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04/09/2007
Controle da pressão reduz em 18% morte de diabético

Pesquisa feita com 11 mil pessoas de 20 países com medicamento que alia diurético a droga para pressão demonstrou eficácia do tratamento.

Controlar a hipertetnsão é a recomendação de qualquer médico para seus pacientes. No caso dos diabéticos com o tipo 2 da doença - a mais freqüente -, uma pesquisa revela que diminuira pressão arterial para uma média de 13,5 por 8 pode reduzir em 18% as mortes por doenças coronarianas, como o enfarte.

A pesquisa, publicada na revista The Lancet e apresentada ontem Viena durante um congresso de cardiologia, utilizou um medicamento que combina duas drogas para o controle da pressão arterial: a indapamida (diurético) e o perindopril (redutor de pressão com ação sobre hormônio ECA - Enzima Conversora da Angiotensia). No estudo, a pressão dos pacientes foi reduzida até 13,4 por 7. Os resultados deixam claros os benefícios. Cerca de 40% dos pacientes diabéticos morrem de problemas cardíacos. Além disso, a doença que se caracteriza pela resistência à ação da insulina e normalmente é associada à obesidade e fatores hereditários – aumenta em 10% a probabilidade de morte por doenças do coração.

Realizada com mais de 11 mil pessoas em 20 países, como o Canadá, Austrália, China e França – o Brasil não participou -, o estudo Advance (siga em inglês de Ação em Diabetes e Doença Vascular) é o maior já realizado para avaliar a relação da doença com os problemas cardiovasculares.

Além da diminuição das mortes por doenças coronarianas, o uso das drogas reduziu em 14% o índice total de mortalidade, de hospitalização por eventos coronarianos e de cirurgias para a desobstrução de artérias. As mortes por problemas renais diminuíram 21% no grupo de pacientes que utilizaram o medicamento.

Comprovação 

Segundo Maurício Wajngarten, diretor da Unidade de Cardiogeratria do Instituto do Coração (Incor), o Advance dá respaldo a uma suspeita dos médicos. “Só não tínhamos uma comprovação científica”, diz.

Wajngarten afirma que um dos méritos do estudo é utilizar uma droga disponível no mercado. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não fornece o medicamento. O custo mensal do tratamento é de cerca de R$ 60.

Outro bom resultado obtido na pesquisa é a redução do número de compridos utilizados no tratamento da hipertensão, uma vez que o medicamento combina com as duas drogas. “Um dos grandes problemas é a pouca adesão do paciente ao tratamento”, diz Jorge Pinto Ribeiro, chefe do setor de cardiologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.    

O Estado de São Paulo

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