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09/01/2012
Ratos diabéticos proporcionam avanço na pesquisa sobre a esclerose múltipla.

Pela primeira vez, estudo permite acompanhar por meio de ressonância magnética o processo de lesão cerebral causado pela condição

Modelo de camundongo utilizado para estudar o diabetes proporciona avanço surpreendente na busca de uma cura para a esclerose múltipla. Equipe de cientistas do Departamento de Neurobiologia da Tel Aviv University, em Israel, descobriu que quando os ratos com diabetes tipo 1 recebem injeções da proteína da mielina - o material isolante que reveste os neurônios - eles passam por períodos de exacerbação e remissão da incapacidade associada às lesões cerebrais em humanos. Pela primeira vez, foi possível acompanhar este processo de lesão cerebral por meio de ressonância magnética.

Nos seres humanos, os períodos ativos da Esclerose Múltipla (EM) podem durar poucos minutos ou estender-se por semanas. Eles são causados por lesões no cérebro que se desenvolvem, curam-se em parte e depois reaparecem. Pesquisas sobre a cura têm sido difíceis, porque até agora os cientistas não haviam conseguido replicar estes sintomas cerebrais recorrentes em ratos de laboratório.

A expectativa da equipe da Tel Aviv University liderada por Dan Frenkel é de que a descoberta leve ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a esclerose múltipla.

Rastreando lesões no cérebro

A esclerose múltipla, uma doença auto-imune na qual o sistema imunológico ataca no cérebro e inibe a transferência de sinais entre os neurônios, muitas vezes leva a deficiências devastadoras como a cegueira e a paralisia. Desde o seu início, a doença ataca em picos que se tornam cada vez mais graves até que os pacientes estejam permanentemente incapazes.

Tradicionalmente, as populações de rato modelo para a pesquisa de esclerose múltipla foram criadas ao aplicar injeções com a proteína da mielina emulsificada em bactérias nos ratos. Com a adição de bactérias, o sistema imunológico se mobiliza contra a mielina, criando uma resposta auto-imune semelhante à da esclerose múltipla. No entanto, a doença não se apresenta neste modelo da mesma forma em que se apresenta nos pacientes humanos - a maioria dos modelos de rato sofrem um único pico inflamatório, que os deixa com sintomas como a paralisia permanente das pernas. O dano pode ser detectado na medula espinhal, mas não no cérebro.

"Descobrimos que, quando lhes demos a mesma injeção de proteína mielina, um modelo de rato que desenvolve diabetes tipo 1, apresentará, ao contrário, picos de respostas inflamatórias semelhantes aos da esclerose crônica progressiva, com recaídas" disse Frenkel. Os ratos também sofrem lesões cerebrais, além de danos na medula espinhal, tornando-se um modelo mais viável para o estudo e para o desenvolvimento de um tratamento para a esclerose múltipla nos seres humanos.

Usando uma máquina de ressonância magnética especial para animais pequenos, os pesquisadores acompanharam cada modelo de rato ao longo de vários meses, observando a atividade cerebral e o desenvolvimento das lesões correspondentes aos picos de inflamação. As lesões e a inflamação no cérebro podem ser acompanhadas da mesma maneira dentro destes animais e em humanos com esclerose múltipla, disse Frenkel. "Agora, podemos acompanhar as diferentes fases que ocorrem depois que a resposta auto-imune já está desencadeada, e olhar para diferentes alvos que não só ajudarão a aumentar a recuperação, mas a evitar mais danos também", ele disse.

 

Transformando recuperação temporária em reparo permanente

Atualmente, todos os medicamentos aprovados pela FDA no mercado para tratar a esclerose múltipla foram desenvolvidos utilizando modelos de rato tradicionais. Seu foco é atrasar os sinais clínicos da doença causada pela auto-imunidade, aumentando o tempo entre os ataques. Até agora, este método levou a uma correção temporária, mas não a uma cura. Com seu modelo de rato alternativo, Frenkel disse que os pesquisadores podem recolher mais informações sobre como o cérebro cura-se depois de um ataque, e começar a desenvolver opções de tratamento que imitem este processo de recuperação natural - transformando a recuperação temporária em reparo permanente.

"Com o uso da ressonância magnética, podemos acompanhar as lesões cerebrais dentro do modelo de rato, e caracterizar o processo de recaída", disse Frenkel. Eles já começaram a desenvolver tratamentos com sucesso inicial. "Estamos procurando maneiras de incentivar as células da glia - células cerebrais que apoiam os neurônios - a promover a reparação do cérebro", disse ele.


Isaude. net

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