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15/05/2012
Veneno de caracol marinho pode levar a nova abordagem contra o diabetes tipo 2.

Estudo demonstra que um peptídeo específico (Conkunitzin-S1) é capaz de alterar a liberação de insulina nas células pancreáticas

Os caracóis cone são predadores do mar. Eles capturam peixes, injetando um veneno na presa que consiste de coquetel de diferentes substâncias. Os componentes individuais do veneno dos caracóis, os chamados conopeptides, são conhecidos por suas potenciais propriedades farmacológicas. Um exemplo é Ziconotid (Prialt), um conopéptido prescrito como medicamento contra dor. Em colaboração com cientistas do Canadá e dos EUA, pesquisadores das universidades de Kiel, Lübeck, e Göttingen, na Alemanha, examinaram o veneno do caracol Conus striatus cone. Eles foram capazes de provar que um peptídeo específico (Conkunitzin-S1) altera a liberação de insulina nas células do pâncreas.

Resultados foram publicados recentemente na revista científica EMBO Molecular Medicine.

Segundo o pesquisador envolvido no projeto Heinrich Terlau, a descoberta tem potencial para conduzir ao desenvolvimento de uma nova abordagem para tratar o diabetes tipo 2.

"A ação de algumas substâncias normalmente utilizadas no tratamento do diabetes do tipo 2 independe do nível de glicose no sangue. Isto pode levar a baixa glicose no sangue, também conhecida como hipoglicemia. O que há de novo sobre esta substância é que ela tem um efeito muito específico. Devido a este fato, a probabilidade de efeitos secundários, tais como a hipoglicemia é mínima", diz Terlau.

Quando a glicose entra no sistema digestivo, as células pancreáticas liberam insulina. O açúcar é então quimicamente quebrado no sangue. Em pacientes com diabetes tipo 2 esse mecanismo é perturbado, pois eles sofrem de um nível excessivo de açúcar ou hiperglicemia. A substância recém-descoberta, conopéptido Conkunitzin-S1, se liga a um canal específico de potássio nas células pancreáticas e conduz a uma libertação temporariamente aumentada de insulina, mas apenas se o nível de açúcar no sangue estiver aumentado.

Após testes orais de tolerância de glicose em ratos, os cientistas descobriram que o peptídeo Conkunitzin-S1 não conduz à hipoglicemia. Em outras palavras, os efeitos secundários típicos de alguns medicamentos contra o diabetes tipo 2 não ocorrem com a substância encontrada nos caracóis cone. "Estamos trabalhando em uma maneira de administrar o peptídeo por via oral", conclui Terlau.


Isaúde.net

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