» Colunas » Saúde

03/02/2021
Coronavírus:Atividade física não evita agravamento

A prática regular de atividade física não é fator determinante para evitar o agravamento da covid-19, informa estudo. Em caso de contaminação, os benefícios adquiridos pelos exercícios físicos diminuem conforme a doença se agrava e os fatores de risco se tornam preponderantes. A pesquisa foi realizada com cerca de 200 pacientes na faixa etária de 55 anos, majoritariamente com comorbidades e diferentes níveis de atividade física, internados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital de Campanha do Ibirapuera.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, o professor Bruno Gualano, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP e especialista em Fisiologia do Exercício, explica que, conforme a covid-19 se agrava, a proteção do exercício físico é reduzida e os fatores de risco se tornam preponderantes, como a idade avançada e doenças crônicas já associadas aos quadros graves da infecção. “A prática de atividade física confere certo benefício para o paciente leve. No entanto, na medida em que a doença evolui, essa proteção diminui e aumenta a contribuição de outros fatores que já são conhecidos.”

A prática de exercício físico é favorável e colabora para a boa evolução do quadro clínico de diversas doenças e na abreviação do tempo de hospitalização e de internação em Unidade de Terapia Intensiva. Já no caso da covid-19, por ser uma doença infecciosa, o estudo verificou que a prática de atividade física não necessariamente é benéfica ou garante o não agravamento do quadro clínico: “O exercício físico diminui a prevalência das condições crônicas associadas ao agravamento da covid-19, porém, não é um elixir. O exercício físico regular não confere proteção absoluta ao paciente com covid-19, o tal do histórico de atleta não está imune à doença e seus efeitos”, informa o especialista.

Para Gualano, a atividade física é importante para reduzir fatores de risco que não só podem agravar a covid-19, mas também outras doenças. Contudo, é importante não associar a prática com uma suposta imunidade plena à covid-19. Atletas profissionais geralmente são acometidos por quadros leves da infecção, o que está atrelado ao alto nível de atividade física, alimentação regrada e estilo de vida saudável, diferente da população em geral. “Não podemos nos comparar a esses atletas. Não somos atletas profissionais e não podemos tomar como verdadeiro o que acontece com eles. Não existe fator protetivo absoluto contra o agravamento da covid-19. O estilo de vida em si não é um fator de proteção absoluto”, finaliza.


Jornal da USP

Leia outras matérias desta seção
 » Vacinas com vírus desativados protegem mais
 » Aterosclerose e seus fatores de risco
 » Vacina em crianças
 » Câncer de tireoide em mulheres, superdiagnosticadas?
 » Leuclopasia oral
 » Melatonina
 » Covid19 - O pesadelo vai continuar em 2022 ?
 » Vacina: A importância da 3ª dose
 » USP isola variante do ômicron
 » Alzheimer x Viagra (sildenafil)
 » Um copo de água a cada refeição?
 » Ômicron o novo pesadelo
 » Semaglutida para emagrecer compensa ?
 » Inflamação sistêmica
 » Corticoide x escorpião amarelo
 » Antibióticos x bactérias resistentes
 » Aditivos químicos nos alimentos
 » Dedos de covid
 » Carambola uma fruta neurotóxica
 » Cardíacos e Idosos muita cautela em tomar Aspirina


Voltar