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09/06/2011
Pé diabético em criança

 O problema dificilmente irá se manifestar em qualquer fase da infância mas é importante que desde o diagnóstico do diabetes crianças e adultos tenham sempre a máxima atenção e cuidados com os pés. O pé diabético surge principalmente em função da neuropatia diabética, quando os nervos, especialmente os das extremidades do corpo, são afetados e deixam de responder a estímulos de dor e calor. A neuropatia acomete o diabético que é mal controlado por cerca de dez anos. Por isso, a criança raramente apresenta esse problema, uma vez que ela geralmente não tem tempo suficiente de convivência com a doença para chegar ao ponto de desenvolver uma neuropatia diabética.

Mesmo crianças que ficam diabéticas ainda na primeira infância acabam por não ter esse risco. Como elas são insulinodependentes, geralmente sua glicemia não chega a um descontrole tal que provoque ainda na infância ou na adolescência o surgimento de seqüelas decorrentes do mau controle, como a própria neuropatia ou outras, entre as quais a retinopatia diabética, a nefropatia e doenças cardiovasculares, como explica o endocrinologista Domingos Augusto Malerbi, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Domingos Augusto Malerbi – “Problemas de pé diabético demoram algum tempo para se desenvolver, mas eles são a mais freqüente consequência do diabetes mal controlado e representam 40% das seqüelas da doença. São necessários pelo menos dez anos de glicemia mal controlada para que isso aconteça. Esses problemas surgem por causa da neuropatia diabética, que consiste na saturação de glicose nos nervos, o que impede a boa condução dos estímulos. A criança desenvolve o diabetes na maioria dos casos por volta de seis ou sete anos e, portanto, ela só teria problemas no pé por volta dos 16 ou 17 anos de idade, se ficasse dez anos descontrolada. Mas isso é raro, porque o descontrole no diabético tipo 1 é facilmente fatal e, por isso, ela tem necessidade de cumprir o tratamento com regularidade.

Ainda assim, há gente que, geralmente por razões econômicas, acha que pode tomar apenas uma dose de insulina por dia ou até menos e, neste caso, é preciso alertar para as conseqüências. Em primeiro lugar, é necessário educar os pais. Eles precisam entender que a criança diabética é uma criança normal, apenas com um hormônio a menos e que precisa ser reposto.

A atenção com o pé na criança deve fazer parte de toda uma rotina de cuidados, que inclui o exame de fundo do olho, o acompanhamento da pressão arterial, as consultas periódicas ao dentista, uma vez que o diabético tem também maior propensão a desenvolver doenças de gengiva.

Com essas atenções gerais, é possível permitir à criança diabética uma rotina normal: ela pode usar tênis, brincar descalça e a atenção nesse caso deve ser a mesma que é dada a qualquer outra criança. Isso significa, por exemplo, não tirar os sapatos em local onde pode haver cacos de vidro, pregos enferrujados ou outros objetos que possam machucar o pé. Se isso acontecer, ela só terá problemas de cicatrização se estiver mal controlada.



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