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02/07/2006
Que PMDB é esse?

Terminado o prazo para os partidos indicarem seus candidatos à corrida presidencial no pleito de outubro próximo, findou a novela do PMDB: o partido com 140 deputados estaduais, 83 deputados federais, 21 senadores, 02 ministros, 07 governadores, 1057 prefeitos, não terá candidato a Presidente da República. Que PMDB é esse? É o partido da casa da mãe Joana, poder-se-ia dizer isso. Não teria candidatos? Ao contrário, fragmentado em grupos e tendências, o partido, diante de muitos nomes, rejeitou o que poderia ser a maior convenção de todos os tempos no Brasil.

Germano Rigotto

O primeiro nome sério a se lançar a pré-candidato pelo PMDB foi o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Chegou a se licenciar do cargo e partiu para o “corpo a corpo” com as lideranças da agremiação. Todos seus esforços restaram infrutíferos, porque os “caciques” desviaram a discussão sobre o nome para a decisão da Justiça sobre a verticalização, que indicaria a “prioridade” do PMDB. Rigotto percebeu claramente a manobra, voltou para o governo do Rio Grande, mas declarou que lutaria por uma candidatura própria do velho MDB.

Garotinho

Demonizado pela Rede Globo, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, também postulante à pré-candidatura em primeira hora, foi execrado de fora para dentro. Talvez fosse o candidato “natural” do PMDB por ter disputado a eleição anterior e se mantido como líder de uma fatia da máquina partidária. Os “caciques” não tiveram nem dó, usaram o argumento de denúncia de suposta doação ilegal à campanha da pré-candidatura como fator de inviabilidade para sua escolha – como se usassem igual critério para o julgar os” mensaleiros”, por exemplo.

Itamar Franco

O ex-presidente do Brasil, Itamar Franco surpreendeu o país ao oferecer seu nome para a candidatura própria do PMDB. Dono de um curriculum poderoso para afirmar-se como nome de peso para a disputa eleitoral, Itamar limitou-se a escantear Garotinho e fazer jogo de cena para alavancar seu nome para a indicação do partido à vaga do Senado pelo Estado de Minas Gerais. Pagou caro pela manobra. Além de não ter sido sincero, amargou a derrota na convenção estadual para o ex-governador Newton Cardoso.

Pedro Simon

A maior covardia, no entanto, foi a rejeição do PMDB ao Senador Pedro Simon, um dos maiores políticos da história recente do Brasil. Considerado como peemdebista histórico, homem de rara percepção política, de notável lista de serviços prestados a nação, foi engolido pelo que ele denominou de “diabólicos” companheiros de partido. Em entrevista à Folha de São Paulo, Pedro Simon declarou: “Sei que essa gente é diabólica. Tem o presidente do Senado, o líder da Câmara [Geddel Vieira Lima], o líder do Senado [Ney Suassuna], a maioria esmagadora da Executiva, cargos a distribuir, três, quatro, cinco ministros, diretores da Petrobras, da Eletrobrás, um troço que você nem tem idéia. Portanto, não pode alimentar esperança. Os caras estão pensando nos cargos. Eles não trocam isso pela nomeação de um presidente. (...) Sarney não teve tanto poder nem quando era presidente. Ele não tinha o poder que tem hoje.”

Os caciques

O lendário Ulysses Guimarães, se de alguma forma pudesse assistir a que destino Renan Calheiros e José Sarney estão levando seu MDB, ficaria indignado, levantaria do sepulcro e faria explodir na campanha eleitoral o sentimento de mágoa em relação ao que está acontecendo nos partidos, no Congresso, na Presidência da República e no Brasil. Não deixaria o povo entorpecer e se resignar aos desmandos da casa da mãe Joana. É... esse PMDB, no atual momento de desconstrução política e moral do país, é o partido do jogo rasteiro, do simulacro, dos interesses menores e estritamente pessoais. Il vera qu´ést-ce qu´arriverra.


Hermano Leitão / JAS

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