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24/05/2010
Idosos diabéticos, normas mais brandas

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Sociedade médica propõe abordagem diferenciada para doença crônica em maiores de 60 anos
22/5/2010 - IG

A Sociedade Brasileira do Diabetes (SBD) vai orientar todos os médicos associados a mudar a abordagem e o tratamento dos pacientes com mais de 60 anos.

Os idosos que foram portadores da doença terão metas de controle de açúcar no sangue mais brandas do que as estabelecidas para outras faixas etárias.

A taxa de glicemia é o que mensura se a doença crônica, uma das líderes de causa de morte no País, está controlada ou não. Até o final do ano passado, independente da idade do paciente, a diretriz da SDB era de que todos os diabéticos tivessem níveis de hemoglobina (o nome correto de açúcar no sangue) entre 6% e 7%. Agora, só para os mais velhos, a meta passará a ser de 8%.

A proposta é disseminar entre os especialistas a nova recomendação no primeiro Simpósio Nacional de Diabetes em Idosos, que começa nesta semana em São Paulo. Os índices menos rígidos de controle de diabetes para a terceira idade fazem parte de um pacote de mudanças no tratamento para diminuir as sequelas mais extremas da doença, que são: depressão, cegueira, amputação de membros e isolamento social.

“O paciente idoso merece toda a nossa atenção e tratamento diferenciado porque ele exige cuidados mais específicos”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti da Silva. O médico explica que a primeira diferença entre o idoso diabético e o mais jovem é que o idoso tem a idade das artérias 10 anos mais velha do que a sua idade cronológica.

“Só isso já seria suficiente para causar problemas para a prática de exercícios, fundamental para o controle da doença, mas tem a questão do medo de cair e restrição física do idoso, dois fatores que complicam a situação. Sem contar as possíveis deficiências cognitivas, que deixam os pacientes mais confusos e com dificuldade de controlar os horários dos medicamentos e refeições”, completa o especialista, acrescentando que todas essas características justificam as taxas diferenciadas de controle glicêmico.

Silva afirma ainda que, sem estarem tão pressionados com a doença em constante descontrole, a mesma diretriz de mudança de padrão de taxa de glicose pode ser “remédio” para a depressão, que atinge 16% dos portadores de diabetes, segundo pesquisa feita por médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.

Impacto social

A depressão e o possível isolamento social não são os únicos impactos na vida social do diabético e nem problemas exclusivos dos portadores brasileiros da doença, segundo pesquisa internacional feita pelo laboratório Merck Sharp & Dohme. Em entrevistas feitas com 866 profissionais de saúde e 607 pacientes da Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, México e Índia, a farmacêutica apurou que um entre 10 pacientes entrevistados foi internado devido ao diabetes nos 12 meses anterior ao levantamento. Além disso, um em cada cinco informou que teve a capacidade de trabalhar afetada e 12% disseram que não estavam trabalhando no momento devido à doença.

Na avaliação do professor adjunto de Medicina do Albert Einstein College of Medicine e médico do Ambulatório de Diabetes do Montefiore Medical Center, de Nova York, Harvey Katzeff, o diabetes é a pior doença crônica que existe.

“É muito pior do que a artrite, por exemplo, porque nela você sente os sintomas, as dores no joelho. O diabetes age silenciosamente, lesiona os órgãos sem que você perceba. Quando descobre, às vezes já está em um estágio avançado da doença”, disse o especialista em entrevista ao iG.

Para Katzeff, além do investimento em medicamentos mais modernos que ao mesmo tempo diminuam o ganho de peso e controlem doenças cardíacas, o ponto chave para monitorar o diabetes é a alimentação. Neste ponto, ele acredita que até as grandes redes alimentícias, empresas e supermercados poderiam contribuir, diminuindo as porções e aumentando a qualidade nutricional dos produtos oferecidos.

Epidemia crescente

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, em 1985, o diabetes atingiu aproximadamente 30 milhões de pessoas. Esse número aumentou para 135 milhões, em 1995, e para 177 milhões, em 2000. Estima-se que em 2030 a prevalência do diabetes deve alcançar 438 milhões.



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