» Colunas » Editorial

07/07/2019
9 de Julho: a vitória política

Derrota militar mas vitória política

Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 32 ou Guerra Paulista foram os nomes dados ao movimento armado ocorrido no Brasil entre Julho e Outubro de 1932 visando à derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e à instituição de um regime constitucional após a supressão da Constituição de 1891 pela Revolução de 1930.

Antecedentes

Na primeira metade do século XX, o Estado de São Paulo sofreu um acelerado processo de industrialização e enriquecimento devido à cultura de café e à supremacia política deste estado resultante da política do café-com-leite.

Em 1930 Getúlio Vargas assume o poder e põe fim à supremacia paulista na política nacional, além de suspender a Constituição de 1891 e nomear interventores para todos os Estados, com a exceção de Minas Gerais. Sem o poder político e enfrentando grave crise econômica devido à Grande Depressão de 1929, que derrubara os preços do café, a oligarquia paulista logo entra em conflito com Getúlio Vargas, que nomeia para São Paulo como interventor o coronel João Alberto de Barros, tido pelas oligarquias como "forasteiro .

Causas

Em 1932 a irritação das oligarquias paulistas com Vargas não cede sequer com a nomeação de um paulista, Pedro de Toledo, como interventor do Estado e começa-se a tramar um movimento armado visando à derrubada de Vargas, sob a bandeira da proclamação de uma nova Constituição para o Brasil.
A morte de quatro jovens paulistanos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) em 23 de maio de 1932 leva à união de diversos setores da sociedade paulista em torno do movimento de constitucionalização.

Neste movimento, tanto se uniu a oligarquia que pretendia a volta da supremacia paulista no poder quanto segmentos que desejavam a implantação de uma verdadeira democracia no Brasil. Em 9 de julho de 1932 a rebelião estoura  com os paulistas acreditando possuir o apoio de outros Estados, notadamente Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, na derrubada de Getúlio Vargas.

O Movimento Armado

Os planos paulistas previam um rápido e fulminante movimento em direção ao Rio de Janeiro pelo Vale do Paraíba, com a retaguarda assegurada pelo apoio que seria dado pelos outros estados.  Porém com a traição dos outros estados o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil.

Comandados por Pedro de Toledo, aclamado governador revolucionário, e o general Bertoldo Klinger as tropas paulistas se viram lutando em três grandes frentes: o Vale do Paraíba, o Sul Paulista e Leste Paulista.

Vale do Paraíba

Principal acesso para o Rio de Janeiro, o vale do Rio Paraíba do Sul era visto pelos paulistas como teatro principal da guerra.
A estratégia paulista previa a conquista da cidade fluminense de Resende, e apoiado por tropas mineiras, a marcha em direção à cidade do Rio de Janeiro. Entretando, com a falta de apoio de Minas Gerais, as tropas paulistas demoraram a se mover em direção a Resende e logo se viram defendendo o território paulista das tropas federais.

Os combates mais importantes se deram na região do Túnel da Mantiqueira que divide São Paulo de Minas Gerais e que era considerado um ponto militar estratégico de grande importância.

Soldados paulistas no Túnel da Mantiqueira.

O terreno acidentado do vale do Paraíba e a existência de diversas cidades levaram a um combate encarniçado entre as tropas, porém a superioridade de tropas e armamentos das forças de Vargas logo levaram à ocupação de diversas cidades paulistas do vale do Paraíba, como Lorena e Cruzeiro e o recuo das tropas paulistas em direção à capital.

Leste Paulista

Tropas paulistas penetraram no sul de Minas Gerais, atingindo a cidade de Pouso Alegre em julho / agosto de 1932, porém foram repelidas pelas forças federais em direção de Campinas e, após setembro de 1932, cidades paulistas próximas a divisa com Minas Gerais foram ocupadas pelas tropas fiéis a Vargas.
No alto da Serra da Mantiqueira, num local conhecido com Garganta do Embaú, ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Os paulistas invadiram a cidade mineira de Passa-Quatro que foi posteriormente libertada por tropas do general Euclides Figueiredo.

Sul Paulista

Principal teatro de operações das tropas federais, era o setor mais desguardado do Estado de São Paulo, pela crença do apoio que viria do Rio Grande do Sul. Tropas do sul se posicionaram na divisa de São Paulo e Paraná, próximos a cidade de Itararé. Esta, por um grave erro logístico das tropas paulistas, não foi defendida, tendo  se retirado para o Rio Paranapanema, abrindo quase 150 quilômetros de território paulista para os federais.
Como nas demais frentes, tropas federais, em maior número e mais bem equipadas, ocupam cidades paulistas, com o agravante destas estarem situadas mais ao interior do estado do que nas outras frentes.

Fim do Conflito

Em meados de setembro, as condições de São Paulo eram precárias. O interior do Estado era invadido paulatinamente pelas tropas de Vargas e a capital paulista era ameaçada de ocupação. A economia de São Paulo, asfixiada pelo bloqueio do porto de Santos, sobrevivia de contribuições em ouro feitas por seus cidadãos.
Vendo que a derrota e ocupação do Estado era questão de tempo, as tropas da Força Pública Paulista são as primeiras a se render, no final de setembro. Com o colapso da defesa paulista, a liderança revoltista se rende em 2 de outubro de 1932 na cidade de Cruzeiro para as forças chefiadas por Góis de Monteiro


Consequencias

Terminado o conflito, a liderança paulista se refugia no exílio, enquanto os paulistas computam oficialmente 634 mortos, embora estimativas extraoficiais falem em mais de 1000 mortos paulistas. Do lado federal, nunca foram liberadas estimativas de mortos e feridos. Foi o maior conflito militar da história brasileira no século XX.

A derrota militar  entretanto se transforma em vitória política. Ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do País, levando à promulgação em 1934 de uma nova constituição.

Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do Estado, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos. Lembrada por feriado no dia 9 de julho, a revolução é comemorada na Cidade de São Paulo e no interior do Estado, onde a destruição e mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas.

Curiosidades

Muitas histórias ainda se contam da epopéia Paulista, a atuação das voluntárias que ficou conhecida como "as enfermeiras paulistas" verdadeiras heroínas dos campos de batalha, os famosos voos rasantes na Cidade de São Paulo pelos aviões do Getúlio jogando bombas e causando grande estrago, Campinas foi uma das Cidades do Interior Paulista que mais sofreu.

As "Matracas" que ficaram na história, uma solução criativa que imitava metralhadoras."  Por incrível que possa parecer este invento, de madeira e ferro era simplesmente uma roda dentada com manivela, obra de um engenheiro de Piracicaba na Revolução de 1932 ( Otávio Teixeira Neme), foi utilizado na frente de batalha, para suprir a falta de munição. É fato histórico que o seu uso assustou as tropas getulistas e pode, por algum tempo, reter o seu avanço pois parecia uma metralhadora de alto poder de fogo.

Dez curiosidades da Revolução de 1932

1. Após a vitória na Revolução de 1930, o presidente Getúlio Vargas não cumpriu as promessas que havia feito antes de assumir o cargo. Paulistas, mineiros e gaúchos exigiam uma nova Constituição, devolvendo o país à legalidade política. O movimento foi crescendo e se transformou na Revolução Constitucionalista de 1932.

2. Os paulistas iniciaram o movimento depois que quatro rapazes foram mortos numa manifestação contra o governo no dia 23 de maio de 1932, na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República, em São Paulo. MMDC foi a sigla formada com as iniciais de Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, os quatro mortos.

3. A revolução armada começou no dia 9 de julho, mas os mineiros e os gaúchos não mandaram suas tropas para ajudar os paulistas. Por isso, três meses depois de seu início, o governo federal venceu os revolucionários. A rendição foi assinada na cidade de Cruzeiro (SP). Oficialmente, os paulistas contabilizaram 634 mortos. Os aviões do governo federal que bombardearam São Paulo eram conhecidos como "vermelhinhos".

4. São Paulo realizou uma grande campanha entre a população para a arrecadação de joias e objetos de ouro. Foi a maneira encontrada para levantar fundos para equipar os 30 mil homens que foram à luta. As indústrias ajudaram fabricando capacetes e munição. Várias empresas ajudaram os soldados de 1932 com alimentos e roupas. Uma delas foi a cervejaria Brahma, que distribuiu chope para os combatentes.

5. O professor Otávio Teixeira Mendes, do batalhão de Piracicaba, criou um instrumento chamado "matraca". Ao rodar uma manivela, uma roda dentada tocava numa lâmina de aço, provocando um som parecido ao de uma metralhadora. Como o exército paulista tinha poucas armas, as matracas eram úteis para assustar os inimigos e retardar o seu avanço.

6. A sigla MMDC representa os nomes dos quatro rapazes mortos no levante de 23 de maio: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. Uma lei promulgada em 2004 acrescentou à sigla MMDC a letra A. Ela se refere a Alvarenga, sobrenome de Orlando de Oliveira. Supõe-se que o rapaz também teria morrido nos conflitos contra aliados de Getúlio Vargas em 23 de maio de 1932. A decisão de incluí-lo no grupo de combatentes causou polêmica. Há dúvidas sobre a data dos ferimentos de Alvarenga. Acredita-se que ele tenha sido ferido apenas em agosto, pois há um espaço de tempo em que seu nome não consta na relação de internos do hospital.

7. Euclydes Bueno Miragaia, filho de José Miragaia e Emília Bueno Miragaia, nasceu no dia 21 de abril de 1911, em São José dos Campos. Ele cursou a Escola de Comércio Carlos de Carvalho até o terceiro ano e se transferiu para a Escola de Comércio Álvares Penteado, em São Paulo. Miragaia trabalhava como auxiliar de cartório quando morreu, aos 21 anos. 

8. Mário Martins de Almeida, filho do coronel Juliano Martins de Almeida e Francisca Alves de Almeida, nasceu na cidade de São Manuel, no interior de São Paulo, em 8 de fevereiro de 1901. Estudante do colégio Mackenzie, Martins morreu aos 31 anos e foi sepultado no cemitério da Consolação. 

9. Dráusio Marcondes de Souza tinha 14 anos quando morreu. Ele nasceu em São Paulo, no dia 27 de setembro de 1917, e era filho de Manuel Octaviano Marcondes de Souza e Ottília Moreira da Costa Marcondes. Depois de ser atingido no conflito, Drausio passou quatro dias no hospital. Morreu em 28 de maio e foi sepultado no cemitério da Consolação. 

10. Antônio Américo de Camargo Andrade, filho de Nabor de Camargo Andrade e Hermelinda Nogueira de Camargo, morreu aos 31 anos. Ele era casado com Inaiah Teixeira de Camargo e deixou três filhos: Clesio, Yara e Hermelinda.

 

fonte: Vários sites na internet


Edson Navarro

Leia outras matérias desta seção
 » 9 de Julho: a vitória política
 » PROERD da Polícia Militar
 » Resposta ao meu amigo Osvaldo
 » Lixão: Vox Populi Vox Dei
 » Ampliação do lixão, vale a pena lutar contra ?
 » Colecionando improbidade administrativa
 » Como afastar um Prefeito
 » O Jornalismo
 » Caieiras um Município Carente na TV
 » ITBI não sobe e Lei tem falha
 » Carnaval ainda é cultura popular?
 » Favor não alegar ignorância
 » O Mar de cocô
 » Caieiras homenageia República de Nagorno que não existe
 » Aprendam políticos e advogados
 » O polêmico decreto sobre armas de fogo
 » Caieiras Fest na lama
 » Feijão maravilha, ele de novo!
 » Votos x representatividade uma conta que incomoda
 » Bolsonaro levou....uma nação dividida!



Voltar