» Colunas » Editorial

05/10/2007
Legislativo, a lavanderia do Executivo

A perversão de nosso mundo político está na aceitação pública e tácita de todas as mentiras empacotadas em peças publicitárias remuneradas em offshores, que aniquilam as estruturas do poder democrático. Sob o manto da urgência ou risco de inércia na adoção de medidas salvadoras, governos justificam coalizões, alianças e votações, que, invariavelmente, redundam em concentração de poder, gigantismo econômico do Estado e corrupção endêmica na máquina administrativa. Nesse ideário, o Poder Legislativo em todas as esferas nacionais transformou-se em lavanderia do Poder Executivo.

O Legislativo não legisla nem fiscaliza, endossa medidas provisórias. Seus membros são propagandistas a la duseldorfianos das improvisações em tão alto grau de entupimento que não lhes resta tempo de formular Leis. Na onda retumbante e triunfalista, são meros autorizadores do que lhes bufa o laundering King. O Poder Legislativo torna-se, então, um apêndice imantado no assento da cadeira do Chefe do Executivo, que legisla sobre o aparelhamento partidário do Estado uníssono e impede a fiscalização de seus atos por conta da autorização subornada ou do concurso permanente, organizado e habitual de associados, para financiar o cassino das campanhas eleitorais e lavar ativos em paraísos de brancura.

A lavagem a seco, a frio ou a quente é um método quotidiano de todos os atos, de todos os discursos, de todas as trocas negociadas, cujo cenário se confina a um palanque eleitoral. Tudo tem de ficar brilhante para a próxima eleição. Assim, a máquina de lavar centrifuga as tretas e escoa a sujeira ralo abaixo. Algumas manchas, porém, são resistentes e, às vezes, se espalham. O que fazer com uma mancha que não sai do lugar? Talvez deixar exposta ao tempo para ficar rota ou contar com um informante do tipo Garganta Profunda que indique a origem ou o caminho da mancha. Mas se a mancha ameaçar a se espalhar? Nesse caso se aplica um corante de preferência de coloração verdinha na trouxa inteira, porquanto, para os legisferantes, vale tudo para manter o poder do branqueamento.

De fato, há branqueadores de poder de um branco total ou, pelo menos, a propaganda assim os embala, por terem cada vez mais poder concentrante, de preferência nacional quase unânime, não fosse o preço que se paga, pois toda e qualquer lavagem votada tem alto preço - ainda mais quando se trata de roupas sujas oriundas do troca-troca, da orgia da infidelidade e de recursos oriundo dos Sanitary Cleaning Shops. Em outras, quanto mais poder tem o Chefe, mais chifre. Lavar, pois, é tornar cândido, por isso se destina a candidatos, que hão de se pendurar no Gigante alvejante, todo poderoso, grande negociador, ainda que por dias diga que nada sabia, com ares de Bufão, dissimulado, indecente, travestido de fanfarrão e bravateador.

Hermano Leitão

Leia outras matérias desta seção
 » A consciência dos políticos brasileiros em reais
 » O presente das trevas do Dória
 » TCE: Mais um prêmio para o ex-prefeito Hamamoto
 » TCE: Chumbo grosso no prefeito de caieiras
 » Liberdade de Imprensa-Daniel Nakao Maibashi
 » Me engana que eu gosto
 » Caieiras e o novo marco do saneamento básico
 » Quem brinca com fogo acaba se queimando
 » Coronavirus: o after day das contas
 » A atual guerra Paulista
 » A vez do Witzel
 » O vídeo Bolsonaro x Moro
 » Caieiras deve receber R$ 11 milhões de ajuda federal
 » Feriado da consciência pandêmica - Folclore Nacional
 » Coronavírus-Osmar Terra: "não é bem assim"
 » Coronavírus: e agora manézada?.
 » Prefeito pretende gastar R$ 3,9 milhões em festas
 » Estado de Calamidade impõe normas na esfera jurídica
 » Prefeitura gasta R$ 10 milhões em festas
 » Concessão de transporte público



Voltar