28/03/2016
Poesia

Hoje não quero escrever nada bonito.
Não quero filosofar sobre a vida decapitante.
Não falarei das flores nem do céu.
Não direi de seus olhos esfuziantes e sua pele reconfortante.
Não agradarei seus ouvidos ou seu corpo.
Não trarei seu café quente para ver seu sorriso “caliente”!
Eu quero despegar minha mente.
Minha mente já doente pelo sempre veemente!
Diferente e infamemente infiltrando todos os “entes” em meu ser demente e complacente!
Ahhhh! Ultrajante vontade de desopilar! Despejar, descomungar, arrasar, atravessar!
Este eu tão ressequido, ressacado, receoso, complicado!
Pelo mau amado, mau olhado, atorado, atormentado encarcerado!
E, neste marasmo busco meu abismo onde o “ismo” é infinitamente ismo e milhões de vezes ismo ecoados neste abismo, contundido, torcionado, incompreendido.
Não há rosas, nem jardins!
Não há pescas nem pescados!
Não há sombras nem desertos!
Há apenas meu cansaço, meu rechaço!
E minha poesia vai ao equivocado.
Este equivocado e calejado significado de amor ingrato.

Daniele de Cassia Rotundo
 



Leia outras matérias desta seção
 » João, Pedro e Rita - parte II
 » O mês do cachorro louco
 » O peso das coisas
 » João, Pedro e Rita
 » E se tudo isso não passar
 » Diário caótico sobre o coronavírus
 » Oração de aniversário
 » Encontros & Desencontros II
 » Encontros & Desencontros e o tempo
 » O tempo e a mulher do espelho
 » A mulher do Espelho
 » Sou mas quem não é (pirada)
 » Biblioteca
 » Carta para os olhos vazarem
 » Férias no paraíso, pero no mucho.
 » A dificuldade de recomeçar
 » Texto exclusivamente feminino
 » Meu Amigo!
 » O incêndio no Museu Nacional
 » Diário de uma jovem Mãe

Voltar