08/07/2016
Despertemos!

“Hoje, em meio ao sono persistente, o sol a entrar pela fresta da janela a saludar sorridente e insistente, o canto alegre e palpitante dos pássaros, um acordar distinto tomou forma em meu corpo.

Ainda enebriada pela sensação de meu corpo, apapalpei meus olhos como se há muito séculos não o fizera. Senti minhas pernas vivas e meus braços leves caídos sutilmente sobre meu peito.
Onde estive?
As cores eram insistentes mas a consciência distorcida do que era a realidade, ainda sentiam um cinza pairando por meus pensamentos.
Aqui estamos ! Eu e você! Minha alma dilacerada pela insensatez da mente doentia em viver sem sentido havia adormecido por tempo longínguo e nada mais que uma falsa parte da verdade de meu ser perambulou pelo mundo por anos a fio!”

Despertar.
Despertar o corpo.
Despertar.
Despertar a alma.
Que rara insensatez atormenta o dormir acordado constantemente?
Que fraca vontade de superar-se pode ser mais ofuscante que a força de um completo êxtase pela vida?
Que medos indiscriminados nutrem a cegueira daquele que crê veementemente num andar automático pelas páginas da vida?
Que tanta importância têm a gana coletiva em ser um “ser” robotizado pelos comportamentos já descritos, pelas idéias já pensadas, pelas músicas já escritas, pelos poemas já recitados, pelos descobrimentos já ultrapassados?
Onde você dorme todas as noites?
Em seus sonhos?
Em sua frágil veracidade copiada de um modelo retorcido e muito descomposto de essência lúcida?
Você dorme ou nunca dormiu porque não despertou?
Despertou? De onde? Para onde?
Sua matéria carnal levantou-se e agitadamente seu dia foi consumido pela estressante vida qualificada como desumana no mundo dos supostos acordados?
Onde está esta pessoa pensante capaz de não se subjulgar ao hoje premeditado?
Dormindo? Ou supostamente desperto?

Não sabe!?
Despeje suas agonias no lixo das crenças falsas do que não faz sentido em seus ouvidos íntimos.
Desopile seus olhos das imagens que ferem seus olhos.
Despreze as indagações supérfluas que pesam em sua garupa.
Embargue o obcessivo.
Arranque o vestuto do cotidiano.

O que vê?
O que sente?

Agora responda-se: Está desperto ou dormido?

Despertemos!


    Daniele de Cássia Rotundo



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