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30/12/2011
Triste realidade

Num noticiário de rádio da semana passada uma pessoa se dizia indignada com a formação de uma favela nas proximidades da Avenida Paulista. Dizia ser inadmissível que aquilo “manchasse” o maior e mais belo  cartão postal da cidade de São Paulo.Alguns dias depois outra notícia nos era informada sobre um grande incêndio na favela do Moinho que tristemente provocou a morte de 2 pessoas, além é claro de todo prejuízo material e psicológico dos que escaparam da tragédia. Coincidência ou não, os dois fatos me levaram a refletir  sobre o assunto. A região da avenida mais famosa da cidade é mesmo muito interessante,muito bem projetada.Nela se concentra um núcleo empresarial muito forte, poderoso e um comércio adjacente muito diferenciado e  elitizado.A Prefeitura também se empenha em manter a beleza e a segurança do local,fazendo tudo ali, funcionar bem.Na Paulista ,o poder do dinheiro fala mais alto.Na Paulista desfila-se o luxo, a alegria,os manifestos e os protestos.Na Paulista a realidade é oposta ao que acontece em outros locais de S.P. Daí   o interesse em preservá-la e apresentá-la como cartão postal. Mas, voltando ao noticiário,creio que o entrevistado foi infeliz na sua colocação em defesa da região mais nobre da cidade.Para mim a  existência de favelas vai muito além.Favelas, no meu entender, representam não só a desigualdade social, como acima de tudo a incompetência política de um país acostumado a empurrar o que é feio pra debaixo do tapete.Favela significa  falta de investimento em moradia decente.Favela atesta o descaso de governos acostumados a maquiar situações graves, principalmente em épocas de eleição.Não importa onde se estabeleça uma favela.Tanto faz ser na Paulista, no Morumbi ou na periferia de São Paulo.Quando  se forma, é sinal de que seres humanos estarão se expondo  aos riscos,às tragédias e ao  submundo da marginalidade.Favela para mim significa gente, também honesta,sem opção e sem alternativas de melhores espaços.Favela significa  sofrimentos, angústias e inseguranças .Mas o que fazer?Expulsar seus moradores?Jogá-los pra debaixo de pontes e viadutos? Colocá-los em abrigos sociais “ bondosamente” cedidos pelos órgãos públicos?É, parece ser difícil solucionar.Mesmo porque, se as favelas deixarem de existir, como se elegerão os políticos bonzinhos que acham que uma cesta básica resolve tudo?Enquanto existirem tragédias, existirão aproveitadores eleitos .A sociedade,não só deve reclamar como deve exigir soluções pois o maior problema de uma favela não está unicamente no aspecto visual.Existem os incêndios,a falta de saneamento básico,os desabamentos,a ausência de planejamento arquitetônico, enfim mil detalhes que tornam este tipo de moradia totalmente irregular e perigosa.Acho que antes de nos preocuparmos com um único cartão postal atingido, deveríamos parar e encarar esta triste realidade como a vergonha do país.Uma realidade que, parece sem controle, apesar do governo insistir em dizer que o Brasil está uma maravilha.Fome zero e todos estes chavões populistas e demagógicos só tapam o sol com a peneira. A verdade está ai, na existência destas comunidades,na precariedade do ensino, na deficiência da saúde pública, na desmoralização do judiciário,na impunidade e no discurso mentiroso de sempre. Para se ter a certeza que uma cidade vai bem é só darmos uma voltinha.E nem precisamos ir muito  longe . Podemos passear em nosso bairro, em nosso município e nos certificarmos do que foi realmente melhorado e do que não passou de simples   promessas eleitoreiras. Falando nisso, que tal darmos uma  voltinha em Caieiras? As eleições estão chegando...
FATIMA CHIATI



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