16/05/2017
As palavras matam ou morrem ?

“A palavra é o começo, a criação, luz e vida, fez do Universo existência unânime. É poder”!

Mas as palavras matam ou morrem incontestavelmente,

bem elaboradas ou sintetizadas.

As palavras matam quando faladas, caladas, escritas, cantadas, atoradas na falange das cordas vocais viscerais quase incontidas mas já por lástima estranguladas, asfixiadas.

Matam quando não proferidas, atrofiadas nas células, átomos, em cada esquina, beco, não consentem o corpo que já não respira, não expande o que a mente grita atonicamente num pedido de socorro diante o suicídio iminente de sua expressão maior.

Matam quando a insensatez faz de nossas bocas o veículo de nossos sentimentos aturdidos, inebriados de paixões e molestas de ébrias contradições.

Mas estas mesmas sensações se destrocariam, se vomitadas num escandaloso ato de ditas letras, pelo desafogo deste mesmo amor ardente e estratificada exclusão sem sentido premeditado.

As palavras bem-nascidas em uniforme bioenergia desmistificam a matança e maquiam, maquinam, arquitetam, zombando do defunto a ser velado.

E se pensou que foram bem ditas: jaz no sepulcro pela mácula da lesão de ter ouvido.

Encestadas nos audífonos ou amordaçadas num ossículo, usurpam da liberdade de serem proferidas ou moem a fonação em mortífero naufrágio de real mas já enigmática escultura da manifestação.

E assim, sempre é uma incessante violação. Indolentes, preguiçosas mentes metodizam o que pode ou não pode ser sacralizado, seja em forma de oração ou grito no matagal ressentido das emoções.

Se desarticuladas (as palavras), ainda estão sujeitas ao deboche ou a má interpretação; e a chacina nesta angulação, precedente à boa intenção, é fria e sem conjuração.

Não há como redarguir. Será finita a existência deste conjuro de sílabas em explosão festiva ou asfixia quieta.

Morrem, matam, e de cadáver com mortelho aí estarão. Cedo ou tarde, não ha exceção.

Descontroladas, não são dilatadas e decompõe vagarosamente a carne cansada de fazer deste instrumento de trabalho ambulante e perambulante ator no teatro de quinta monologando sem audição.

Decompõe a vã ilusão de um ilusório viver. E já sem elas, na há vida de verdade na vastidão do “não dito” por assim dizer.

Ahhhhh….mas quando desenterradas destas goelas mal amadas, deixam a gente espantada e o júri zombará da fraqueza do palavroso, e em enfadonha sentença ,extinta já estará.

E se há desdizer matam porque com inverossímeis verdades não podem conviver.

Escritas então: prova de fato, de um farto conceder. Disfarçam as amarguras ou sustentam alegrias não benvindas no caos deste sobreviver.

Ditas, não ditas, escritas, matam por querer dizer ou pelo silencio do que dizer.

Sacoleiros de sílabas chicoteadas, uma pequena constipação será seu letal fim no mundo das palavras que matam ou morrem nesta interminável peregrinação.

“A palavra é o começo, a criação, luz e vida, fez do Universo existência unânime. É poder”!

A palavra pode matar, tem o poder de gerar.

Difamatória e reflexo também de nossa destruição.

Entre a santidade e a eterna peregrinação.

Força plena da auto explosão.

 

Daniele de Cassia Rotundo



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