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19/09/2011
A morte santifica

Na semana passada foi noticiado o lançamento do livro: Os Últimos Passos de um Vencedor, de autoria de José Roberto Burnier, jornalista da Rede Globo.Trata-se da biografia do Ex-Vice Presidente da República José Alencar.Burnier, que acompanhou intimamente os últimos 5 anos de José de Alencar resolveu, com autorização da família é claro, homenageá-lo contando toda sua trajetória de vida desde a infância até seus últimos dias quando então, foi vencido pela doença.Não li o livro, nem pretendo ler. Não por desrespeito, mas por já conhecer a história de determinação, empenho e empreendedorismo  do ex vice.Não negaria jamais que foi um homem inteligente, ambicioso e convicto de suas próprias qualidades e capacidade de vencer empresarialmente e politicamente.Conseguiu chegar onde chegou por méritos, por astúcia e por possuir personalidade persistente ,amigável e  de grande diplomacia. Foi autodidata.Não cursou universidades.Soube se infiltrar, se relacionar e principalmente se adequar às circunstâncias que só lhe propiciaram sucesso.Mas na vida, nem os mais ricos, nem os mais inteligentes, nem os mais poderosos e nem os mais bem sucedidos estão livres das tristes armadilhas do destino ou da vontade divina como ele próprio afirmou em entrevistas.Nem todo dinheiro do mundo, nem os melhores cuidados médicos o livraram do drama.Seu sofrimento, durante anos com a doença, comoveu o Brasil.Sua luta emocionou os corações brasileiros.E como num passe de mágica,com sua morte, a mídia o santificou.Ninguém mais ousaria dizer qualquer coisa que desabonasse sua conduta.Ele havia morrido e partido deste nosso mundo.A doença foi seu cárcere,mas a morte sua santificação.A idolatria pela figura de José de Alencar foi tão grande que, o fato dele não reconhecer sua filha, fruto de um outro relacionamento, passou desapercebido . Seu corpo foi cremado,pois com isso a análise de DNA se tornaria mais difícil.Nos seus últimos dias de vida,chorando, falando em Deus,José de Alencar renegou publicamente a filha  e se recusou ao teste de paternidade .Não se sabe bem o porquê.Se por preconceito,por não aceitar que a mesma compartilhasse de sua herança ou se por vaidade,afinal ,heróis parecem não combinar com filhos extraconjugais.Nem a religiosidade , o amor ao próximo e os ensinamentos bíblicos sempre  mencionados por ele enquanto doente, foram capazes de mudar sua postura de herói.Eu leria sim sua biografia, se tivesse certeza de que não só o sucesso de um homem seria mencionado.Leria se nela houvesse não só a descrição de suas vitórias e conquistas,mas se houvesse principalmente a exposição de um homem verdadeiro,com fraquezas e imperfeições.Nenhum ser humano é só retidão e glória.Defeitos,erros e tropeços também fazem parte do viver e até experiências negativas acrescentam algum aprendizado útil. Nestes moldes sim, uma biografia tem sentido e fundamento..As pessoas não se identificam só com heróis ou santos, que só porque morrem, são reverenciados e idolatrados.O mundo se apoia em   homens reais, que se abstenham de seus preconceitos e que assumam com dignidade  todos os seus atos,sejam eles bonitos ou feios.Se inexplicavelmente morrer é santificar-se.Seremos abençoados .Nossos defeitos serão esquecidos,nossas qualidades  serão exaltadas e por alguma razão desconhecida ninguém se atreverá ao contrário. Criticar alguém que já morreu, parece que é e será sempre  uma profanação e um ultraje à memória.Seja de José de Alencar ou de qualquer outra pessoa ,pois morrer nos torna eternamente ídolos.
FATIMA CHIATI.



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