12/03/2022
Caixa de Pandora

E mais uma vez houve a tentativa. Naqueles momentos que ventos funestos resolvem soprar com muita força sobre nossos alicerces, desordenando quase tudo, fazendo nossos pilares de sustentação que julgávamos fortes e inabaláveis vergarem igual bambus, indo bater no chão, com tamanho estrondo , que julgamos se romperiam. 

Foi num dia assim que finalmente acreditei precisar daquela ajuda sempre dispensada, para criar coragem e enfim, abrir minha “ caixa de Pandora “!

A terapia …

Ah essa louca ciência que tem as chaves de nossos baús mais secretos …essa malévola que insiste em jogar em nossa cara sua capacidade de ir buscar nos porões mais obscuros, nos calabouços ou onde quer que  tenhamos enterradas nossas dores, nossos segredos, traumas e quaisquer outros sentimentos que na verdade queríamos ficassem onde estavam…

Ela vai buscar e nos obriga a olhar o espelho que reflete nossa alma. 

Eu aceitei …num momento de extrema fragilidade, achei que devia e podia finalmente buscar na terapia, as respostas para as perguntas que nunca quis fazer. 

Com profunda desconfiança eu a encarei. 

Na verdade eu queria mesmo era desafia- lá. Até então, ninguém tinha conseguido mexer com o novelo embaralhado que eram minhas lembranças e sentimentos. Dava para contar nos dedos de uma mão, uma ou outra pessoa que tivesse algum conhecimento do que havia enterrado na minha caixa. 

A proposta era que a cada divisão da caixa que fosse aberta, eu encarasse o que havia lá dentro e fosse onde tivesse que ir para quebrar, dissolver, romper ou perdoar, enfim , a cada questão a sua solução. 

Eu bem que tentei … mas ai de mim… sou muito humana ainda… não ascendi quase nada, porque na segunda ou terceira porta aberta, eu sucumbi. 

Porque mexer com as feridas que embora não cicatrizadas, estão em seu estado de dormência?

Porque mexer com um passado que pode trazer lembranças que não gostaríamos de ter vivido?

Não! Só consegui  o encarar as verdades que teimava esconder. 

E viver as verdades nos liberta. 

Gosto do sabor da liberdade, gosto de ser verdadeira, de não esconder o que de bom eu sinto, de buscar o lado luz de tudo, de decifrar os enigmas do silêncio,  mas não quero e nem preciso entender o que me feriu. 

Saltei de paraquedas desse voo cego. 

Vou continuar pisando em terra firme onde eu conheça o terreno ou possa enxerga- lo.  

Só deixei sair de minha caixa o único sentimento bom que ali permanece, a Esperança, essa que nunca deixarei partir. 

 Já abriu sua caixa de Pandora?

Cuidado… pode machucar. 

Selma -  Esteticista



Leia outras matérias desta seção
 » Uma noite no cemitério
 » Mostrando as caras
 » Caixa de Pandora
 » De novo, outra vez....
 » Batendo na trave
 » A vó maluca e o covid....
 » De repente
 » Uma mulher aos 44 anos
 » Meus queridos, meus velhos, meus amigos!
 » Cala a boca Magda
 » Fui me despedir
 » O fim de uma história
 » Quando o universo não conspirar desista!
 » Namorado azarado!
 » Descompasso
 » Aparências
 » A Viagem (com a sogra) - Última parte
 » Nossa praia e o novo normal
 » A Viagem (com a sogra) - Terceira parte
 » A Viagem (com a sogra) - Segunda parte

Voltar