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30/01/2012
Riscos que o Brasil corre em 2012

Fatores externos e internos podem afetar a economia

 

Fonte:http://operacoescambiais.terra.com.br/noticias/operacoes-empresariais-2/riscos-que-o-brasil-corre-em-2012-365

Apesar de, em 2011, o Brasil não ter sofrido muito com a crise que afeta os Estados Unidos e a Europa, o governo precisa ficar atento aos perigos acarretados por fatores econômicos internos e externos que podem afetar a economia brasileira em 2012.

Fatores externos

Mauro Rochlin, Professor do MBA em Economia Empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que a crise da dívida europeia coloca em risco a continuidade da economia brasileira em ritmo mais forte. Isso porque, segundo ele, se a crise for agravada, o investimento direto estrangeiro pode ser reduzido, considerando que parte importante do capital produtivo que entra no país tem como origem a Europa.

Allexandro Coelho, coordenador dos cursos de economia e relações internacionais da FECAP, também afirma que o Brasil deve preocupar-se com a crise pelo aspecto de que países europeus são parceiros importantes e a redução de suas atividades tem impacto nas exportações brasileiras.

Porém, para ele, se a crise mantiver-se amena, o que se espera é que, em 2012, os problemas econômicos europeus tragam investimentos para países emergentes, fazendo com que a taxa de câmbio fique valorizada e que seja preciso menos reais para comprar dólares.

Apesar de ser uma boa notícia, a taxa de câmbio em alta também pode ser um risco. O problema, afirma Coelho, é que o Brasil pode acabar perdendo competitividade. “Se a taxa de câmbio estiver valorizada, o Brasil exportará menos e importará mais. Assim sendo, o consumidor brasileiro terá à disposição produtos importados que devem ser, inclusive, mais baratos que os nacionais. Se isso acontecer, a indústria corre perigo”, diz. Para proteger-se, neste caso, o Banco Central terá que manter operações de compra de dólar para sustentar a taxa de câmbio alta.

Rochlin concorda que o câmbio valorizado representa risco de exportação de manufaturados e coloca em risco crescimento industrial. Porém, o professor lembra que o câmbio voltou a desvalorizar-se e, para ele, é pouco provável que a valorização cambial seja motivo de preocupação a curto prazo. “Se o câmbio mantiver o nível que apresenta hoje – não tão alto e não tão baixo a ponto de afetar a indústria –, o Brasil pode ficar em uma posição relativamente confortável”, diz.

Fatores internos

Para Coelho, o risco mais óbvio que o Brasil corre neste ano é de a inflação não ir de acordo com o esperado. Em 2011, a inflação fechou com índices acima do teto da meta e, segundo ele, embora os índices acumulados tenham uma boa trajetória, é muito cedo para saber se, em 2012, será possível aproximar-se dos esperados 4,5%.

Coelho conta que o fator que mais influencia o índice de inflação é o consumo da população, que pode aumentar em 2012, com a elevação de 14% no valor do salário mínimo. “É um aumento considerável e as pessoas, frente a essa renda um pouco elevada, podem passar a fazer mais compras e acarretar em uma alta da inflação”, diz. Para proteger-se da elevação do índice, Coelho afirma que a indústria nacional deve parar os cortes, sustentar a produção e elevá-la nos próximos meses.

A preocupação de Rochlin, porém, é outra. Para ele, se a crise europeia atingir um nível extremo, pode também levar a uma dificuldade no sistema bancário europeu e resultar em redução de crédito no Brasil. O governo então, de acordo com o professor, deve estimular o consumo no país. “O gasto das famílias foi importante, inclusive, para crescimento do PIB dos últimos tempos. O governo tem que adotar uma política mais ousada, com foco no crescimento e menos preocupada com inflação”, opina.

Credibilidade é importante

Outro fator que pode afetar a economia brasileira, na opinião de Coelho, é a mudança no comportamento do governo. Segundo o coordenador, a economia está em uma boa trajetória em credibilidade do setor público, atraindo investimentos estrangeiros com taxas de crescimento interessantes.

Porém, se o Brasil não mantiver um plano de austeridade fiscal, perde sua credibilidade. “Todas as crises podem ter impacto importante, mas certamente não vai virar o Brasil de pernas para o ar. O que o Brasil precisa fazer é colocar-se como opção aos investimentos e não como mais um fator de risco”, afirma Coelho.


Mariana Aleixo Boani - Economista

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