comprar, assim como evitar saltos de todas as maneiras, para não favorecer deformações, restrições à circulação e futuros problemas. Os calçados mais adequados são os fechados e preferencialmente os de couro, que facilitam a respiração dos pés. Para os praticantes de esportes, os cuidados na escolha dos sapatos devem ser redobrados, assim como evitar acidentes, torções, choques e pisões. Para que isso seja possível, Cleide finaliza anunciando a existência no mercado de inúmeros curativos, protetores e dedeiras de silicone, cuja prescrição deve ser feita por um diabetólogo ou podólogo especializado.

 


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