» Colunas » Economia

28/06/2019
Lição de casa para os pseudo ecologistas

Reciclagem a única solução inteligente

Um exemplo a ser seguido. Alerta: matéria a ser lida só por pessoas que usam no mínimo 2% do cérebro.

Empresa se dedica à reciclagem de resíduos considerados difíceis.Da crescente demanda de empresas e consumidores por soluções sustentáveis nasceu a Boomera, empresa que se especializou em soluções para resíduos difíceis de reciclar.

Cápsulas de café descartadas são transformadas em suportes plásticos para novas unidades, fraldas usadas dão origem a lixeiras e cabides, e embalagens coletadas no mar do Rio de Janeiro viram cones para aulas de educação física.

São considerados difíceis de reciclar os materiais que misturam dois ou mais tipos de plástico no mesmo produto, segundo Guilherme Brammer, presidente da Boomera e engenheiro de materiais. Embalagens revestidas de alumínio, como as de biscoito, também pertencem à categoria.

A Boomera transforma resíduos considerados difíceis em matéria prima paraoutros produtos - Tecnologia de novos materiais, investimento em pesquisas científicas e impacto social são os pilares da Boomera, que faturou R$ 40 milhões em 2018. Pretende chegar a R$ 70 milhões neste ano.

Na cartela de clientes, estão Nestlé, Adidas, Natura, Unilever e Procter and Gamble. “A crise não chegou para nós, estamos crescendo todo ano”, afirma Brammer.

Fundada em 2011, a Boomera atrai empresas que queiram dar soluções sustentáveis para suas cadeias de produção. Após um estudo dos processos produtivos do cliente, é criada uma metodologia para coletar e transformar o lixo gerado.

A demanda para reprocessar materiais difíceis é levada para os engenheiros e pesquisadores da empresa. Para Orlando Cattini, professor de gestão de operações e logísticas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, empresas de logística reversa têm potencial de crescimento no Brasil.

O setor é responsável por reprocessar resíduos para que voltem para a indústria. De acordo com Cattini, a maioria dos catadores, agentes importantes para o funcionamento do setor, operam na informalidade, com equipamento precário e baixa remuneração. Nessas condições, explica o professor, menos resíduos são coletados e a reciclagem fica restrita a poucos produtos, como alumínio e papelão. Para ele, este cenário abre espaço para indústrias inovadoras que trabalham na formalidade e dão destino a outros tipos de materiais.

Cattini afirma que a política nacional de resíduos sólidos também é um incentivo ao setor de reciclagem por obrigar empresas a ter um plano para o lixo que geram. A lei de 2010 responsabiliza fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e cidadãos pelo manejo de resíduos sólidos urbanos.

Com matriz em São Paulo, a Boomera tem fábrica em Cambé (PR), cerca de 15 km de Londrina. É nesse local que transforma principalmente resíduos plásticos, mas também aceita pedidos de reciclagem de papel e aço, além de produtos eletrônicos.

“Algumas empresas que nos procuram já sabem o que querem reciclar. Mas, na maioria dos casos, desenhamos uma estratégia de acordo com a marca, o material e o momento da cadeia em que vamos atuar”, afirma Brammer.

O material gerado a partir do lixo, que pode ser uma matéria- prima ou um produto final, volta para o cliente ou é reaproveitado pela Boomera.

Um exemplo deste último caso são as lonas agrícolas feitas pela empresa com 70% de material reciclado. Segundo o presidente, elas são comercializadas em mais de 15 mil pontos de venda, como casas de construção.

O próximo passo, explica Brammer, é oferecer o aluguel das lonas em época de safra para que o material deixe de ser comprado. “A reciclagem é o primeiro ponto da economia circular, mas inovação também é não gerar lixo.

Queremos quebrar o ciclo vicioso de ter a posse de um produto.” Praticar a economia circular, segundo Daniel Guzzo, professor do tema no Insper, é uma forma de garantir a sustentabilidade de um negócio. Ele explica que tirar recursos da natureza os encarecem, afetando o custo dos produtos finais. Para Guzzo, flutuações no preço de insumos podem ser amenizadas quando os materiais são reaproveitados.

A Boomera tem 145 funcionários, entre engenheiros, químicos, publicitários, economistas, administradores e designers. Além disso, cerca de 200 cooperativas, que somam 6.000 catadores, são parceiras da empresa. Elas recebem treinamentos e equipamentos, como prensas e esteiras.

Brammer mantém ainda ligação com o meio acadêmico para levar inovação ao seu negócio. ABoomera tem um laboratório dentro do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), onde professores e alunos desenvolvem novos materiais a partir da reciclagem. “Não acho que a inovação esteja na cabeça de um gênio.

Ela nasce como uma ideia ainda pela metade e vai sendo construída com parceiros que a complementam”, diz o engenheiro.No segundo semestre deste ano, o presidente pretende lançar uma linha própria de produtos para o varejo, mas não antecipa detalhes.

A empresa está analisando se os itens serão vendidos em lojas físicas ou em ecommerce. A segunda fábrica da Boomera, desta vez em São Paulo, também será inaugurada em 2019. “Queremos tentar andar sozinhos agora e começar a ter projetos independentes de clientes e parcerias”, afirmou Brammer.

Fonte:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/empresa-se-dedica-a-reciclagem-de-residuos-considerados-dificeis.shtml


Edson Navarro-Economista

Leia outras matérias desta seção
 » Lei anti-corrupção completa 6 anos
 » Medidas Provisórias: andamento
 » MP da Liberdade econômica
 » eSocial adiado
 » Lição de casa para os pseudo ecologistas
 » A insaciável máquina do desperdício de dinheiro
 » Canudo plástico a bola da vez
 » CDI X CDB X LCA X LCI
 » Nada mudou! nem a velha política
 » Os Privilegiados da Previdência
 » Planos de Saúde antigos-Reajustes
 » Poupança: acordo é mais uma palhaçada?
 » Como comprar um carro sem impostos
 » Caieiras inchando....até quando?
 » Como penalizar ainda mais o contribuinte inadimplente
 » Haja fraude!
 » Investimento: qual o melhor ?
 » Burrice endêmica
 » Domésticas: 70% estão na informalidade
 » Superfaturamento ou o feijão folheado a ouro



Voltar