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29/04/05
Recife usa método inédito com células-tronco

São Paulo será o próximo Estado a utilizar a técnica para tratamento de nervos periféricos

O policial militar Jaílson Monteiro, de 30 anos, submeteu-se ontem, no Hospital S.O.S. Mão,no Recife, a uma cirurgia com o uso de células-tronco para a reconstrução de nervos periféricos - método inédito no mundo que foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Medicina da Puc do Rio Grande do Sul Jefferson Braga Silva e aplicado agora também pelos médicos pernambucanos Rui Ferreira e Mauri Cortez. A expectativa é de que Jaílson recupere em pouco tempo o movimento do ombro, do braço e da mão esquerdos, afetados por lesões no nervo radial (no braço) e no plexo braquial (conjunto de nervos localizados no pescoço) sofridas em um acidente de moto em dezembro. A técnica foi usada pela primeira vez no Nordeste há oito dias, no mesmo hospital, quando o estudante Édson Tiago Xavier de Souza, de 18 anos, e o auxiliar de almoxarife Redivaldo José da Silva de 37, se beneficiaram da cirurgia, que não apresenta risco de rejeição - as células-tronco são retiradas da medula óssea do paciente -, e oferece uma recuperação muito mais rápida das funções do nervo afetado. A primeira cirurgia do gênero no mundo foi realizada em fevereiro, no Rio Grande do Sul, Braga Silva, especialista em cirurgia da mão e microcirurgia reconstrutiva, e conseguiu restabelecer a ligação de um nervo rompido na altura do antebraço de um paciente de 22 anos. A recuperação do movimento dos dedos se deu um mês e meio depois da cirurgia, quando pelo método tradicional seriam necessários pelo menos seis meses. Depois de Rio Grande do Sul e Pernambuco, São Paulo será o próximo Estado a realizar cirurgia em nervos periféricos com células-tronco. Os dois especialistas pernambucanos serão os responsáveis pela intervenção, que deverá ocorrer em maio, no Hospital especializado de Ribeirão Preto. Redivaldo José da Silva sofreu um corte no pulso direito, em um acidente de trabalho no dia 16 deste mês e se submeteu a essa cirurgia no dia 21, no S.O.S. Mão. Ontem, quando foi refazer o curativo, afirmou que já sentia os dedos da mão direita que haviam ficado sem movimento. Ele se submete a sessões de fisioterapia e, otimista, espera podre voltar logo ao trabalho. Setenta por cento dos acidentes de trabalho comprometem a mão, segundo Mauri Cortez. As cirurgias demoram em média sete horas- incluindo o período de retirada do sangue da crista ilíaca (localizada nos ossos da bacia) e o procedimento no laboratório para a separação das células-tronco. A terapia é destinada a pessoas que não foram operadas na urgência e perdem um segmento do nervo, que atrofia com o tempo. Ate a descoberta do médico gaúcho, a religação das extremidades do nervo rompido era feita com um tubo de silicone vazio ou com substâncias neurotróficas (que promovem o crescimento do nervo dentro do tubo). Com a injeção das células-tronco preenchendo este mesmo tubo de silicone, a estrutura do nervo lesado é restabelecida em menor tempo e sem risco.

O Estado de São Paulo

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