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Um novo laboratório para os olhos

Com perspectivas otimistas, Unifesp começa a investigar o uso de células-tronco no tratamento de doenças e danos oculares

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) inauguraram ontem um laboratório para investigar o uso de células-tronco no tratamento de doenças e danos causados aos olhos. Os estudos ainda são preliminares, mas com perspectivas otimistas de aplicação para os próximos anos. Os clientes já sabem que o olho contém populações de células-tronco adultas, que podem ser cultivadas in vitro e usadas na regeneração de tecidos oculares danificados. "Por tratar-se de um órgão duplo, há uma grande facilidade de cultivar células de um olho e passar para outro", diz o presidente do Instituto da Visão da Unifesp, Rubens Belfort, que vai coordenar o Centro Avançado de Superfície Ocular (caso) com o colega José Álvaro Pereira Gomes. "Dessa forma, é provável que a tecnologia esteja disponível mais cedo para os olhos do que para outros órgãos." Se tudo correr bem, as células-tronco poderão ser usadas em transplantes de córnea e no tratamento de uma série de doenças, como glaucoma e degeneração macular, além de queimaduras. Não só de um olho para outro, mas entre pacientes. Segundo Belfort, células-tronco oculares já foram isoladas da periferia da córnea, entre as partes transparente e branca do olho. Os cientistas também acreditam, ser possível cultivar células indiferenciadas da retina, que poderiam ser induzidas in vitro a se transformar em outros tipos de tecido ocular. "Esse é o foco da pesquisa para os próximos cinco a dez anos", afirma Belfort. A técnica, segundo Gomes, já está sendo aplicada em alguns países, como Japão, Inglaterra e Itália. Mas não no Brasil. A idéia do centro é justamente incentivar e coordenar as pesquisas nesse sentido, em parceria com laboratórios brasileiros e estrangeiros. "A função primordial é fazer o cultivo de células-tronco da superfície da córnea", destaca Gomes. "São células que todo mundo têm e que são necessárias para a regeneração da superfície da córnea ao longo da vida, semelhante ao que ocorre na pele." O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e os cientistas já trabalham em colaboração com colegas de Cingapura, Estados Unidos e Canadá. Polêmica As células-tronco são células em estágio indiferenciado - como uma carta curinga -, que mantêm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo. Elas podem ser encontradas em vários tecidos adultos - como o olho e a pele - e no sangue do cordão umbilical. A grande polêmica, entretanto, está nas células-tronco embrionárias, que possuem maior poder de diferenciação, mas que só podem ser obtidas a partir da destruição de embriões humanos. O uso terapêutico das células-tronco é uma das maiores apostas da ciência para as próximas décadas. Pesquisadores acreditam que elas poderão ser usadas no tratamento de uma série de doenças graves, como Parkinson e Alzheimer, e na regeneração de tecidos danificados, como no caso de enfartes.

O Estado de São Paulo

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