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Saiba Mais: Diabetes

Alerta é da rede de clínicas odontológicas Odontoclinic: Uso de medicamentos anestésicos e antiinflamatórios, o próprio nervosismo de consultar o dentista e a má cicatrização são problemas que podem ser agravados em pacientes portadores de hipertensão ou diabetes

Doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão atingem uma parcela muito grande da população brasileira. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 11% dos brasileiros possuem esta doença. Já o Ministério da Saúde estima que 40% da população acima dos 35 anos sofre com a hipertensão. São também vários os pacientes que possuem as duas doenças concomitantemente.

Além de cuidarem da saúde com médicos especializados, os portadores de diabetes e hipertensão precisam de cuidados especiais quando procuram por um tratamento odontológico. Conforme conta o Dr. Gabriel Haddad Kalluf, dentista da Odontoclinic, quem sofre destas doenças precisa contar esse fato ao especialista logo na primeira consulta. "É durante a primeira conversa que o dentista faz a anamnese, uma análise do paciente na qual são observados todos os aspectos de sua condição física. É aí que serão decididos quais os procedimentos, anestésicos e medicamentos utilizados no tratamento do paciente", explica o odontologista.

Dr. Kalluf, especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, atua na Odontoclinic de Uberlândia (MG), e conta que todas as 50 unidades desta rede de clínicas odontológicas estão preparadas para atender aos pacientes especiais. "Somente as clínicas que possuem estrutura adequada podem atender aos portadores de diabetes e hipertensão corretamente. Os dentistas sem preparo podem colocar estes pacientes em risco, já que eles são suscetíveis a complicações que pessoas saudáveis não estão sujeitas", alerta. O dentista dá mais detalhes da situação de cada doente:

O paciente diabético

Problemas mais comuns no tratamento dentário - Quando em uso de insulina ou hipoglicemiantes orais, os pacientes estão sujeitos a acidentes hipoglicêmicos, como taquicardia, agitação, tremores e sudoreses quando os procedimentos dentários são demorados, impossibilitando a alimentação.

Cuidados que o dentista precisa tomar - Em função dos problemas citados acima, esses pacientes devem ser agendados em intervalos de refeições, preferindo-se consultas repetidas a atendimento único e prolongado. Muitas vezes, a presença de focos de infecções orais denunciam que estes pacientes estão descompensados, apesar de estarem tomando sua medicação e fazendo dieta. Isto requer uma atenção especial do dentista, no sentido de encaminhá-lo para novas avaliações com o endocrinologista.

Situação para interrupção ou descontinuidade do tratamento - Ao se diagnosticar valores referenciais glicêmicos menores que o normal (70mg% a 110mg%), acompanhado de sinais e sintomas como sudorese, palidez, taquicardia, nervosismo, tremores e hiperpnéia, ou com alterações de personalidade como cefaléia, sonolência, apatia, crise se ausência, deverá ser administrada solução contendo glicose, imediatamente (suco de laranja, coca-cola, etc.), com o objetivo de reverter o quadro de hipoglicemia. Se ocorrer perda de consciência, o serviço médico de emergência deve ser contatado. A administração de 2cc glicose a 20% IV, geralmente reverte o quadro. Quando as concentrações de glicose no sangue estão acima de 200 mg %, os pacientes só podem ser operados sob extrema vigilância médica.

Problemas dentários agravados pelo diabetes - O diabetes piora alguns quadros odontológicos, principalmente as doenças inflamatórias relacionadas à gengiva e tecidos adjacentes. Devido à dificuldade de defesa contra infecção e cicatrização deficiente nos diabéticos, os problemas gengivais, como gengivites e periodontites, são mais difíceis de serem tratadas gerando, muitas vezes, frente a uma higienização precária, a perda dos dentes. Outra manifestação comum é a candidíase (doença causada por fungos).

Halitose, outro problema típico do diabético - O mau hálito, ou halitose, é outra complicação desta doença. Esses pacientes, normalmente, apresentam um hálito bastantes cetônico, de odor doce e frutado. Bochechos com enxaguatórios bucais produzem melhoras sintomáticas e temporárias, assim como uma adequada higiene oral e controle de placa bacteriana.

Cicatrização e medicamentos - De forma geral, a cicatrização do paciente diabético é deficiente devido ao menor número de células de defesa que circulam no local da ferida, por isso deve-se atentar para o uso de antibióticos antes e depois do procedimento cirúrgico, bem como um cuidado especial com a higienização pós-operatória, pois o risco de infecção nestes pacientes é maior. O uso de antiinflamatórios não-esteróides e, sobretudo, os corticóides, não são indicados para pacientes diabéticos pois levam ao aumento da glicemia, bem como alguns anestésicos contendo adrenalina.

O papel do cirurgião dentista - O cirurgião dentista também é responsável pela qualidade de vida, prevenção de complicações da doença e compensação da glicemia do paciente portador de diabetes. Não podemos deixar de esquecer a função de educador que o profissional deve exercer neste paciente, para isso deve estar devidamente qualificado para tais funções. É importante salientar que o tratamento deste paciente é multidisciplinar, sendo de fundamental importância o encaminhamento ao endocrinologista para avaliação e controle já na primeira consulta e sempre que se for intervir em procedimenros odontológicos mais invasivos como cirurgia, perodontia, endodontia e implantes.

O paciente hipertenso

Problemas mais comuns no tratamento dentário - Problemas locais, como sangramento excessivo e problemas sistêmicos em nível cardíaco e cerebral.

Cuidados que o dentista precisa tomar - Os cuidados são diversos mas, na primeira visita, o mais importante é sempre aferirmos a pressão arterial (PA) do paciente, e nos certificar que se trata de um paciente compensado (fazendo uso de remédios para tratamento da hipertensão). Também é preciso manter contato com o médico que o acompanha. A ansiedade é outro aspecto importante que deve ser controlado, também por meio de medicamentos.
Situação para interrupção ou descontinuidade do tratamento - Não se deve intervir em pacientes com a PA acima de 140/95 mm/Hg e/ou em pacientes hipertensos não medicados. Se for detectada PA neste valor ou acima, mesmo em pacientes medicados, deve-se protelar o procedimento e lançar mão de medicamentos ansiolíticos (para controle da ansiedade).
Cicatrização e medicamentos - Ao contrário do paciente diabético, o hipertenso não tem problemas de cicatrização. Porém, em relação ao uso de medicamentos, não é indicada a utilização de anestésicos locais contendo adrenalina ou noradrenalina, entretanto sua contra-indicação absoluta cabe apenas para hipertensos graves, sendo que, para pacientes tratados este pode ser utilizado racionalmente. Outros medicamentos prescritos rotineiramente nos consultórios, como antiinflamatórios contendo sódio, podem contribuir para a elevação da PA.


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