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05/11/2007
O Futuro

Folhas de tabaco geneticamente modificado para produzir insulina dadas a roedores com diabetes tipo 1 levaram à cura da doença depois de oito semanas. O resultado obtido por Henry Daniell, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, renova as esperanças de quem depende de injeções diárias de insulina.

- Em dois anos, com o fim esperado dos testes em humanos, pacientes com diabetes tipo 1 poderão experimentar alívio permanente da doença - estima Daniell.

Primeiro, o pesquisador aplicou técnicas de engenharia genética para criar tabaco capaz de sintetizar o hormônio humano insulina. A planta foi escolhida pela velocidade de seu crescimento e facilidade de manipulação. Células retiradas do tabaco alterado e congeladas foram administradas a ratos com cinco semanas de vida portadores de diabetes tipo 1. Ao fim da avaliação, dois meses depois, todos apresentaram níveis normais de açúcar em sua corrente sangüínea e na urina. As células beta, localizadas no pâncreas e responsáveis pela produção de insulina, haviam se regenerado e voltado a funcionar normalmente.

- Os benefícios se mantiveram por toda a vida dos ratos, que não sofreram com uma recidiva da doença - completa Daniell. - O estudo também demonstrou a possibilidade de o medicamento injetável ser substituído por uma cápsula, facilitando o dia-a-dia do paciente e dispensando a ajuda de profissionais para a aplicação do hormônio.

Como pesa um estigma negativo sobre o tabaco, o pesquisador americano planeja modificar pés de alface para o mesmo fim. Os resultados foram divulgados no periódico científico Plant Biotechnology Journal.

Maria Elizabeth Rossi da Silva, assistente-doutora do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que já existem outros estudos como o de Daniell.

- Há várias tentativas com o uso de imunosupressores e imunomodulares, que buscam enganar o sistema imunológico e impedir a agressão ao pâncreas característica do diabetes tipo 1. Só que nenhuma apresentou resultados seguros e sem efeitos colaterais para uso clínico - revela.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o organismo não reconhece como suas determinadas células passando a atacá-las e destruí-las. Tem fundo genético, mas para o aparecimento dos sintomas certas condições ambientais também precisam ser preenchidas.

De acordo com Maria Elizabeth, ao contrário do diabetes tipo 2, associado à obesidade e ao sedentarismo, os fatores ambientais causadores do diabetes tipo 1 não estão claros. Suspeita-se que a introdução do leite de vaca na dieta antes dos três meses de vida, a infecção por vírus coxsackie e a exposição a pesticidas favoreçam a doença. Crianças e adolescentes são os mais suscetíveis ao diabetes tipo 1, presente em 0,7% da população brasileira.

ADJ (www.adj.org.br)

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