05/05/2021
Quando estamos sendo nós mesmos?

Duas e meia da madrugada e tenho o silêncio cúmplice dos meus pensamentos que “falam” comigo sobre o se sentir isento de contrariedades. O silêncio é uma das maiores dádivas que nos preenche com a profundidade do que é o viver. E o pensamento, então, ele nos eleva até as alturas de como nos queremos sentir nos momentos que estamos a sós. Isto é, sem as preocupações do cotidiano que nos distrai do sempre sentir a vida. Sentir a vida nos momentos em que de fato a sentimos, isso nos eleva até as alturas da paz e dos nossos sentimentos que não são revelados para outros. É preciso sempre estar atento à nossa interioridade que nos protege das influências exteriores dos outros que nos cercam.

“Se te é impossível viver só, tu nasceste escravo” (Fernando Pessoa 1888-1935) igual aos que precisam ter um rádio sempre ligado enquanto estão em suas casas porque não gostam do silêncio. Quem não gosta do silêncio são aqueles que não gostam do viver consigo mesmos. "Um homem só pode ser ele mesmo enquanto estiver sozinho; e se ele não ama a solidão, não amará a liberdade; e é somente quando ele está sozinho que ele é realmente livre” Arthur Schopenhauer (1788-1960).

Nesta época em que vivemos quase mais ninguém “sente a própria vida” por estarem envolvidos como estão com outros através da tecnologia. Ninguém mais tem sossego (risos). Quase ninguém mais tem momentos que lhes sejam próprios e isso é impróprio. Hoje, internet, youtube, facebook, whatsapp e etc. são nomes de outro idioma que estão a poluir o nosso. Eles contribuem demais para que as pessoas se distraiam de si mesmas e se tornem inconscientes do efeito manada a que estão sujeitas nesta época de tanto rebuliço e discórdia entre as pessoas adaptadas que foram a se iludirem com comunicações que lhes são desnecessárias e mesmo inconvenientes.

Altino Olimpio

 



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