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15/10/2010
Café & Diabetes

Efeitos do Café sobre Diabetes Mellitus Tipo 2
3/9/2010 - Portal Diabetes
Danielly Mesquita Figueiredo Danielly Mesquita Figueiredo
Bióloga – Especialista – Nutrição Humana e Saúde
Mestre em Ciência dos Alimentos – UFLA.
Contato (33) 8405-2586.
[email protected]

Entrevista

1. Gostaríamos que fosse explicitada a importância da pesquisa que envolve os efeitos do café sobre o diabetes mellitus.

Sabe-se que o diabetes mellitus configura-se hoje como uma epidemia mundial, traduzindo-se em grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo. Dentro desse quadro, também é sabido que a diabetes mellitus que acomete 90 a 95% dos indivíduos no mundo é a diabetes mellitus tipo 2, e junto a ela devem ser considerados os hábitos de vida dos indivíduos. Considerando essa perspectiva, posso ressaltar que o que entra cotidianamente na alimentação do diabético, tem interferência direta sobre sua qualidade de vida. Em sendo que o café é uma das bebidas mais consumidas do mundo, e, também uma bebida complexa em seus compostos, faz-se surgir o interesse científico perante os mitos e realidades que são descritos em torno do efeito dessa bebida sobre a saúde.
Haja vista a relevância dessa pesquisa do ponto de vista de ter sido feito um trabalho in vivo que pôde realmente apurar se o café é benéfico ou não sobre a saúde de pacientes diabéticos tipo 2.

2. Como foi desenvolvida a pesquisa ? Teve algum tipo de apoio?

Essa pesquisa foi desenvolvida no município de Lavras, MG, sob a aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa, e sob a orientação do professor e pesquisador Dr.º Carlos José Pimenta. A mesma, contou com a colaboração de vários profissionais, médicos, biomédico, educadores físicos, nutricionistas, biólogos. Também teve apoio financeiro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café – CBP & D/Café, que há algum tempo têm colaborado e investido na temática que concerne café e saúde.
Os voluntários da pesquisa eram todos diabéticos mellitus tipo 2, residentes no município de Lavras, MG, com idade média de 60 anos, de ambos os sexos. Esses indivíduos passaram por um cadastramento e seleção em postos de saúde da família, onde foram medidos peso, altura e circunferência da cintura, durante um período de 6 meses. E, além desses parêmetros, no início e final da pesquisa, foram feitos hemograma completo e teste ergométrico para coleta e análise de dados específicos necessários para comparação dos efeitos do consumo do café após decorrer 6 meses de consumo dentro do perfil em que o voluntário se enquadrava. Dentre os perfis selecionados, os indivíduos foram agrupados entre consumidores de café com cafeína, consumidores de café descafeinado, e uma parte deles deixou de consumir café e alimentos com cafeína durante 6 meses.

3. A pesquisa realizada sobre os efeitos do café sobre o diabetes teve resultados positivos? O que contém no café que pode ajudar contra o diabetes mellitus?

Sim, a pesquisa teve efeitos positivos, uma vez que os voluntários que consumiam café com cafeína regularmente, mostraram valores menores de glicose quando comparados com indivíduos que consumiam café descafeinado. Diante desse resultado, acredito que a cafeína possa exercer um efeito metabólico no organismo que como coadjuvante a outros compostos do café, tais como ácidos clorogênicos e magnésio, possa atuar de forma que diminua os níveis de glicose sanguínea. Segundo a literatura consultada em pesquisa os ácidos clorogênicos presentes no café podem retardar a absorção de açúcar no intestino, e o magnésio aumenta a secreção e sensibilidade à insulina, sendo, ambos mecanismos válidos na diminuição da glicose sanguínea e subseqüentemente positivos perante a saúde do diabético.

4. Qual o tipo de café utilizado na pesquisa?

O café utilizado na pesquisa foi do tipo Coffea arabica, sendo todo o produto de um mesmo lote, ambos apresentando selo de pureza ABIC. Houvera indivíduos que consumiam café cafeinado e descafeinado, e, uma outra parte deles, aboliu o consumo de café e compostos com cafeína, durante o período da pesquisa. Todos os voluntários foram orientados mediante a forma correta de preparo e utilização do café. Esse café foi doado e distribuído aos voluntários durante todo o período da pesquisa, sendo financiado pelo CBP & D/Café.

5. Como o café atua no organismo do indivíduo com diabetes?

Alguns compostos do café apresentam atividade antioxidante, um deles é o ácido clorogênico muitas vezes citado por seu poder hipoglicemiante. Diversos mecanismos propõem efeitos benéficos do ácido clorogênico no metabolismo da glicose, uma vez que eles reduzem a absorção de glicose pelo intestino e inibem a atividade da glicose-6-fosfatase 1. Pela inibição desta enzima a concentração de açúcar no sangue diminui.
Os ácidos clorogênicos podem atuar também como um metal quelante devido à sua atividade antioxidante, assim esses compostos podem introduzir minerais nos tecidos, formando complexos quelados que podem alcançar outros tecidos mudando a composição mineral do mesmo e podendo melhorar a tolerância à glicose pelo aumento da sensibilidade à insulina.
Café também contém magnésio, o que poderia interferir positivamente na tolerância à glicose devido ao aumento da secreção e sensibilidade à insulina.
O magnésio é um íon importante como um cofator de muitas enzimas. O relacionamento entre a insulina e o magnésio tem sido estudado recentemente, em particular mostrou-se que ele tem um papel de segundo mensageiro para a ação da insulina, sendo que a insulina é um hormônio regulador importante da acumulação intracelular de magnésio. Dessa forma, pode-se dizer que o magnésio modula o transporte da glicose através das membranas.
É importante que haja mais incentivo e pesquisa sobre os efeitos específicos de cada um desses compostos no organismo do indivíduo, pois o conhecimento aprofundado sobre os mesmos pode abrir caminho para o encontro de sinergia entre eles, e, assim, ser uma descoberta valorosa perante a luta contra o diabetes mellitus.

6. Além da influência sobre o diabetes, o café mostrou atuar em outros parâmetros relacionados à saúde?

Sim, o café, nesse caso o cafeinado, além de reduzir os níveis glicêmicos de indivíduos diabéticos tipo II, também mostrou reduzir o colesterol total, frações de LDL-c e VLDL-c, redução nos teores de Tiroxina e índice de massa corpórea. E, o café descafeinado, reduziu os níveis de triacilgliceróis. Esses são alguns dos fatores em que o café se mostrou funcional perante a saúde dos diabéticos.

7. Então, deve-se consumir café?Existe uma quantidade ideal para consumo, ou quantidade que prejudique a saúde do indivíduo?

O café não deve ser indicado como uma medicação, mas pode-se dizer que o consumo em torno de 300mL dia não traz nenhum mal à saúde, e, o melhor disso, ele pode também trazer benefícios. Mas, caso o médico prescreva o não consumo do mesmo diante de alguma patologia que o indivíduo tenha além da diabetes, como por exemplo uma gastrite, ou dores estomacais devido à excesso de acidez, enfim, a prescrição do médico deve ser mantida, pois cada paciente apresenta um quadro único, e isso deve considerado e respeitado.

8. Pode-se dizer que o café previne o diabetes mellitus?

Caros leitores, se o consumo do café atua fisiologicamente e metabolicamente de maneira que diminui os teores de glicose sanguínea do indivíduo e, melhora consideravelmente mais alguns parâmetros induzindo a uma melhor qualidade de vida do diabético, pode-se dizer sim que o café previne o diabetes mellitus tipo 2.



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